Eu, professor emigrado no Rio, virei balconista de boteco

Desempregado de longa duração, de professor de História sem colocação, passei a aluno. Ao abrigo de IEFP fiz diversos cursos, em especial na área de Informática. Estudei sistemas operativos, redes e programação. Sempre elogiado e classificado pelos formadores como dos melhores. Emprego? Nada!

Um ano, dois anos, dois anos e meio, a viver de esmolas de pais e sogros, cansei-me da vida de pedinte. Deixei a Ana e o casal de filhos, Paulo e Sofia, e fiz-me ao caminho: EMIGREI!

Cheguei ao Rio de Janeiro às 7h45 de 1 de Setembro de 2009. Optimista, iluminado por manhã carioca solarenga. Tomei um táxi para a Gávea. Bairro fino, da classe média alta, onde residia o tio-avô do meu pai, Joaquim Francisco de sua graça.

Com mil reais no bolso, disse-lhe ao que vinha. Licenciado e professor de História, sem colocação em Portugal, tinha decidido emigrar para o Brasil. Tanto poderia dedicar-me à docência, como a outra actividade, acentuei. Referi os meus conhecimentos e atributos informáticos. O tio Joaquim, de sotaque bem abrasileirado, disse-me: “Vou ver o que posso fazê por você, mas sabe que não é fácil, não; o Brasiu está necessitando de tudo menos de professô, aí presidentje Lula garante que estamos na maió!”. [Read more…]

O sobreiro

By Georges Jansoone (own photo; Alentejo, Portugal) [GFDL (www.gnu.org/copyleft/fdl.html), CC-BY-SA-3.0 (www.creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/) or CC-BY-2.5 (www.creativecommons.org/licenses/by/2.5)], via Wikimedia Commons

O sobreiro é um símbolo nacional. É a Àrvore de Portugal desde 22 de Dezembro de 2011, aprovou-se na Assembleia da República. “Nenhuma outra àrvore dá mais exigindo tão pouco”, escreveu o silvicultor Vieira Natividade em 1950.

“Abater um sobreiro é abater um símbolo nacional” , li no jornal.
O sobreiro é a metáfora do povo português: exige pouco, dá muito. Vivendo em difíceis condições como o sobreiro, é um povo generoso.

Os governos exigem e exigem do povo português, que continua a dar, a dar tudo e mais alguma coisa.

Não «abatam» o povo português.

Céu Mota

Greves

Confesso que nunca fui simpatizante de greves. Nunca aceitei muito bem o poder negocial que se funda na capacidade de causar prejuízos. Nunca compreendi como podem os sindicatos vangloriarem-se de uma qualquer greve ter sido uma vitória quando esse triunfo se mede pela proporção do dano causado. E pior, não compreendo e não aceito quando esse dano é causado directamente à população em geral. Neste tipo de greves quem sofre não é o Conselho de Administração ou a Entidade Patronal que se quer antagonizar, mas o Povo.

Mais incompreensível é o facto de alguns objectivos que se pretendem alcançar com as greves serem, no mínimo, ilegítimos. Neste caso da CP, tentar através de uma acção de força sindical alterar o resultado de processos disciplinares que são pendências que, obviamente, devem ser decididas em sede disciplinar e eventualmente em sede judicial, constitui uma pressão inadmissível. A lei proíbe, manifestamente, qualquer tipo de coacção sobre quem tem o poder de julgar.

Nesta altura do campeonato em que todos devemos estar preocupados com o aumento da produtividade nacional, esta greve da CP é como ter no barco um “gajo” a remar para trás, de propósito e todo contente.

Ora uma greve que é feita durante toda a quadra natalícia e que impede as pessoas de viajarem de comboio e em muitos, mas mesmo muitos, casos vai impossibilitar aquela que é, por excelência, a oportunidade anual de estar com toda a Família, é asqueroso.

O meu primeiro desejo para 2012 é que depois de se ter vendido parte da EDP aos chineses, se venda a CP à Coreia do Norte (por mim até pode ser dada)!

A essay on the old Christmas values (and why the fuck hell is everybody expressing themselves in English!??!)

A véspera de natal chegou, a alegria e solidariedade pairam no ar, os filmes que ninguém vê, mas fazem uma boa banda sonora/som ambiente estão a dar na TV, as prendas vão para o carro na esperança (e exigência) de voltarem mais dos que as que vão, chegámos, toda a família reunida (e não é incrível como apenas com a promessa de bons presentes e algumas notas de valor significante é que aguentamos um dia inteiro de família com a conversa da treta, e as historias orgulhosamente contadas como se alguém realmente estivesse a ouvir (sejamos sinceros, não são sobre nós, não interessam, ponto); ou mesmo como se alguém lhes desse algum valor, desde que no fim acenemos com a cabeça e dê-mos uma ligeira gargalhada (e só depois nos apercebemos que era a sua triste e dolorosa historia sobre o seu tempo de tortura pela PIDE), as crianças correm e brincam (gritam, empurram, sujam), alegres pela casa (pudera, malditos roubaram-me as prendas, aqueles pequenos idiotas, que vieram ocupar o nosso lugar central como receptor central das prendas da família), os familiares mais idosos [Read more…]

Bambúrrios

1.- Acertar na combinação do Euromilhões;

2.- Ter emprestado dinheiro ao Steve Jobs ou ao Bill Gates para eles abrirem as suas empresas;

3.- Ter lá em casa um “quadrozito” esquisito que pertencia à Sogra e que se vem a descobrir que foi pintado pelo Picasso;

4.- Ir a Campanhã apanhar o comboio e não ser dia de greve na CP.

As 106 fotografias do ano de Street Art

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As 106 imagens podem ser vistas na Street Art Utopia. Eis uma amostra, incluindo uma açoriana, de Ram Miguel & Gonçalo Ribeiro, adivinhem qual é…

Cavaco Silva, presidente do PSD

Cavaco Silva não é o presidente de todos os portugueses, porque não é meu, mas, pelo menos, poderia ter feito um esforço por me contrariar, tentando ser melhor. Não por mim, entenda-se, mas pelo país.

Mesmo admitindo que não sinta especial afeição por Passos Coelho, declarações como “não sei que Governo terá sido mais escrutinado do que este” ou que é “bom que os portugueses estejam conscientes de que os membros do Governo são pessoas e não super-homens, a que não se podem pedir milagres.” parecem revelar a absoluta parcialidade de alguém que deveria funcionar como um árbitro.

Se tivéssemos em Belém um Presidente de todos os portugueses, Passos Coelho teria sido chamado depois de ter aconselhado os desempregados a emigrar e o Orçamento de Estado teria merecido um pedido de fiscalização. Se Cavaco Silva não está ao lado de todos os cidadãos, o PSD pode, pelo menos, contar com o seu apoio. É, sem dúvida, um homem com sentido de família. Sentido de Estado é outra coisa.

Hoje dá na net: Brave new world (Admirável mundo novo)

brave new word

Hoje dá na net uma distopia, o oposto da utopia.

«Admirável Mundo Novo (Brave New World na versão original em língua inglesa) é um livro escrito por Aldous Huxley e publicado em 1932 que narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas.» [da wikipédia].

O Porto em 1956


Excerto do filme “O pintor e a cidade” de Manoel de Oliveira; para além de alguns comboios a vapor em São Bento e a caminho de Campanhã, surge também a ponte Maria Pia (então com 79 anos de idade) e as carruagens Schindler em início da sua carreira de meio século.