Que merda de país é este?

A almofada da desculpa é o ‘memorando da troika’, negociado e firmado pelo governo de Sócrates e ainda ratificado – e zelosamente excedido – pelo duo PSD+CDS, detentores do poder que nos (des)governa.

Almofada, do ponto de vista etimológico, é uma palavra de origem árabe. Nós, portugueses, e fiéis às origens do ‘al-gharb’, conservámos o vocábulo. Usamos a definição linguística e naturalmente do objecto de repouso sobre o qual descansamos e dormimos. Com menor ou menor comodidade. Tudo depende do recheio. Suma-a-uma, espuma ou outros materiais sintéticos que nos amparam ou massacram o atlas, sim o atlas, ligado ao osso hioide – fonte de inspiração, quem sabe, do conhecido “Hirudoid’.

Todavia, passou a haver outro conceito aplicado a almofada; o conceito político-financeiro, ora usado por Seguro – há almofada – ora recusado por Passos e Coelho – não há almofada.

Mais do que a oposição reclama, o importante é que o governo diz:

Não há folgas, nem almofadas

para acomodar, deduzo eu e milhões de outros cidadãos, a anulação do corte, mesmo parcial, dos subsídios de Natal e de férias nos rendimentos de funcionários e reformados da função pública, bem como de pensionistas privados em 2012 e 2013.

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Sodadi bô Cize!

Quem era Cesária Évora? Quem vai ao Google ou ao wikipedia ganha logo uma colectânea de informações básicas sobre a  “Diva dos pés descalços” em textinhos com ar de retalho…mas fica definitivamente sem saber quem é Cesária Évora.

Para se saber quem é Cesária Évora teremos de ter ouvido pelo menos uma vez na vida a Morna Mar Azul e sentir aquele arrepio triste na espinha, para se saber quem é Cesária Évora tem-se de ter tido pelo menos uma vez na vida a vontade de abrir um mapa ou o Google e pesquisar duas palavras: “Cabo Verde”. Para se saber quem é Cesária Évora é obrigatório ter-se andado, pelo menos mentalmente, pelas ruas da cidade do Mindelo e sentir-se em casa. Para se conhecer Cesária Évora é fundamental entender a filosofia atrás da palavra simplicidade, a matemática da expressão ALMA, a secreta química cerebral que qualquer cabo-verdiano sente ao cantar/escutar a morna Sodade. Para se gostar de Cesária não é preciso nem se ser cabo-verdiano nem entender crioulo. Cesária resume a palavra tempo e estende até ao limite do infinito a dimensão irónica de dez pequenas ilhas no atlântico. Hoje muitos pedem que o seu nome seja dado ao aeroporto internacional da ilha de S. Vicente. Para mim isso seria o serviço mínimo, pois o nome: “Cabo Verde”, já há muito tempo foi traduzido para: “Cesária Évora”. Há quem nunca tenha vindo a Cabo Verde, mas já esteve na terra da Cesária Évora. O que farão as memórias por nós, o que significam os teus pés descalços? Se calhar que os nossos reinos são imaginários e somos todos meros reizinhos patéticos andando nus pela Disneylândia. Ou nada. Podem não significar absolutamente nada…se calhar apenas que sabias sentir a terra por debaixo dos teus pés.

Cada um sente a dor que mais lhe dói e este país a que eu pertenço, esta geração que não conhece Cabo Verde sem Cesária Évora, hoje sente a dor que mais lhe dói. Seu legado serve-nos ao menos para desmascarar uma mentira: os grandes nunca partem, só morre quem nada partilhou com o mundo.

O estradismo: uma crónica sobre as últimas três décadas de asfalto.

Na foto um dos efeitos do estradismo: a proliferação de lixo. Estrada municipal em Cinfães.
Nos últimos 30 anos (e mesmo durante a longa noite do Estado Novo) os senhores governantes do concelho de onde sou natural debitaram um extenso relambório eleitoralista cujo tópico principal era a estrada. Segundo eles, eram necessárias estradas. Estradas em todos os sentidos, a ligar todos os pontos: A a B, B a C, BB a CC, etc etc. Com a chegada dos fundos comunitários construiu-se, então, um número ilimitado de estradas, estradinhas e estradões para todo o lado, mesmo antes de existir uma rede de saneamento, da própria electricidade e de água potável para todos. Onde havia uma casa, podia o seu proprietário contar com uma estrada à porta, apesar de não ter esgotos nem água canalizada. Entre asfalto e paralelípedos de granito, o investimento em vias suplantou o da educação, da cultura e do apoio ao comércio e à indústria locais. A grande justificação era a de que as estradas trariam progresso, aproximavam pessoas, tornavam as distâncias longas em percurso reduzidos e, portanto, geravam progresso. Tempo é dinheiro e, como tal, as estradas iriam supostamente constituir autênticas caixas multibanco do interior. Ao mesmo tempo que as câmaras municipais e os seus feudos distribuíam empreitadas a construtores “da sua confiança”, o Estado central gizava auto estradas para transformar Portugal num reticulado de asfalto e cimento. Foi o “estradismo”. [Read more…]

Não faças ondas

HDR de Hugo Colares Pinto

Braga 2012 CEJ:

Em apenas 72 horas, um grupo de jovens foi para as ruas de Braga. Aqui fica o resultado:

Com os meus sentidos pêsames à família enlutada

E falando de Kim Jong-il não esquecer esse eterno memorial onde se registou o homem olhando as coisas.

 

 

Sobre aquilo que começou com Vasco da Gama e acabou faz agora 50 anos

Contêm partes eventualmente chocantes e uma das razões porque ao passar na Ponte Vasco da Gama tenho vergonha de ser português.

Então [Vasco da Gama] mandou aos batéis que fossem roubar os pageres que eram dezasseis e as duas naus, em que todos acharam arroz e muitas jarras de manteiga e muitos fardos de roupa. Então tudo isto recolheram aos navios e a gente toda das naus grandes, e mandou que recolhessem o arros que quisessem, que tomaram quatro pageres, que vazaram, que não quiseram mais. Então o capitão-mor mandou a toda a gente cortar as mãos e orelhas e narizes e tudo isto meter em um pager, em o qual mandou meter o frade [o brâmane que, ao chegar a frota a Calecute, entrou a bordo] também sem orelhas, nem nariz, nem mãos, que lhas mandou atar ao pescoço com uma ola para ele-rei, em que lhe dizia que mandasse fazer caril do que lhe levava o seu frade.

E a todos os negros assim justiçados mandou atar os pés, porque não tinham mãos para se desatarem, e porque se não desatassem com os dentes com paus lhes mandou dar neles que nas bocas lhos meteram por dentro, e foram assim carregados uns sobre os outros, embrulhados no sangue que deles corria, e mandou sobre eles deitar esteiras e ola seca e lhes mandou dar as velas para terra com o fogo posto, que eram mais de 800 mouros, e o pager do frade com todas as mãos e orelhas também à vela para terra sem fogo, com que foram logo ter a terra, onde acudiu muita gente a apagar o fogo e tirar os que acharam vivos, com que fizeram seus grandes prantos.

Gaspar Correia, Lendas da Índia

A nossa decadência nestas partes é inteiramente devida ao facto de tratarmos os nativos como se fossem escravos e pior do que se fôssemos mouros

António de Melo e Castro, Vice-Rei da Índia, 1664

Retirado da compilação Ministros da Noite, Livro Negro da Expansão Portuguesa, de Ana Barradas, Antígona, 1991

O Sonho

 

 

 

adão cruz

 

O sonho

O sonho

acesso do silêncio ao dilatado vento da palavra o direito da sombra na luz de todas as cores.

O sonho

doce caminho dos lábios perfumados de alheias maçãs a voz que há-de voar quando se calarem as asas.

O sonho

canção intemporal que dá razão à loucura a sede de todas as fontes a água de toda a secura.

O sonho

vento leve e sensual tocado de algas e maresia adormecido o pensamento na doce cama da fantasia.

O sonho

uma flor a sorrir no outro lado do rio onde as quebras do silêncio dão voz ao melro vadio.

O sonho

os barcos que chegam tarde carregados de vinho amargo a esperança de todo o tempo sem outro tempo de esperar.

O sonho

mar derramado na areia fina beijando o corpo feito casa a paz da tarde adormecida sem corpo para morar.

O sonho

mão apertada ao escudo da liberdade ameaçada o sonho tempo perdido tempo de sonho e de nada.

O sonho

flor de orvalho colhida no seio efémero da madrugada o silêncio da canção perdida no beijo da noite atraiçoada.

Americanos retiram do Iraque, sem honra nem glória

Claro que na guerra nunca há honra ou glória é, afinal de contas, um negócio porco.

Soldados Americanos violam uma iraquiana de 14 anos - identificada como jovem mulher nos relatórios oficiais - clique na foto para ler a história dela e outras, em inglês

A guerra no Iraque foi um negócio especialmente porco porque se tratou de uma guerra de agressão. Guerra que o agressor nem teve coragem de declarar. Nos julgamentos de Nuremberg, as guerras de agressão, foram consideradas o crime internacional supremo.

 
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Não conheço a Esotérica de lado nenhum

O que é interessante é que estas autarquias estão todas no mesmo servidor, alojadas pela empresa Esotérica e o site foi criado sempre pela mesma pessoa: Fábio Poli.
Chega a ser mais bizarro que alguns sites se tornam autênticas cópias e até os títulos saem “alterados”, como este exemplo mostra:

Se conhecesse só teria a dizer bem do serviço prestado.

Hoje dá na net: O Poder dos Pesadelos

O Poder dos Pesadelos – a ascensão da política do medo, excelente mini-série da BBC onde se retrata o percurso de dois movimentos que têm muitas similaridades: os neo-conservadores nos Estados Unidos e os fundamentalistas islâmicos. Este é um documentário essencial para compreender a política internacional da primeira década do século que está prestes a terminar. Página IMDB. Depois do corte pode encontrar os links para os três episódios, legendados em português.

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Mensagem de Boas Festas


Prefiro, de longe, a versão de 2010.

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