Funcionários públicos? Era fuzilá-los a todos!

António Pires de Lima é um dos muitos iluminados que conhece todas as soluções para resolver os problemas do país. Como lídimo membro de toda a pandilha vagamente neoliberal que vê nos métodos de gestão empresarial uma religião universal, defende que o problema está sempre no Estado e, mais concretamente, nos funcionários públicos.

Segundo as suas doutas palavras, tudo se resolverá se, dentro de três anos, houver menos 50 000 a 100 000 funcionários públicos, entre outros cortes.

Nestas cabecinhas contabilistóides, está constantemente presente o único verso que restou do poeta grego Pitermo: “Nada interessa, a não ser o dinheiro.”

Não há vida para além do défice e as pessoas são peões que podem sacrificados. Não interessa debater como deve ser o Estado e interessa menos ainda saber quantos funcionários públicos são, efectivamente, necessários para que o país funcione. No campo da Educação, por exemplo, está-se a cometer um verdadeiro desperdício de recursos humanos e a comprometer a qualidade do Ensino para os próximos anos, afastando das escolas muitos professores cujo contributo é absolutamente necessário. Para a mente brilhante que comanda a Unicer, professores e médicos são apenas despesa.

Entretanto, Pires de Lima não tem uma palavra para o modo como os partidos do arco do poder têm gerido os orçamentos de Estado em benefício de empresas e de bancos administradas por correligionários, amigos e compadres.

Não sei se há funcionários públicos a mais ou a menos. Sei que é muito fácil arrotar umas postas de pescada do alto de um gabinete donde as pessoas parecem formigas e em que o país é, apenas, um tabuleiro do Monopólio. O problema, no entanto, não é esse: o problema é que estamos a ser governados por quem pensa como esta luminária.

 

FOTOGRAFIA DE RUA 2

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O Problema da Europa

Valores dos titulos a atingir a maturidade

O gráfico anterior ilustra as necessidades de crédito imediatas de três bombas relógio. As cimeiras europeias não fazem nada para resolver este problema. Tanto a Itália como a Espanha estão a atingir valores de financiamento que fazem com que o roll over destes bonds seja impossível de fazer. Como vai ser?

Na palma da mão

adão cruz

Na palma da mão tenho sonhos de liberdade e silêncio para enfrentar a morte.

A música treme na palma da mão como incerteza de paisagem e futuro.

Quem dera adivinhar a cor desta canção cinzenta que se dissolve no ar que respiro.

Neste verão diferente do outro eu quero vestir-te de primavera sem medo dos tiranos e da moral burguesa.

Quero escolher as palavras do poema que fazem chorar teus olhos azuis e abrir o sonho à luz do meio-dia.

Quero renascer dos versos que dentro de mim acendem as estrelas e clamam por outros seres e outros mundos.

Quero seguir quem me chama para outros mares onde o sol sempre nasce e ilumina.

Creio que a terra é minha e de espirais de estrelas o meu regresso.

O sol arde nas nuvens e o mar verde leva-me para habitar contigo onde quer que estejas.

Não sei aprender a morrer fora das linhas desta mão incerta onde as flores de verão deixaram raízes no inverno e hão-de desabrochar na manhã de sol em que partirei.

O meu umbigo é melhor do que o teu

Celebrada por alguns, tomada como uma vitória sobre a poderosa Alemanha de Merkel, a mal sucedida cartada inglesa na cimeira de líderes europeus nada tem de europeísta, de defesa dos direitos dos europeus, ou de contributo para a ultrapassagem do impasse político com que a europa se debate. É apenas mais do mesmo e insistência no poderio desregulamentado dos mercados.

Cameron nada acrescentou (nem sequer tentou), excepto nacionalismo, liberalismo e autismo a uma conjuntura que sofre precisamente do excesso desses males. Louvá-lo é apostar no desmembramento da europa e na predominância dos mercados sobre os interesses dos povos e dos estados. Persistir nos erros que conduziram a este túnel cada vez mais apertado é estúpido e, na prática, não passa da outra face da moeda Merkozy. Não há nada a festejar quando as coisas são como estão.

Trans Europe Express


Não sei porquê mas hoje apetece-me ouvir Kraftwerk.

2.3 milhões de euros a arder ao vento

Ventos com força de furacão (265 Km/h) colocaram em Ardrossan, Escócia, esta turbina a arder por causa de rotação a velocidade excessiva. Possivelmente, digo eu, foi o sistema de travões que falhou. No nosso panorama habitualmente planeado com primazia, há umas turbinas bem perto de zonas habitacionais – basta fazer a A8 e observar alguns exemplos. Mas a sorte protege os audazes e nós ousamos e bem.

foto e notícia: The Telegraph

Rir é preciso

O riso, quando tudo à nossa volta parece desmoronar, é um sinal de coragem e resistência.  Nós, portugueses, inventamos anedotas, trocadilhos, malandrices, acerca de tudo o que outros inventam para nos oprimir e fazer sofrer, como quem com o riso carrega as baterias de resistir e lutar. Foi assim durante a ditadura imposta pelo 28 de Maio de 1926, foi assim durante a tentativa de ditadura comunista em 1975, está a ser agora com as imposições da Alemanha que, como é costume, leva a França conservadora pela arreata, porque esse lado da França acorda sempre tarde e mal, é um lado burro que não aprende nada e que, quando chega a hora da verdade, berra e grita até chegarem os ingleses, os americanos, os australianos e os canadianos para a libertar. Mas depois esquece tudo. No seu ADN não estão registados a gratidão, a solidariedade e o bom senso.

Até o primeiro ministro do Canadá, que é conservador e com pouca graça, sabe que é assim a avaliar pelo que se passou na última Cimeira do G-20. Primeiro, de cara estanhada, disse que a União Europeia tem meios suficientes para resolver os seus problemas sem precisar de pedir ajuda. Depois, quando um francês ressabiado lhe atirou à cara que o Canadá  participou da 2ª Guerra Mundial por ser “imperialista”,  saíu-se com este par de bandarihas: “No final da guerra a terra que reclamámos foi a necessária e suficiente para sepultar os milhares de canadianos que deram a vida para vos ajudar”. Por este domingo tire o leitor os dias santos do que por cá se pensa. [Read more…]

Custa muito, mas é merecido

Obrigado velha Albion, não é que tenha resolvido alguma coisa mas tratando-se dos bárbaros do costume a França mete-se em Vichy e vale-nos a Inglaterra.

Custa-me mesmo muito, ainda por cima sendo a direita inglesa a única a afrontar a besta, mas as coisas são como são e não exactamente como fabricados em mitos gostaríamos que elas fossem.

Fiquem lá com uma grega a cantar um dos hinos ingleses, ó merkozis e seus provincianos súbditos locais, enquanto vejo a repetição do tempo. De uma forma ou de outra essa coisa da cee acabou e o que vem a seguir tende a ser a repetição do impensável. Daqui a 20 anos desconfio que a França, a velha colaboracionista, garantirá ter sido muito heróica na sua resistência.

A cimeira

Hoje dá na net: While The City Sleeps

While The City Sleeps – morte de um magnata dos media provoca uma luta pelo poder entre os seus executivos. Entretanto, mulheres em Nova Iorque tornam-se presas de um assassíno em série. Filme de Fritz Lang. Página IMDB. Em inglês, sem legendas.

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