Grande Mulher (em tudo!)

A artista Joana Vasconcelos é a primeira mulher a expor no palácio de Versalhes!!

Em véspera do jogo Portugal-República Checa, passa despercebida esta vitória portuguesa! E ainda para mais, a de uma mulher!

Joana não é apenas a primeira, mas “a mais jovem artista contemporânea a ter o privilégio de se apresentar em Versalhes”, leio no DN do dia 18.

“As mulheres e a condição da mulher estão no centro do trabalho” desta artista que será a representante oficial na Bienal de Veneza em 2013!

Leva Portugal para Versalhes, leva mais que 11:  a ouriversaria do Minho, o fado de Amália, as tapeçarias de Portalegre, crochet do Pico, as cerâmicas de Rafael Bordalo Pinheiro, a escrita de Valter Hugo Mãe, as fotografias do pai, o design de Henrique Cayatte, a cozinha portuguesa e a louça da Vista Alegre.

Parabéns Joana. Uma salva de palmas para si, que é portuguesa da cabeça aos pés!!

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    Joana leva para Versailles a arte de suas mãos e de quem com ela travalha – leva a história da mulher portuguesa – leva as artes que são únicas na europa – leva a tradição e a dignidade de viver em tempo de “quase nada ter a não ser a arte de criar e sobreviver” e disso faz arte e história e dignidade – leva a coragem de “ousar” – leva a simplicidade feita grandeza dignificada e renovada – leva Portugal de sempre – leva-nos a “todos” – mesmo sem ministério da cultura nem de coisa nenhuma – vai sozinha sem mêdo e sem esperar senão por ela mesma e com este gesto talvez leve como consequência muito mais gente atrás e sobretudo leva o país em que nasceu e de que absorveu as artes primordiais e fez reviver e reinventar – grande “joana” que abre caminhos – que dá continuidade e movimento ao que parece estar parado – que busca portugal sem ter a cagança de imitar os “consagrados de outras paragens” elogiados que são “eles” e não somos nós – ela leva-nos a “nós”

    • Maria do Céu Mota says:

      Obrigada Celeste pelo seu comentário:Joana «leva-nos a todos», sem ministério, sem cagança, com muita inteligência e brilhantismo!

  2. Tito Lívio Santos Mota says:

    os emigras não são todos “avecs” !!!!


  3. Lamento ser desmancha-prazeres mas a Joana é a artista do regime. Francisco José Viegas até dispensou comissário, assumiu-se como tal, e escolheu-a para ser a representante de Portuagal na Bienal de Veneza 2013.
    A presença de Paulo Portas e António Costa também dizem alguma coisa. O pior mesmo é que a Joana aceitou ser censurada no seu trabalho – a directora do Palácio vetou a sua conhecida peça “Noiva” – e ela só ficou “decepcionada”.
    Artista que se submete à censura na Europa tem pouca coluna vertebral mas muita ambição. A Joana só se representa a si própria, não tenhamos ilusões.

  4. Eu mesma says:

    Gosto muito da obra de Joana Vasconcelos, para mim uma das grandes artistas lusas deste século XXI que mal começou. A ver se ela mete os franciús a apreciarem com mais respeito a lusa arte. Claro que os hipócritas do desgoverno coelhista tinham de lá estar de bicos de pés e armados em importantes e patriotas, sabem que nada valem ao pé da artista. É uma pena que ela tenha feito cedências quanto à ridícula censura em relação à peça A Noiva. Esquisitices dos hipócritas conservadores francíus, os mesmos que ficam alterados (melhor dizendo, animados) perante essa “obra de arte” que é uma foto de nú frontal da ex-primeira-dama gaulesa Carla Bruni Sarkozy, dos bons velhos tempos como manequim que saltava de cama em cama. Pelo menos a nossa Joana ao que se saiba não se comportou como uma cortesã reles como essa tal Carla.

  5. maria celeste ramos says:

    Obrigada Mª do Céu Mota – ser mulher no mundo é ser o que sempre foi – construtora da vida e guardiã da família e da tradição e gestora da casa – é a arte de viver e de dar alimento e recordo uma imagem arrepiante de uma preta sentada no chão de terra vermelha, quase velha de esgotamento mas que por um peitinho dava mama a um seu filho e pela outra a um macaquinho que perdera a mãe – eu nunca tinha visto uma coisa assim de mulher-mãe, mas vi porque andei por áfrica, uma negra já quese sem corpo e sem leite mas ainda um bebé nela tinha a ilusão de memar e ter leite, que não tinha pois sem alimento o leito nem se forma como sabe – vê negras descalças e mal vestidas de lata de 10 litros de água à cabeça sobre uma rodilha, para tratar da família e dar de beber e comer e tratar da higiene da famía e dos animais e da casa de chão de terra – vi uma negra velhinha “perdida” no deserto de Cabo Verde na Cidade Velha (1ªcapital destruída pelos franceses), sentada numa pedra (e já nem olhava para mim pois já estava noutro mundo) à espera de morrer longe de todos, vejo-a ainda como se fosse hoje – a mulher que deu vida não tinha sequer companhia para morrer em paz e com um olhar a ajudá-la a partir – vi mulheres a percorrer quilómetros à procura dos poucos paus que havia no lugar, carregados à cabeça para levar para casa e cozinhar numa terra já tão deserta de tudo e que vivia numa casa que não tinha nada além de 4 parêdes de pedra e um quintalinho onde havia um porco e um pé de bananeira, quando havia essa, já tão grande riqueza, nessa terra rica de meninos negros de olhos brilhantes e a sorrrir como quem canta, na sua batinha branca imaculada de escola que ficava no mesmo largo do meu “institudo de investigação científica” onde eu tentei “descortinar” porque estava naquela altura o pouco alimento que havia, a morrer (bananeira e cafeeiro) – gente que nem identidade tinha pois como descendentes de escravos de várias etnias que eram traficados pelos portugueses até que o Marquês de Pombal acabou com isso e, do nada, em terra deserta, fizeram um país e uma lingua, uma cultura e civilização e hoje um “país” – e que para terem água de beber andavam quilómetros de água à cabeça se perto, ou transportada num barril a que acoplaram uma engenhoca para o deslocar kilómetros até “casa” – mas dançavam e cantavam e inventaram aquela canção da alma que é o seu “fado” que não me cançada de ouvir e tocavam à noite sem electricidade à luz daquele céu cheio de estrelas e sem poluição com todos os instrumentos que “gemiam” “oh mar oh mar oh mar sem fim” leva-me pra longe pra meu amor” (ainda não havia a Cesária mas a Titina) – eram todas mulheres – Assim quando vi no CCB a expo da Joana de Vasconcelos e nem sabendo quem ela é nem de onde vem nem me interessa olhei para a sua “obra” e lembrei-me dos meus tempos de menina nas cida em tempo de guerra e de muita pobreza em que tudo em casa era pouco e feito pelas mãos hábeis e sagradas de minha mamã que lavava o chão e dava sêmeas às galinhas que a conheciam e lhe saltavam para cima quando se dobrava porue agradeciam a quem lhes dava “alimento” mãos que faziam a nossa roupa de vestir, ou apenas um trapinho de seda branca de que fazia laçarotes linod para me enfeitar o cabelo e ir para a escola mais binita, e roupa da casa e rendas manuais para a mesa e as cortinas da janela – com arte e amor – o amor com que 24 horas por dia nos alimentou a vida enquanto viveu – e a Joana “repete” os mesmos gestos e mesmo os mesmos desenhos manuais que guardo ainda e sempre, e nem ela sabe a que recordações de amor e dor, me leva e levará certamente outras pessoas da minha idade e vivências – quer ela saiba ou não e nem interessa, e me trouxe também o Bordalo (que guardo também) e um filme sem fim de quase um século de vivências bem arrumadas nesta memória porque a vida é isso, as memórias, e as emoções que a elas estão agarradas e são a minha estrutura primordial que ela desbaralhou até mesmo naquelas almofadas e tecidos de chita de Alcobaça e os velhos design que, com a Joana, não se perderão, embora, repito, os que da minha idade já não apreciem nem queiram porque haverá para eles más recordações (não para mim pois só olho o passado com muita ternura e compaixão), e os que nada disso viveram nem percebem e dizem ser “parvoíces calculadas” como diz o comentador deste “tema joana” que não percebe nada de nada, não passam de falsos intelectuais de pensamentos superficiais e frios e vazios, ao lado eventualmente de outros como Portas e António Costa que se manifestaram em Versailles (viagem paga com o meu IRS) com aqueles cerebelos de merda e palavras de nada de quem vem de passados que não lhse deram nada de valor, nem as palavras porque nota-se que nada de nada aprenderam que sirva a ninguém – que bom para Mim ter visto no CCB a exposição da Joana que me fascinou e me atirou pra uma “escala” de ver e sentir e pensar que me refazem um século de vida e emoções – só por isso a Joana que “por acaso é mulher e daí mais sensitiva” digam e escrevam o que dela quizeram, é um SER que me assombrou e, mais uma vez, “lavou”, pelo menos algumas mágoas do meu caminho e lhe deu também, à maneira dela, mais significado-beijinho-mariaceleste-Versailles merece a Joana mesmo que visitada só por “intelectuais” já que da minha idade já restarão muito poucos e menos ainda com as minhas vivências e memórias e viagens “interiores”

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