Para além dos números tortos, da imposturice e do cadastro criminal que preocupam tantos, o que Artur Baptista da Silva disse

gaspar_alves_dos_reis

  • Que os efeitos devastadores desta crise replicam os resultados do programa anteriormente aplicado noutras partes do Mundo (e designadamente no Brasil), onde apenas gerou pobreza e subdesenvolvimento.
  • Que numa economia como a portuguesa, que de si já era frágil, o ataque que está a sofrer vindo de fora (com a diminuição do rendimento do trabalho, e os aumentos do desemprego, dos impostos, dos encargos sociais, do défice, e por fim, nessa cadeia recessiva, da dívida soberana), e em total contradição com o que foi prometido pelo programa de assistência, é o responsável pelos três milhões de pobres que contabilizamos já. “Uma população que está ao nível da indigência”.
  • Que os bancos se fizeram para ajudar os Estados e não o contrário.
  • Que as autoridades europeias tratam os Estados como bancos e os bancos como Estados.
  • Que a imposição assistencialista aos países em dificuldades, ao invés da solidariedade (raiz mesma da construção política da União Europeia) é a subversão total dos fundamentos da UE.
  • Que Portugal não está na UE para ter lições de economia, porque é um Estado soberano, com a mesma dignidade e os mesmos direitos que os outros.
  • Que Portugal entrou para a UE para se desenvolver, e não para sofrer a devastação a que estamos a assistir.
  • Que uma Europa unida que serviu para destruir a indústria, a agricultura, as pescas, e para transformar os países do Sul em bolsas de trabalho barato para uso da Europa mais desenvolvida, apenas serviu para defender os interesses dos mais ricos e poderosos, e para dizimar os restantes.
  • Que o capitalismo financeiro está a destruir os postos de trabalho gerados pelo capitalismo económico.
  • Que esta crise não serve para regenerar, como alguns afirmam, mas para matar as pessoas e subjugar as economias mais débeis.
  • Que em 2014 Portugal estará na mesma situação da Grécia neste momento, se não se fizer nada no princípio de 2013. Como? Renegociando as condições do memorando de entendimento imediatamente, e designadamente as relativas aos juros usurários que se têm vindo a demonstrar incompatíveis com a manutenção da soberania do País.
  • E ainda teve tempo para falar dos contornos poucos claros da ‘ajuda’ do governo alemão e da Comissão Europeia ao Hypo Real Estate, nacionalizado em 2009.

Artur Baptista da Silva em entrevista a Paulo Tavares/TSF.

Comments


  1. Ou seja, como todos os vigaristas disse aquilo que as pessoas gostam de ouvir. É por isso que quem fala a verdade é imediatamente atacado e um politico que diga a verdade não consegue ser eleito.

    • nightwishpt says:

      E o senhor disse alguma mentira ou quê?

      • José Neto says:

        Seja Artur Baptista da Silva quem for, as suas afirmações fizeram-me recordar um pensamento de Fernando Pessoa: «Se eu argumentar, o meu argumento valerá como argumento, e não como meu. Para ter razão não há idoneidade senão a lógica, nem se exige, para se poder argumentar, bilhete de identidade» (fonte: Da República – 1910 – 1935», edição Ática, 1979


  2. Para demonstrar um teorema simples de matemática, numa aula, facilmente se demora meia hora ou mais. Cada uma das afirmações que ele fez é muito mais complexa, demoraria muito mais a demonstrar a sua veracidade ou falsidade. As pessoas acabam, quase sempre, por acreditar às cegas na afirmações, ou pelas credenciais de quem faz essas afirmações ou por simplesmente gostarem do que ouvem. Os vigaristas, de Sócrates a Vale e Azevedo sabem dizer aquilo que as pessoas gostam de ouvir, mas isso não dá nenhuma garantia de ser verdade. Muito gostam as pessoas de serem enganadas!

  3. Sarah Adamopoulos says:

    A sua afirmação (sobre o que afirmou ABS) padece do exacto problema que aponta no seu axioma matemático. Simplismo e ‘pela-ramice’ demagógico. Por que não vem a debate em vez de mandar tiradas nas caixas de comentários?


    • Isso seria dar demasiada importância a um burlão. Faltava mais nada senão perder tempo a analisar a veracidade e falsidade das afirmações feitas para encantar ingénuos de um vigarista. Para analisar a crise que vivemos e as possíveis soluções há pessoas com afirmações muito mais fundamentadas e interessantes sobre o assunto.
      Neste caso é mais interessante analisar porque razão esse vigarista conseguir ludibriar tantos. Porque razão os jornalistas não verificaram as credenciais do homem? Porque razão um burlão consegue enganar tanta gente num assunto que exige bastante preparação técnica, como não distinguiram um nabo em economia de um perito altamente qualificado? Acaso essas pessoas julgam que para tratar de assuntos económicos vale o mesmo alguém que só sabe mandar meia dúzia de frases de agradável efeito ou alguém que passou décadas a estudar o assunto? Não seria para isso que devia servir o jornalismo especializado?
      E com isto já perdi demasiado tempo com este criminoso, enfim um pouco por pena dos seus ingénuos seguidores. Confesso que me intriga o tipo de pessoa que apoia Vale e Azevedo, aplaude Sócrates e dá palco aos ABS. Porque eu desde os 1ºs momentos percebi que estas 3 figuras eram burlões de sucesso, uns mais, outros menos, e sempre fiquei admirado porque há largas camadas da população que por mais que se tente explicar que estão a ser roubados, insultam quem tenta ajudá-los e aplaudem quem os rouba e engana. O sentimento cega de tal forma algumas pessoas que a razão não é capaz de fazê-las ver a verdade.


      • Peritos ‘altamente qualificados’ temos tido muitos neste País e o resultado está à vista. De economês não faltam teorias. ‘Contabilistas’também abundam O que não tem existido é soluções de Economia Política. .


        • Não concordo, desde que Guterres e Fernando Nogueira, em 1995 criaram uma série de incompatibilidades entre o desempenho de cargos políticos e privados que a qualidade dos políticos que nos desgoverna tem vindo a decair.
          Aproveitam-se alguns, mas a média deixa bastante a desejar, isto do ponto de vista da competência técnica.
          O ministro das finanças de Sócrates tinha fama de competente, mas não fazia aquilo que lhe parecia correto, mas cumpria as ordens de Sócrates. A primeira escolha de Sócrates foi Luis Campos e Cunha que ao fim de poucos meses se demitiu por perceber que não conseguiria cumprir o seu papel sob as ordens de Sócrates. Teixeira dos Santos teria competência técnica, mas não a força moral, permaneceu no governo fazendo asneira atrás de asneira sabendo que aquilo que fazia prejudicava gravemente o país. E Sócrates, que foi o coveiro do país, não tinha competência técnica, e chegou a 1º ministro precisamente porque era um aldrabão bem falante que botava paleio agradável em debates com Santana Lopes na TV.

      • Lucas says:

        Que incompatibilidades entre público e privado? Isto é só vê-los a pular de um lado para o outro.

        Já agora, para quem evoca a matemática do pé para a mão, falta uma certa dose de lógica no seu discurso. Se você diz “Porque razão um burlão consegue enganar tanta gente num assunto que exige bastante preparação técnica” é porque acha que ele diz falsidades (não estamos a falar das credenciais), o que choca com “Faltava mais nada senão perder tempo a analisar a veracidade e falsidade das afirmações feitas para encantar ingénuos de um vigarista” (diga-se de passagem que esta afirmação é paradoxal em si mesma). A cegueira do tendencioso é terrível.

      • Lucas says:

        Que incompatibilidades entre público e privado? Isto é só vê-los a pular de um lado para o outro.

        Já agora, para quem evoca a matemática do pé para a mão, falta uma certa dose de lógica no seu discurso. Se você diz “Porque razão um burlão consegue enganar tanta gente num assunto que exige bastante preparação técnica” é porque acha que ele diz falsidades(não estamos a falar das credenciais), o que choca com “Faltava mais nada senão perder tempo a analisar a veracidade e falsidade das afirmações feitas para encantar ingénuos de um vigarista” (diga-se de passagem que esta afirmação é paradoxal em si mesma). É a cegueira do tendencioso.

  4. Paulo Sarnada says:

    http://valedapinguela.blogspot.pt/
    Tenho, para mim, que o “problema” não e o alegado economista e muito menos o que ele diz.
    Cada um tem direito ao seu momento de glória.
    O problema somos nós enquanto NAÇÂO e POVO que não gostamos de NÓS. Fazemos tudo para nos maltratar e para valorizar o que vem de fora.
    As nossas elites são intermediárias dos interesses estrangeiros. Estão-se nas tintas para os restantes.
    Por outro lado temos que nos governar com o que temos e com aquilo que conseguirmos inovar a partir daí e sem contar com a “estrangeirada”. Pelo menos deve devemso estar muito atentos à “cobiça” do capital e interesses estrangeiros.

  5. Augusto Pombo says:

    Qual a diferença (ou semelhança) entre o sr Atur Silva e o sr Miguel Relvas?


  6. Olá…

    Este senhor, fez-me logo recordar o outro de há uns meses atrás
    É evidente que pouco importa quem é o zé mané que afirma estas coisas… O facto de ter dito a realidade (em ambos os casos) é que provoca de imediato uma reacção dos capatazes… E a velha técnica do costume pode ser observada hoje em plena acção… Como aliás foi efectuada exactamente da mesma forma no caso do Alessio…

    Mas na realidade pouco importa se alguns indivíduos procuram tentar abrir os olhos das MANADAS… Estas não gostam de saber que a erva que estão a ruminar está seca e estragada… Elas preferem continuar com a ILUSÃO DE que a mesma está verde e fresquinha… Por isso até podiam aparecer tipos como estes uma vez por semana (ou mais)… Que tal não afectaria em nada o comportamento das MANADAS…

    😎

  7. Lucas Galuxo says:

    Bom resumo, Sarah. Este caso não revelou um burlão. Revelou dezenas deles, como este xyz, incapazes de apresentar os factos que, mais do que qualquer apreciação sobre o currículo do senhor, desqualificariam as suas opiniões.


  8. debates com tipos como os que aparecem aqui a comentar?
    é como alimentar um burro a pão de ló.

    • João Paz says:

      Presunção e água benta cada um toma a que quer e, pelos vistos, não sobrou qualquer espaço para a água benta porque a presunção LHE ENCHE TODOS OS POROS, xyz.

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