O problema das “estigmativas”

Duas mulheres na casa dos quarenta anos a conversar na rua sobre as respectivas facturas da EDP. Uma: Eles fazem o que querem com o nosso dinheiro. A outra: É para isso que eles usam as estigmativas. A outra: É tudo uma roubalheira. E ainda querem eles que a gente vote. Abeirei-me delas e meti-me na conversa para dizer que a contagem que vem numa factura serve para ser confrontada com aquela que o contador exibe. E assim vamos, com esta gente que não conhece as palavras da Língua que fala, nem é capaz de interpretar o que está escrito numa factura de consumo eléctrico doméstico. São eles os que não votam, acreditando ser esse o procedimento virtuoso do cidadão que não quer participar da ruina do sistema democrático – paradoxalmente contribuindo para a eleição dos governantes que não nos representam. Ou será que representam, e andamos aqui a falar de um país prevalecente imaginário? Sempre essa dúvida.

Comments


  1. A nossa estigma é esta… Nas últimas eleições (05/06/2011), para as Títeres da Secretaria Geral, mais conhecidas por “Eleições Legislativas”, 4.039.300 dos inscritos nos cadernos eleitorais decidiram, democraticamente não ir votar… E 22,43% do total dos inscritos decidiu, democraticamente, votar no PPD/PSD! Nesta “maioria” de 22,43%, uma minoria de cerca de 2% (tendencialmente inferior), votou no PPD/PSD pois sabe de certeza que recebe algo em troca… Os restantes 98% votaram graças à publicidade emitida pelos controlados “Meios de Merda Social” que servem para isto mesmo, ajudar a colocar na Secretaria Geral as Títeres que interessam às Famílias Donas De Portugal…
    E VIVA a Democracia…
    O sistema pelo qual o que realmente interessa é manter a ilusão de liberdade para que os escravos modernos possam consumir e manter a máquina capitalista a funcionar!
    Curiosamente como estamos em fase de “não consumir” já podemos começar a vislumbrar, aqui e acolá, falhas na projecção da Ilusão da Liberdade!


    • Este é o elefante na sala… VIVA a Democracia…

      Abstenção nas legislativas depois da revolução:

      Temos uma análise sobre este tema no tretas.org.

      • Sarah Adamopoulos says:

        Pois. E no entanto ninguém fala do modelo participativo, e ainda menos da reforma do sistema representativo…
        Não nos representam!


      • Olá! Também conheço bem os números da nossa “democracia”… Mas a causa é que deve ser discutida… E uma provável é a seguinte: A geração nascida em finais da década de 60 e início da década de 70 do século XX, foi a que teve mais acesso a instrução/informação… Quando chegou a altura de começarem a votar (+-1990) provavelmente uma grande quantidade de inscritos, fruto de um melhor conhecimento do que é a fraude da “democracia” (a da altura e a de agora) decidiram não “votar”… Pois sabem que o sistema está minado!

        Tirando isto…

        A última réstia de esperança para o sistema “democracia” é o pessoal dar uma hipótese a todos os partidos que nunca governaram até hoje… Se no final se verificar que afinal “são todos iguais” – até hoje não podemos fazer tal afirmação – então podemos mandar a democracia, nestes moldes, às urtigas! 😉


  2. Há facturas da EDP por estimativa que. muitas vezes, não têm correspondência no consumo real.Quase sempre são calculos por cima (ou seja sobrefacturação) e o resultado é a empresa arrecadar receitas à custa dos consumidores. Estes só vêm a receber a diferença passados meses e entretanto o que pagaram a mais ficou a render juros para a empresa.Para evitar tal situação, deveria já estar instalado o sistema electrónico de leituras de contadores de consumidores domésticos.

    • Sarah Adamopoulos says:

      Antero, é verdade, mas basta confrontar essa leitura por estimativa com a contagem do contador e ligar para a EDP quando se recebe a factura e eles emitem uma nova factura. O problema é que as pessoas nem olham para o que está escrito nas facturas. Não quero desculpar a EDP (as estimativas costumam efectivamente beneficiar a Companhia) mas não era bem disso que queria falar…


      • Sara, sim a empresa acaba por corrigir a factura mas não imediatamente e entretanto o consumidor já pagou mais do que devia pagar. E para pedir a correcção tem se deslocar à Loja do Cidadão, perdendo tempo e gastando mais dinheiro em transportes.

        • Sarah Adamopoulos says:

          Antero: não é preciso ir a lado nenhum, basta telefobar para lá logo que se recebe a factura e se verifica a disparidade da contagem. Mas sim, entretanto, muitas vezes, paga-se efectivamente mais do que o consumido.


  3. O que interessa mais do que a contagem são as taxas, nomeadamente aquela relativa ao uso das-redes e ao interesse económico geral que decorrem de medidas de política energética… É PRECISO VER QUE A MASSA POPULAR CONSOME, NÃO CRIA, PRODUZ, NÃO INOVA… Para nossa desgraça tudo isto vai voltar a acabar da pior maneira, com a cumplicidade popular!


  4. Corrijo: a notícia do JN tem a data de 2005, mas os problemas desde aí aindacontinuam, justificando muitas queixas sobre a facturação da EDP

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