Exemplo de capitão

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Para o bem e para o mal, ainda tenho do desporto – o autêntico – a visão romântica de que é uma referência de valores: entreajuda, solidariedade, liderança, trabalho de equipa, disciplina, amizade, respeito e humildade, e mais umas dezenas de outras qualidades que poderíamos acrescentar.

Mas não sou ingénuo ao ponto de acreditar que o desporto, na sua pluralidade, ainda se rege pelo velho padrão de “mens sana in corpore sano”, porque, desde logo, me assaltam evidências de que o desporto sempre foi usado desde a antiguidade para outros fins que não este.

Penso, no entanto, que, se conseguirmos fazer vingar algumas das qualidades, valores e referências, poderemos ter uma melhor sociedade, mais justa e interdependente, responsável.

O desporto pode ser, mesmo, uma das maiores menções de cidadania.

A conquista, por parte da selecção nacional de juniores (sub/21) do Europeu da segunda divisão, disputado no Sport Hall Mladost’ da Trnavská cesta, 39, em Bratislava, e o natural acesso aos oito melhores da Europa, já mereceu atenção aqui e em quase todos os órgãos de comunicação social, os quais, mercê de uma política de comunicação encetada na Federação por Marcos Castro, aparecem, finalmente, a dar algum destaque a uma modalidade que é das mais pobres em Portugal, sendo normal serem os próprios atletas a custear a sua prática desportiva nos clubes.

O ano que findou há dias trouxe para a modalidade momentos ímpares e relançaram esperança para 2013. Não podemos, contudo, adormecer à sombra dos louros. Este ano, a começar já no próximo fim-de-semana, em Viena, há provas em que não vamos, por certo, alcançar os mesmos resultados.

Em Praga, no Europeu de sub/21 feminino, a realidade será muito diversa. Portugal vai disputar o grande campeonato, não por ter conquistado o direito, mas porque desistências de muitos países estenderam o convite a Portugal, cuja Federação entendeu que era de aceitar. E melhor oportunidade não terão de saber a que nível se joga na Europa e até que ponto as meninas portuguesas terão de se sacrificar se, um dia, quiserem alcançar patamar tão alto de disponibilidade total para a prática desta variante desportiva.

Não foi decisão consensual esta deslocação, havia quem entendesse que, quando a disparidade é tão grande, deixa de ser aconselhável jogar, no pressuposto de que essa diferença pode marcar esta mais jovem geração de meninas atletas. Mas ver a alegria e a vontade com que se têm entregado ao plano de treinos da equipa técnica nacional, liderada por Hugo Santos, leva-nos a pensar que a selecção nacional feminina merece estar em Praga, ainda que perca todos os jogos. Se souberem, desportivamente, encarar a competição com respeito pelas regras e competindo ao seu melhor, terá valido a pena, por mais que pesem os golos que vão sofrer (vamos lá marcar!). E, sobretudo, se souberem aprender, com humildade!

Quando vivi a modalidade a tempo inteiro, também éramos despachados de goleada, fosse na variante de campo, fosse na variante indoor. E, passados trinta anos, demos um salto qualitativo que, por vezes, espanta a tutela e os pares europeus. Conseguiu-se isso com muito trabalho, muitos erros também, muito querer, muito sacrifício, muita formação. Por exemplo, entre a mais recente subida à Divisão maior dos juniores e a anterior, medeiam 13 anos, e, ao longo desse período, houve altos e baixos, houve anos em que faltou apenas um bocadinho, e há 2013 em que tudo foi possível de novo.

Ao nível de selecções, a absoluta, em 2012, conquistou, em Lousada, o acesso à segunda ronda da Liga Mundial. Em 2013, também ela vai defender essa conquista. E também ela se vai confrontar com o mesmo dilema: o nível dessa eliminatória próxima estará a anos-luz do que foi a disputada em Portugal. Também esses atletas vão defrontar adversários muito superiores, mas venderão cara a derrota, e cada vez se aproximarão mais desse nível se lhes forem dadas condições.

De permeio, Belenenses e Sport Clube do Porto organizam, nas suas divisões, os europeus de clubes (os lisboetas, no Pavilhão Acácio Rosa; os portuenses, no complexo do Parque da Cidade).

Mas o que importa ressaltar, e foi o mote para esta intromissão no mundo dos leitores do Aventar, são as palavras que Joe Kodde, o capitão da selecção recém-campeã, escreveu na sua página do facebook. Todos vão entender que o caminho é este: o líder não necessita de se pôr em bicos de pés para comandar, mas é importante que, na hora da vitória, saiba agradecer ao seu antecessor, a quem, com ele, trouxe a vitória, e aos técnicos que fizeram dele melhor. Mesmo quando essa conquista foi a sua última batalha no escalão júnior.

Joe Kodde

Joguei pela última vez pelos sub-21, e não podia ter sonhado com mais, Campeões Europeus de Campo e de Sala.
Quero agradecer ao Capitão Pac, pelo incrível espírito de equipa que conseguiu criar durante o Europeu de Campo, que tentei manter neste Europeu de Sala. E sonho que este espírito continue nas futuras seleções, porque é com estas atitudes de humildade, dedicação e esforço que se criam Campeões.
Por fim, quero agradecer aos treinadores, Rui e Márcio, pela dedicação e confiança que tiveram em nós, tornando-nos nos jogadores, e mais importante, nas pessoas que somos hoje.
Foi um enorme prazer jogar ao vosso lado e fazer parte desta Geração Diamante. Ficarei com estas memórias para o resto da minha vida”.

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