A cultura também é um negócio

E cada um deve gerir o seu como bem entende. Chegado a Portugal, fui visitar uma livraria que desde sempre gosto de frequentar, com o intuito de abastecer livros que permitam satisfazer os meus hábitos de leitura durante meses. Saí de mãos a abanar. Não estou preparado para comprar livros escritos em brasileiro, exceptuando autores brasileiros, como é óbvio. Os autores ou editores, nem sei bem a quem imputar a responsabilidade, são livres de aderir ao A.O., mas eu não serei menos livre em escolher como e onde gastar o meu dinheiro. É que a leitura sempre foi para mim um prazer. Mas com esta ortografia na qual não me revejo, deixei de comprar jornais. Agora vão também os livros. Não gosto do A.O., prefiro reduzir drasticamente os meus hábitos de leitura. Ainda que acabe por ler títulos ou autores que considere mesmo indispensáveis, seguramente que o meu protesto visará atingir o ponto onde posso ser mais eficaz no protesto, evitando a compra. A escolha foi da indústria livreira, pois as escolhas têm consequências…

Comments

  1. Isabel says:

    Ando a reler “A criação do Mundo” de Miguel Torga, faltam-me alguns volumes – será que os que comprar já vêm em brasileiro?
    Os que estou a ler ainda têm acentos que já caiaram em desuso.. mas era assim à época- como irão fazer agora??

  2. José Neto says:

    Tem todo o direito de não comprar aquilo de que não gosta.
    Eu faço uso do mesmo direito e não compro livros (exceto se editados anteriormente) que não adotem a ortografia consagrada no acordo de 1990


    • E assim se descobrem os idiotas que estão todos contentinhos porque os erros ortográficos que davam direito a levar palmatoada são agora “escrita correta”.

      A puta que vos pariu, seres abjectos.


  3. Também não compro livros em acordês. Nunca li tanto em inglês! Este “acordo” tem esse efeito: aumenta a leitura em inglês e francês.

  4. Carlos Florentino says:

    Penso que há editoras que não usam o AO. Seria bom termos uma lista delas.

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