Ao Triunfal Bonzo Buda Costa

António CostaPassou a pastilha democrática das eleições autárquicas, com as suas ilusões e as suas esperanças. Não houve uma imensa participação cívica. Houve a mesma participação cívica baixa, ainda para menos, uma humilhante abstenção, entre emigrados, mortos e alheados: percebe-se que se há óleo lubrificador dos sufrágios ele escorre somente na engrenagem passional dos clubes-partidos da política, do seu velho ping-pong, e percebe-se que somente um refugo de dependentes e familiares das migalhas políticas se movimenta, espessa minoria que vota neles. Mesmo os falsos e semi-falsos independentes, amuados ou dissidentes do Partido que os preteriu.

Indiferente à História Recente, o Povo, mais quinhentos mil que no PSD, votou no PS. Votar PS é votar com a mesma inteligência e sentido de acerto com que Roberto, ex-guarda-redes do Sport Lisboa e Benfica, defendia a gloriosa baliza pífia aquilina. Lisboa, enfim, sorvedouro ímpar e supremo a todos os títulos, votou massivamente no Bonzo Buda Costa, alguém que anda a excitar a necessidade de excitação de todas as Esquerdas e a fazer sombra a Seguro: pela mesma razão por que se votou no Bonzo Costa não se podia votar no Bode Expiatório Menezes. É só fazer as contas.

Como um Clérigo do Partido Socialista, todos pudemos ver, triunfal, o Bonzo Buda Costa a abençoar os Eternos Parasitas da Capital, todo aquele Friso “Cultural de Repetidos Batidos” babando, que o aplaudia com lágrima de Esquerda ao canto do olho, especialmente Helena Roseta que sempre precisou de Homem, na Política: primeiro Sá Carneiro, depois Soares… e agora Costa, o Grande Bonzo Buda de todas as Esquerdas. A Capital é de Esquerda. A Capital, com aquele grande umbigo em forma de vórtice a pedir terramoto, não se enxerga. A Capital não vê um boi à frente dos olhos e menos ainda a grande paisagem desolada nacional. Na Capital, ou se mama directamente do Estado Socialista, quando ele existe em directo com o PS, ou se mama em diferido do mesmo Estado Socialista, com o PSD, ou se mama por interposto plano local na mega-despesista autarquia olissiponense, quando o socialismo prevalece.

Há no Bonzo Buda Costa um vácuo menos vácuo que em Seguro e uma voz grossa mais grossa e mais convincente que a do Tó Zé. Costa tem ainda, como argumento, uma pele em tom bronze liberdade. A política participativa mediante o voto, no seu velho flato amnésico, soltou-se. A Capital votou mono.

O Porto elegeu um Príncipe Suave e a sua liteira hereditária. Lisboa quis confirmar o Super-Bonzo Socialista, pai dos pobres e esperança dos aflitos. Passaram as arruadas. Voltou Portugal espezinhado pela Troyka. Todos aguardamos por más notícias, melhor que péssimas. O Estado está sob estresse, mas não a Lisboa de Costa. Há incerteza no ar quanto ao desenlace desta dupla avaliação troykista, mas a Lisboa do Bonzo Buda vai bem e ficará ainda melhor, não temais.

Separados à nascença, na sua negatividade desesperançadora, se Semedo se atirou a toda a casta de desculpas pela sua estrondosa derrota, pelo seu gritante Zero Hilariante em todos os planos, Passos, fica claro, também gosta de apanhar. Apanha na medida em que recusou hostilizar e estigmatizar o PS, o qual, ao invés, fez e faz uma campanha-hiena sem quartel e sem descanso para demonizar e menoscabar a jangada governamental desde o início. Pois eu digo: observando o desfecho destas eleições, dá vontade de, agora sim, atirar o País para legislativas antecipadas, italianizar isto. Passos, que não se sabe defender nem defender o Partido nem defender o Governo e a sua brutal herança, deveria demitir-se. Toda a fauna socialista e bem-pensante conspira contra si-Passos. Fosse ele outro, entregava o Poder à gloriosa omnipotência mundividente do dr. Seguro e ao clero sem cloro do grande friso do Regime, avistado na aclamação messiânica a Costa, o Bonzo Buda: Soares, Alegre, Almeida Santos, todos. Sair de cena e entregar a casa roubada sem trancas à porta pelos Socialistas aos mesmos Socialistas, sempre com a caramunha, seria qualquer coisa de impacto mundial, tal como deixar o Escorpião Portas a falar sozinho. «Criaram toda a espécie de problemas; geraram todas as dívidas pelas décadas das décadas; fomentaram toda a espécie de óbices manhosos à sua resolução? Pois então desemerdem-se vocês e o vosso planeta nefelibata socialista!»

Nestes dois anos, não tem havido coragem governamental, assertividade governamental, e bons exemplos governamentais. Ofenderam-nos com Relvas e Machete. Insultaram-nos com nomeações de imberbes às dúzias para funções pagas a ostras, ouro e papel-higiénico de platina. A frugalidade dos tachos neste Governo vai no Batalha e não fica atrás do outro Governo. Os merdia e os partidos abençoados pelos merdia, espécie de cartas viciadas que dizem e dão a dizer sempre a mesma coisa, não indulgenciam nada neste Governo. Opinadores sob estipêndio das TV, ressabiados das oposições, espíritos de contradição, espalham a sua cizânia como se fosse a coisa mais natural do mundo. Os offshores parisienses financiam as mesmíssimas vozes de burro e o seu legado asno. Não há futuro para a dívida e paz orçamental do Estado Português sem um novo ataque aos salários, ao emprego no Estado, às prestações sociais, aos custos na saúde. Embora a retórica dos recessos deste Regime diga, dirá o que quisermos ouvir, que há alternativas. A dívida tem muita força e o traiçoeiro voluntarismo socialista, célere a criar O Problema, arrasta-se e é lastro na solução de Qualquer Problema. O PS institucional tem muito sorriso, vai inchado e não seguro, mas não poderá impedir que, no curto e médio prazos, nos tornemos ainda mais pobres a fim de baixarmos a dívida pública que nos estrangula e sequestra o nosso sistema bancário apanhado pelos colhões pelo que andou a fazer em larga escala em 2011.

Não há volta a dar-lhe, diga o venenoso Pacheco Pereira o que disser. O défice tem de ser cumprido. E será. A dívida terá de recuar. E recuará. Tem o PS uma mensagem diferente? Mente. O eleitorado recompensa mentirosos, começando por recompensar os mais mentirosos. Numa escala de Zero a Dez, o PS mente dez e o PSD mente sete e meio. Há que premiar quem mais mente e quem mais engonha. Isso explica o grande resultado do Bonzo Costa Buda que tinha à sua frente a aplaudi-lo efusivamente inocentes e admiráveis ex-gestores públicos como Carlos Costa Pina, esse clarividente caucionador de subscrições swap.

No fim, os portugueses estarão sempre aí. Aí para se baldarem largamente aos plebiscitos eleitorais. Aí para recompensarem os despesistas sem obra e punirem os despesistas com obra e intervenção social. Aí para votar nos Bancarrotas-PS, nos Socialistas-Bancarrota, desde que algum tempo tenha passado sobre as suas memórias tolhidas. Fome, desemprego e desespero nunca são obra sua. Punir por punir, punam-se os agentes do ajustamento brutal em decurso, não os farsantes do caminho regabofiano que o preparou. Poupe-se o partido santinho PS que o Passos nunca invectiva, nunca ataca, nunca responsabiliza. Estão, sempre estiveram, muito bem uns para os outros. ‘Bora, todos a gritar: Bonzo a Presidente! Bonzo a Presidente! Bonzo a Presidente!

Deixo claro, desde já, que no plano estritamente pessoal, simpatizo com [e respeito] a pessoa do político António Costa. Azar ser socialista e ter pontificado ao lado do camarada Pinto de Sousa.

Comments

  1. nightwishpt says:

    “O défice tem de ser cumprido. E será. A dívida terá de recuar. E recuará.”

    Pois, claro que sim, com Passos à cabeça a fazer o que nunca ninguém fez e já nem o FMI acredita, pois claro.

    • Joaquim Carlos Santos says:

      Meu caro, se não Passos, será Rio ou Seguro, ou Rio-Seguro [percebe-se que tão cedo ninguém terá uma Marioria Absoluta]. Se não for Seguro, será Costa, se não for Costa, é porque foi tarde de mais..

  2. Dr. Fonseca Galhão says:

    Acho que ficaste chateado por não haver tacho do Menezes. Azar. Bem se via que andavas a fazer pelas migalhinhas, mas, enfim, haverá mais oportunidades. Nunca falha.

  3. João says:

    Como é que se pode ler o aventar sem ter que se ler este artista.

    • Joaquim Carlos Santos says:

      Homem, estou aqui para chatear. Tu podes passar adiante e ignorar o que escrevo. Como é que não consegues?! Serei assim tão irresistível?!

  4. M. Martins says:

    Está visto que ainda não tomaste banho!

  5. Bento Norte says:

    A FRAUDE CONSENTIDA/ABSTENSÃO UMA UVA

    O direito enviesadamente consagrado de intervenção cívica e de participação política dos cidadãos não devia estar sujeito a qualquer tipo de filiação ou obediência a grupos de interesses de caserna, como no exemplarmente indecoroso expoente da promiscuidade e compadrio traduzido na exclusividade da partidocracia cá do sitio.

    Como vulgar cidadão eleitor, tenho ao longo do tempo tentado perceber por exemplo se há alguma lógica associada ao modo como é considerada e tratada a “abstenção” tanto no processo como na contabilidade eleitoral no nosso sistema político. Os diversos apelos de esclarecimento que tenho formulado tem sempre caído em saco roto. Para além de comentários em espaços on-line, já me dirigi directamente a órgãos de soberania, partidos políticos e comentadores conceituados. Os apelos ao exercício da cidadania parece não passarem de pura retórica quando nem sequer um pedido de esclarecimento passa na triagem dos poderes instalados e nas adjacências que lhes suportam os tabus , não dando admissão a objectos descartáveis a que em linguagem de corredor devem chamar índios. tal o desprezo que revelam por intrusos no circuito fechado onde se movem.

    Continuamos a misturar abstenção com insondáveis razões de ausência nas urnas? Quem tem medo de um campo (X) para esse efeito em cada boletim de voto? Esta intransmissível , pessoal e inconfundível opção merece e deve exigir a dignidade de voto validamente expresso! Já tenho lavrado o meu surdo protesto não indo votar, por me estar vedada a possibilidade de presencialmente me abster querendo. Acham bem que a dignidade de uma civilizada, consciente e ponderada escolha seja obrigada a ficar na rua em corrente avulsa e depositada no cemitério de incertos sem lápide? Porquê tal discriminação em relação aos nossos deputados, que na Assembleia da República, apesar da aviltante disciplina partidária a que se submetem, para se abster tem que marcar presença? Porque um direito pode não ser exercido, então posso ir faltando até que veja por aí alguma explicação para as dúvidas expostas. Ou será que uma abstenção assumida presencialmente ao ganhar o estatuto de voto validamente expresso iria espremer e secar a fórmula e contas que protegem a comunidade de profissionais da política e da habilidosa maquinação orquestrada pela ditadura dos partidos?


  6. Hoje, não se deve rebater as suas asneiras pois está a ressacar e a ressabiar.

    Há que ser simpático e dizer-lhe que lamento que esteja frustrado, mas alegre-se, o porto livrou-se de daqui a 4 anos ter uma dívida estratosférica (e para coisa nenhuma)

    Espero que o seu ressabiamento não seja por ter tacho prometido pelo menezes como insinua um leitor. Seria feio.


  7. Já vi que gosta do Passos (o da tecnoforma decerto).
    Chorou quando o relvas, esse grande vulto nacional, teve que sair?

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