Os resultados das eleições em Vila Nova de Gaia fazem-me voltar à temática das sondagens.
Na página 8 do pasquim que se vendeu ao Menezes, um comentador, supostamente perito em sondagens, escreve:
“dois casos da A.M. do Porto – Gaia e Matosinhos. Em ambos os resultados eleitorais foram diferentes dos estudos. Em Gaia, o PS disparou para cima e o independente para baixo (…). A rever com atenção.
Isto, depois de ter justificado, na introdução do comentário que
“Os estudos efectuados a 5, 10, 20 ou mais dias antes das eleições são indicações ou tendências.
Até aqui, batatinhas. Mas, vejamos o que foi apontado pelas últimas sondagens divulgadas pelo JN – e já nem vou a outras que por aí foram faladas:
– Em junho, no JN: PS – 32,2%, Guilherme Aguiar – 30,7%, PSD / CDS – 22,7%;
– Em setembro, no JN: Guilherme Aguiar – 29,3%, PS – 29%, PSD / CDS – 25,1%.
Esta foi a sondagem publicada a 4 dias das eleições, sr. Comentador.
Também em Setembro, na RTP (Sondagem da Católica) – PS – 32% ; Guilherme Aguiar – 26%, PSD/CDS – 21%.
Pois bem, o Eduardo Vitor Rodrigues acaba por ganhar as eleições com 38,15%. Ou seja, na última sondagem do pasquim EVR tinha menos dez pontos. A Católica aproxima-se, mas fica longe…
O falso independente do PSD foi levado ao colo no braço esquerdo pelo pasquim, que uma vez por outra também recebia no regaço o candidato oficial. Tentou, até ao limite, mostrar que a coisa estava dividida, que todos podiam lá chegar…
O PS ganha em Gaia com 38,15%, o PSD / CDS fica em segundo com 19,97% e o candidato oficioso em terceiro com 19,74%.
Isto é, o PS tem, sozinho, quase tantos votos como os outros dois juntos (diferença de 2161 votos) – era esta a proximidade prevista nas sondagens?
Não deveria a Direcção do Jornal de Notícias tirar consequências do papel que tiveram nestas eleições? Não considera a Direcção do Jornal de Notícias que a derrota em Gaia e, em especial, no Porto é também uma derrota editorial? Afinal os candidatos apoiados perderam, não?






O mesmo para Matosinhos. Não acho, contudo, que os grandes prejudicados pelas sondagens sejam os que supostamente lutam pelo poder. São antes os eleitores, que ainda acreditam no voto (in)útil.
Sim, concordo em parte. Já tinha, aliás, escrito sobre matosinhos (http://aventar.eu/2013/09/24/ai-estao-as-sondagens/). O problema tem duas dimensões: a) técnica – estão “mal” desenhadas, não respeitam as regras mais elementates; b) o tratamento dos dados tem dedo das candidaturas. Estas duas dimensões, que me atrevo a colocar no domínio da opinião são a base de tudo o resto. O PC, subscrevo, é um partido que de forma sistemática tem mais votos do que é apontado em qualquer sondagem.
JP
O Correio da Manhã também toca no assunto – http://www.correiodamanhacanada.com/sondagens-erram-e-afetam-eleicoes/