A esterqueira que passa nas televisões às 20 horas

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Há quem lhes chame notícias. Para o serem, informariam, acrescentariam pontos de vista, seriam isentas, enfim, seriam o resultado do trabalho jornalístico.

Nada disto acontece no espaço televisivo das 20 horas, em todos os canais. Não me recordo desde quando dura a repetição ad nauseum do acidente do Meco, com as mesmas imagens das vagas, a foto do rapaz que já foi julgado na praça pública e das imagens de pseudo-praxes, que na verdade não passam de bullying, já vistas e revistas por todos os que tenham tropeçado na programação televisiva nestas horas.

Estarão a dar ao povo o que este quer ver? Não sei, mas os que têm os números das audiências deverão saber. Registo que esta obsessão temática não tem equivalente quando é o futuro do país que está em causa, como na altura de se perceber como é que nos afundámos ou na discussão das supostas medidas para sairmos da crise. Não daria audiência? Pois bem, ponham um nariz vermelho no pivot e assumam de vez que não estão a transmitir um noticiário.

Comments


  1. Concordo que a notícia da tragédia do Meco está a ser repetida ad nauseum. Já não concordo com o facto de se pensar que, o que vem por arrasto – as praxes, não sejam tão importantes como as discussões sobre a crise do país, uma vez que, entre os praxantes e os praxados, se encontrarão com toda a certeza, aqueles que um dia ocuparão os lugares de decisão deste país, quer seja como governantes, quer como profissionais de elite que influenciarão pela positiva ou pela negativa as nossas vidas!
    Pois, quando os governantes insultam a nossa inteligência, nos descamisam e nos tiram a esperança de uma vida melhor, para nós e para os nossos filhos, temos o direito de pensar que esta gente já não teria qualidades humanas incluindo a de respeito pelo próximo na sua vida estudantil!

  2. Contra-informação says:

    Não podia estar mais de acordo, subscrevo tudo o que foi escrito!
    Os nossos jornalistas são, de facto, um três em um: investigam, formulam acusação e procedem à condenação (nunca absolvição), tudo na praça pública e em tempo record, mas que justiça célere e eficaz! Não sei percebo o porquê de ainda existirem polícias, MP e juízes.
    Perdoem-me o tom de ironia mas, realmente, num Estado de Direito Democrático, em que a justiça privada não é permitida (salvo algumas excepções legalmente previstas) e em que um dos princípios do processo penal é a presunção de inocência, esta atitude “jornalística” nutre em mim um sentido de revolta pela manipulação que exercem e até de receio por não saber onde isto vai parar!
    Numa sociedade de informação, temos de ser críticos e procurar a contra-informação, não dando por verdadeiro tudo aquilo que vemos
    Mais, a comunicação social utiliza e explora o sofrimento e dor profundos (como o que estão a sentir os pais daqueles jovens) até ao limite, para fazer crescer as suas audiências! Basta ver algumas reportagens que têm sido transmitidas, com músicas quase fúnebres, emotivas, imagens emocionalmente chocantes, discurso mórbido, com tom de voz pausado e trágico. É indigno e desumano… eu diria, até mesmo, macabro!
    O que é curioso, é que disso já ninguém fala, será que, ainda, poucos se aperceberam?


  3. Na semana passada ,a TVI gastou sete minutos de antena em horário “nobre” para noticiar um pequeno incêndio num cesto de papeis numa agência do BANIF em Lisboa !
    Pergunta : Se a agência do Banif , fosse em Carrazeda de Ansiâes quantos minutos teria ??

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