Os vigilantes que foram vigiar a Prova não são professores – são um monte de merda

Conheço uma professora chamada Aida. Em Junho de 2013, no dia da Greve dos Professores, foi uma das únicas 3 professoras do seu Agrupamento a comparecer à vigilância aos Exames de 12.º ano. Durante o ano que agora termina, como Directora de Turma, foi ao Director do Agrupamento fazer queixa do seu Secretário – que demorara 2 semanas a entregar-lhe uma acta e que fora ela, afinal, a fazer sempre a maior parte do trabalho. Hoje, se tiver sido convocada para vigiar a Prova de Acesso, de certeza que foi.
É mais ou menos este o retrato do que é hoje a classe docente e que ficou bem evidente com a forma como decorreu o exame para os professores contratados. Desde há muito, não mexo uma palha para defender uma classe que cada vez me merece menos respeito.
Não quero refugiar-me em lugares-comuns mais ou menos estéreis. A verdade é que alguém que aceita vigiar um colega prejudicado por uma prova não é um professor. Alguém que prefere ir vigiar uma prova quando tinha um plenário sindical que justificava cabalmente a sua falta não é um professor. Alguém que aceita vigiar um colega que muito provavelmente tem mais habilitações do que ele próprio não é professor. Alguém que aceita vigiar um colega com quem conviveu durante o ano como igual não é um professor.
Não, não é um professor. É um monte de merda.

Comments

  1. Isabel Matos says:

    Acredite que temos um país rico em montes de merda. Infelizmente.


  2. Os professores do PSD em comunicado.

    • José Peralta says:

      A propósito do post de Ricardo Ferreira Pinto, que aplaudo, dos montes de merda nele referidos, e num resumo muito limitado, temos estoutros excrementos, profissionais da pulhítica, feios, porcos e maus, todos saídos da jsd (nomes a fixar e a não esquecer…) :

      hugo soares : o do referendo contra a co-adopção !

      duarte marques : sacristão do huguinho, em tão “diligente e patriótica empresa” !

      carlos peixoto : não o monte, mas a montanha de merda que disse que “a nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha” atribuindo-lhe a culpa da “crise”! Uma erva daninha que, por o ser, não tem progenitores pois nasceu de geração expontânea, e assim, acha-se no direito de ofender, sem qualquer punição, os nossos idosos Pais.

      Gentalha que, mesmo que não abrisse boca, ( mas abre…) na Assembleia, só a sua presença, mal-cheira, desonra e mancha indelévelmente a dignidade da “casa da Democracia” e o partido a que pertence, se este, com coelhos, albuquerques, montenegros e outro lixo pulhítico, há muito não tivesse perdido a vergonha !


  3. Fiz greve na primeira volta desta prova e hoje, felizmente, já estou de férias, caso contrário teria arranjado maneira de continuar a não me envolver neste disparate. Daí que concorde com tudo o que o Ricardo escreve.
    No entanto, talvez por “defeito disciplinar” (sou professora de Português), gostaria de ter lido a mesmíssima coisa com outros termos. Não havia “nexexidade”! – lá dizia o outro. Se calhar estou a ficar velha e puritana demais… 🙂


    • Concordo, ana ! E não, não é uma questão de idade nem de puritanismo.

    • Ana Pinto says:

      Um monte de merda é um monte de merda e se existe merda na língua portuguesa, aplaudo que se use merda para qualificar uma merda que de facto é merda. 🙂
      PS. Sou das “velhas”.


  4. Podem fazer os exames que quiserem, trata-se de apenas passar tempo, entreter o pagode, nem eles serão contratados, como muitos ainda no ativo irão para a rua.

  5. orquidea says:

    Acho que Ricardo fez uma generalização abusiva. Pessoalmente não me revejo nesse lote de inergúmenos que atiram a solidariedade para debaixo do tapete.
    Em todas as profissões há uns e outros. Concordo que a classe é desunida mas isso tb é consequência da competitividade com origem no desejo de excelência ou da progressão na carreira, ou seja, na manipulação que o ME faz.


  6. Meu caro amigo. A 18 de dezembro fiz greve, ontem fui convocado para vigiar o PACC e fui suplente. Não concordo minimamente com essa prova e por isso a minha greve a 18 de dezembro. Entretanto, e nesse mesmo dia 18, a minha opinião sobre a minha forma de solidariedade em relação aos colegas que tiveram que fazer essa prova mudou. E essa mudança deveu-se a quê? Ao facto de, principalmente, ter sido testemunha dos seguintes factos.
    Primeiro: Os visados são tudo menos solidários uns com os outros e assisti a atitudes tão elevadas por parte dos mesmos como a manifestação de satisfação mal disfarçada por verem colegas directamente concorrentes desistirem da prova.
    Segundo: Os visados deviam (a 18 de dezembro) ter sido os primeiros a se recusarem a fazer a prova e não se refugiarem na atitude cobarde do medo das consequências ou da ainda mais cobarde esperança que fossem outros (neste caso os vigilantes) a inviabilizarem aquilo que não queriam fazer. Quem quer vai a luta sem medo e, como é o caso, acho que tinham muito pouco a perder.
    Terceiro: A projecção da frustração (consequência da eventual humilhação provocada por ser sujeito a uma prova ou da incerteza de ter ou não emprego) sobre os colegas mais velhos, indiscriminadamente, numa atitude de “eu sou melhor” e vocês deviam todos sair do sistema para eu entrar, fruto de uma contaminação ideológica com apoio mediático que resulta numa estéril luta de gerações e, convenhamos, acaba por ter efeitos muito perversos nas relações entre colegas de profissão.
    Quarto: Ouvi da boca de colegas sujeitos ao PACC, pessoalmente e na comunicação social, que se tinham sentido prejudicados por terem sido impedidos de realizar a prova pelas manifestações e professores em greve.
    Quinto: Eu também já fui mais jovem, já fui contratado e considero-me, ainda, um lutador e um defensor daquilo que considero o melhor para a minha classe profissional, sem distinção de categorias, contratado ou efectivo. Compreendo e respeito as reivindicações dos meus colegas sujeitos ao PACC com o qual, tal como já disse, não concordo. Por outro lado, compreendo e respeito quem se encontre numa situação de posse de vínculo com o ME e fique na dúvida sobre a legitimidade de poder faltar à vigilância de uma prova, mesmo que o senhor Mário Nogueira o venha professar para as televisões.
    Concluindo, estes pontos que lhe exponho fizeram-me e fazem-me ter uma atitude diferente no dia 22 de julho que aquele que tive no dia 18 de dezembro. Mas este não deixa de ser o meu ponto de vista e acho que cada um terá o seu. No seu caso concreto, esse julgamento generalista que faz aos professores que vigiaram as provas não passa de ofensa de muitíssimo baixo nível a profissionais que, acredite, tentam dar o seu melhor num sistema que os julga e espezinha de forma diária.
    Pessoalmente, e mesmo não tendo vigiado nada, sinto-me ofendido com as suas palavras e, apesar de ter a tentação de lhe chamar nomes muito abaixo de monte de merda, não o farei por educação e por acreditar que quando se mexe demasiado nessa substância o ambiente fede.

    • Sílvia says:

      O seus argumentos são muito interessantes Luís mas em última análise cada um de nós tem de decidir de acordo com a sua consciência. A minha consciência diz-me que não posso ser conivente com nada que se relacione com esta prova. Por isto, fiz greve em Dezembro e fui a um plenário no dia 22 de Julho. Não são as atitudes de pessoas menos formadas (mesmo que dentro da minha classe profissional) que me vão fazer mudar de opinião e esquecer o que está certo e o que é errado. Também acho as palavras do Ricardo abusivas, principalmente se o Ricardo é professor. Sendo professor, o Ricardo tem a obrigação de se expressar de outra forma. O recurso ao insulto diminui-lhe a razão. Mas consigo imaginar que o Ricardo escreve este texto motivado por uma raiva que o consome, derivada da injustiça que observa ou até a que está a ser sujeito. Relativamente ao que expôs (o ponto cinco agride-me especialmente pois não quero crer que pessoas com formação académica tão elevada usem as cartas do “medo” e do “desconhecimento da lei”), e por favor não me leva a mal colega, acho que há aí algum “peso” da consciência que nesse dia lhe disse que não estava no lado certo da questão.


      • Colega Sílvia. Não me pesa nada na consciência, pelo contrário. Em relação ao ponto com que se sente agredida, imagino que não concebe que gente instruída possa ter agido por coação do medo de eventuais consequências da sua recusa, assim como pela ausência de certezas quanto ao que podiam ou não podiam fazer. Imagino, também e por outro lado, que usará o argumento contrário para justificar a vontade de muitos candidatos a realizar a prova, que se sentiram coagidos e que tinham o futuro eventualmente hipotecado. Ora, assim sendo, não perdoa a uns mas desculpa a outros os mesmíssimos argumentos. Cara colega, como já lhe disse, eu não sou a favor dessa prova e nem será necessário expor os motivos porque deve, com certeza, saber quais são. Mas a partir do momento que uma candidata me diz na cara, com ar zangado, desapontado, triste e enganada, que foi prejudicada porque não a conseguiu realizar devido a ter havido greve de professores vigilantes, a minha colega quer que eu pense o quê? Nesse dia ponderei mesmo se tinha o direito de hipotecar o futuro dos colegas, ou de agir contra a sua própria vontade. Não me pareceu que a minha vontade de lutar fosse assim tão legítima (em relação aos visados entenda-se)! Além disso, como já aqui escrevi, se os candidatos fossem realmente solidários e unidos teriam faltado em bloco à primeira chamada e acabava-se a conversa. Não atirem é para cima de mim essa responsabilidade, de fazer ou não fazer. Como muito bem escreve, cada um age de acordo com a sua consciência e de acordo com a mesma agi. Agora problemas de consciência não tenho, tê-los-ia era se me calasse ao texto insultuoso do Ricardo Ferreira Pinto.


    • Caro Luís
      Fiz greve no dia 18 de Dezembro e tenho participado na luta dos professores. No entanto, sou do quadro e tenho quase 50 anos. Fui contratada durante alguns anos como a maior parte dos professores e não acho bem que muitos dos contratados atuais ajam como se fosse minha obrigação abandonar o meu lugar no quadro para que eles possam entrar. Depois de ver muitos colegas do quadro irem aos plenários para não vigiarem a prova, pergunto-me porque motivo os colegas mais novos e com 5 anos de contrato a fizeram. Encarregaram pessoas mais velhas e com mais dificuldades em mudar de carreira da luta pelos seus direitos e ainda disseram sai daí que eu quero esse lugar. Isto tudo, para dizer que percebo perfeitamente a sua posição, Luís.

    • teresa nunes says:

      eu sou daquelas a quem só falta roubarem a dignidade e isso eu não vou deixar, nem que me torne sem abrigo…. que ainda não sou pq vivo de favor na casa do meu irmão.


  7. os profes agora é que estão bem, nem se juntam aos milhares em manifestações todos os fins de semanas! tem o que merecem, são dos que muito contribuíram para estes últimos três anos de miséria. sei de muita gente que por ter familiares profes, conhecer profes foram na onda e votaram nestes trastes.
    Que se f*dam!

  8. Joaquim Amado Lopes says:

    Para quem usa os termos que se podem ler no artigo, o Ricardo Ferreira Pinto demonstra um poder de encaixe patético. Mais um motivo para merecer o epíteto que usa para se referir a quem exerce o direito de tomar decisões com que o Ricardo não concorda.


  9. Olá colegas, a PACC correu bem? A minha também, escrevi VERGONHA e HUMILHAÇÃO. Espero ter boa nota! Boa sorte a todos!

  10. orquidea says:

    Para quem critica os professores, o meu diagnóstico é: traumatizado de infãncia ou na adolescência,ou invejoso ou gosta de notariedade, de chamar para si a atençaõ já que não sabe fazer mais nada, Têm em comum a falta de educação e a total ignorância do que é um professor.

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