Carta muito aberta à srª ministra da Justiça e militante do PPD agora PSD

ppd velharias

Isto quem nasce para o que é, não tem remédio, já dizia um tal de Calvino e a vida demonstra como é verdade. Por isso, srª ministra, estou consigo, pedófilos é base de dados pública com eles, enquanto não se pode meter um ferro em brasa na testa com um P bem visível, que aquilo não é gente, é gado.

Esta coisa do P de pedófilos avivou-me a memória, como o tempo muda e tanta novidade se alcança. Veja lá, srª ministra, que a palavra se existia no meu tempo não era usada. Mas agora acorda-me outras recordações.

Ao final da tarde, à saída das aulas, era limpinho, lá estava na sua  carrinha o Amadeu Paneleiro estacionado à porta do Liceu, ostentando a sua obesidade, como agora se diz, que naquele tempo era só gordo.

No circuito do currículo oculto, esta também só aprendi mais tarde, depressa e entre colegas nós os mais putos ficámos sabedores do negócio, tempo dos primeiros cigarros comprados avulso e estranheza por um dia aparecer um colega dos mais tesos com um maço cheio:

– Ó pá, ontem fui com o Amadeu Paneleiro, fez-me um broche, ca nojo, mas deu-me vinte paus -.  E vinte paus era uma nota, dava para uma série de canitos enchaminarem durante uns tempos, mais umas bolas de berlim e/ou pastéis de carne no intervalo grande, um festim, um fartote.

Veio a revolução, que isto era no tempo da outra senhora quando não havia crimes como agora, tudo metido na ordem, o Salazar é que faz falta.

O Amadeu Paneleiro continuava por ali à mesma hora, tenho ideia de que um dia lhe deram uma coça, mania das reivindicações, alguém exigiu aumento do retribuição pelo serviço sexual que a bem dizer o homem prestava, foi isto que afundou o crescimento económico do ora antigo estado novo, mas voltei a encontrá-lo na política, vejam lá.

Era o Amadeu Paneleiro um empreendedor, outra evolução linguística, dizia-se patrão na construção civil, empreiteiro abonado, e também fez a sua opção política (ou se calhar estética, depois de avaliar o desfile das juventudes partidárias), vejam lá, optou pelo partido da srª. ministra, o PPD  que também mudou de nome.

Chegou a primeira campanha presidencial, com o Eanes estavam quatro partidos mas só apareceram dois na rua, nem todas as hortas dão bons tomates, o MRPP onde me preparava para a revolução a sério e aprendia como dói o estalinismo, e o PPD, ou melhor, a malta da JSD e já adultos, e entre eles quem fornecia e conduzia a carrinha que nos levava a colar cartazes? o Amadeu Paneleiro, pois claro. Deu isto origem a umas piadas que ainda hoje recordamos, dada a insistência do homem em nos levar a casa, e a trabalheira que me deu arranjar outra boleia, na noite em que as G3 otelistas estiveram quase quase a varrer uma brigada de colagem.

Nunca me tinha passado pela cabeça escrever a história do Amadeu Paneleiro, entretanto falecido depois de total falência empresarial, mas a srª ministra despertou o meu dedo indicador e não sou homem para disfarçar acusações com marlenes, parques aí de Lisboa e outros pseudónimos; por princípio não o faria, deixou família, alguma, como é óbvio numa aldeia, da minha amizade, e a bem dizer antes de os paneleiros que esperavam putos à porta dos liceus se chamarem pedófilos dávamos pouca importância a estas coisas, o que estava mal, esta a única parte em que estamos de acordo.

Passaram a pedófilos, todos se lembram, quando na Casa Pia que desde o tempo do seu fundador, e cá para mim de Pina Manique veio a palavra pinocada, forneceu meninos e meninas à nata da nossa melhor sociedade, estalou um escândalo, que serviu para derrubar o líder de um partido da oposição e bem tentaram com mais, um processo que nos ensinou como é fácil manipular estas histórias para o bem estar partidário.

Faz portanto muito bem a srª ministra em condenar a castigo perpétuo quem cumpriu pena pelo que crime prometido, coisa que se calhar é inconstitucional mas é pena, e vamos acreditar, haja fé, que bem provado. Ainda agora nos EUA se descobriu que dois deficientes mentais passaram 30 anos na pildra por uma violação que não cometeram, mas são pretos, e erros judiciais até estes países tão avançados cometem.

E apenas me limitei a seguir o seu exemplo, a meter o ferro em brasa num dos P com que o seu partido nasceu, aqui em Coimbra é o do Amadeu Paneleiro, que muito veículo, esforço pessoal e dinheirinho lá deixou, sem que alguém tenha achado que a carteira de onde vinha era a mesma  do pedófilo, como agora se diz, e olhe que da minha aldeia saiu um Mota Pinto, uns Barbosas de Melo e uns Encarnações que sua descendência por aí deixaram, alguns sem outra razão plausível que não seja genealógica.

Em compensação agora já não se diz fascista, e a bem dizer, não nos faz falta.

A fotografia é minha, Feira das Velharias, Coimbra 2013.

Comments

  1. Nightwish says:

    Bem, nesse caso também não era de pedofilia, mas de abuso sexual de menores, uma vez que a primeira é apenas relativa a pré-pubescentes.
    Mas é um detalhe. Achei piada fazerem referência ao exemplo americano, uma vez que a quantidade de pedófilos nas listas de indivíduos sexualmente ofensivos é muito, mas muito menor do que pensam, com consequências gravíssimas para muita gente.


    • Não li este código penal, mas o dos anos 80, e sobre isso, hoje, se calhar era é de repensar o que é consentido ou abuso, andando por lá idades que não têm nada a ver com a realidade presente.
      Suponho que dois adolescentes na cama, um/uma com 14 e outro/a com 17 continua a ser crime, e isso ultrapassa em muito esta idiotice da betinha.

  2. Esbulhador says:

    É uma espécie de justiça privada, uma regressão de milhares de anos na nossa civilização, até ao tempo dos romanos, em que havíamos evoluído para a resolução de conflitos por uma figura estatal, e o Estado assumia o seu terceiro poder, o judicial. Mas reparem que também uma privatização, que está na moda: Na prática, a ministra está a privatizar a Justiça para pedófilos. Ao divulgar a lista, está a passar para os privados a tarefa de resolverem o problema por sua próprias mãos.

    Só não percebo bem qual o modelo de negócio em que a privatização da justiça para pedófilos vai assentar. Isto é, quando aparecer o primeiro pedófilo pendurado pelo pescoço, os justiceiros vão apresentar a factura à família do próprio pedófilo, ou à Ministra Paula Teixeira da Cruz?

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