Paz, pão e facadas no Negrão

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Fotografia: Miguel Baltazar@Record

O ambiente está pesado, para os lados da São Caeteno à Lapa. Das vaias a Elina Fraga aos tiros de metralhadora de Luís Montenegro, passando pelo indignados Hugo Soares, que acusou a actual direcção do partido de “desrespeito institucional grave”, após ter sido excluído da Comissão Política Nacional do PSD, e Paula Teixeira da Cruz, que acusou Rui Rio de traição pela escolha da antiga bastonária para vice-presidente do partido, o PSD é hoje um gigantesco saco de gatos, trancado numa casa a arder.

Ontem assistimos a um novo episódio, que contado parece ficção. Só que não. Fernando Negrão foi a votos, para ocupar o lugar de líder parlamentar do PSD, mas apesar de não ter oposição, conseguiu perder o plebiscito, não indo além dos 39%, o que equivale a dizer que, dos 88 deputados que participaram na votação, apenas 35 deram o seu aval ao candidato único à vaga deixada aberta por Hugo Soares, corrido por Rui Rio dias antes. [Read more…]

Elina Fraga, a faca longa de Rui Rio

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Fotografia: Miguel Manso@Público

Para surpresa de muitos portugueses, onde me incluo, Rui Rio convidou Elina Fraga para sua vice-presidente. Importa recordar que a anterior bastonária da Ordem dos Advogados teceu duras críticas ao governo de Passos Coelho, em particular à ministra Paula Teixeira da Cruz. Sob sua direcção, a Ordem dos Advogados apresentou mesmo uma queixa-crime contra membros do executivo passista, por causa das alterações no mapa judiciário.

Para a antiga ministra da Justiça de Pedro Passos Coelho, a escolha de Elina Fraga representa uma traição de Rui Rio. E Paula Teixeira da Cruz não parece ser a única incomodada, pelo menos a julgar pela reacção dos congressistas do PSD no momento do anúncio. Foi uma facada profunda que deixou os restos do passismo ligados às máquinas. E não é para menos. Rui Rio não terá vida fácil nos corredores da São Caetano mas também não parece muito preocupado com isso. Antes pelo contrário.

A conspiração de Paula Teixeira da Cruz

A falta de “verdade democrática”, seja lá o que a senhora quis dizer com isso, deve ser combatida. Afinal de contas, se falta verdade, é porque alguém nos anda a mentir. Mas não é com sugestões de conluio entre Ricardo Salgado e Mariana Mortágua que a coisa lá vai. Tal como não vai lá com manipulação de dados sobre a pedofilia ou com a utilização de funcionários públicos para fins eleitorais. Mas é sempre interessante ver Paula Teixeira da Cruz dar estas belas lições de disparate e parvoíce no hemiciclo. Poucas intervenções são tão representativas do estado a que chegou o PSD.

Bafiento, bafiento, bafiento. Bafiento dos tempos da União Nacional

PTC

Paula Teixeira de Cruz foi a escolha do PSD para discursar, em nome do partido, na cerimónia comemorativa do 25 de Abril. Num tom crispado e rancoroso, a ex-ministra da Justiça afirmou que

Quando as discordâncias em matéria financeira levam a acusações de que os partidos da oposição se bandearam com as instituições europeias e que são os novos traidores à pátria, o odor a salazarismo mais bafiento e o ridículo mais agudo abatem-se sobre quem faz tais afirmações, que são uma negação de uma democracia convivial, tolerante e inclusiva.

E se poderá existir algum exagero na expressão “traidores à pátria”, a verdade é que a acção do anterior governo, que Teixeira da Cruz integrou, foi de uma subserviência absoluta aos ditames de Bruxelas, procurando inclusivamente ser mais papista que o Papa, algo que fica claro na premissa-lema do executivo PSD/CDS-PP: ir além da Troika. [Read more…]

Depois de Paula Teixeira da Cruz, Pires de Lima

Isto ainda é pior do que se pensava. Depois de Paula Teixeira da  Cruz ter usado o estado a favor a favor do seu partido, ficámos a saber que não é caso único.

Desta vez foi o ministério da economia a ser usado para avaliar o programa do PS.

Isto vai parar onde? Depois de tanto discurso moralista e acusador de gastos no passado, eis que vemos que era conversa de hipócrita (como se já não soubéssemos).

Vá, moralistas de 2009, não se coíbam de falar. Deputado Carlos Abreu Amorim, estes ainda são os ministros que conhecia?

Paula Teixeira da Cruz: não é erro o que foi propositado mas é profundamente errado

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Lembram-se da campanha eleitoral para as europeias de 2009 quando Elisa Ferreira, de visita ao  bairro do Viso, no Porto, afirmou que «pintaram os bairros sociais mas esqueceram-se de dizer que o dinheiro é do Estado, é do PS»? Eu recordo-me perfeitamente e também me lembro muito bem de quanto o PSD e o CDS cavalgaram esta afirmação durante a campanha.

Esta declaração, quando comparada com o caso de Paula Teixeira da Cruz,  que documenta preto no branco o uso do estado pelo PSD, sendo grave, torna-se uma coisa menor, face a quanto é errado mandar directores gerais estudarem o programa eleitoral de outro partido. [Read more…]

Para a próxima mete os quadros do ministério a fazer chamadas

Mais uma da inenarrável ministra da justiça.

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Ministra da Justiça usa dirigentes públicos para fins eleitorais
Os directores-gerais receberam um e-mail a pedir, com “urgência”, que identificassem as medidas do programa eleitoral do PS que já foram realizadas por este Governo ou que estão em vias de o ser. A ordem está a gerar incómodo. [DN]

O email é chato. Tem a mania de persistir.

Eis a verdadeira razão para a existência das nomeações políticas. Nestes anos de profundas transformações, já alguém ouviu falar em mudanças neste domínio? Pois. E antes que me venham falar da CRESAP, deixem-me rir.

À atenção da ministra da justiça

Criança de 12 anos violada pelo padrasto [P]

Este artigo é a prova acabada da inutilidade da lista de pedófilos. O violador é da relação próxima da criança. Quando a primeira violação terá ocorrido tinha a menina 6 anos.

Não se trata de nenhum desconhecido que ande a agarrar crianças na rua. Não, era o padrasto, que vivia na mesma casa e, ao que se suspeita, houve conivência por parte da mãe.

As consequências onde leis semelhantes estão em vigor são conhecidas. A ministra está profundamente errada e é inaceitável que lhe seja permitido, só para ter razão,  avançar com a sua obstinação.

ADENDA: Criança de 13 anos está grávida de oito meses do próprio pai

Gente perigosa

Bijan Ebrahimi, um inglês de origem iraniana, de 44 anos, com uma invalidez física que o impedia de trabalhar, dedicava boa parte do seu tempo à jardinagem. As suas floreiras estavam constantemente a ser vandalizadas e Ebrahimi queixou-se várias vezes à polícia, sem resultado. Decidiu então tirar fotografias aos miúdos que o faziam, tantas quantas lhes pareceram necessárias para poder apresentar a sua queixa. Mas alguém o viu e avisou as autoridades de que havia um homem, um inválido que passava o tempo todo em casa e no jardim, a tirar fotografias às crianças do bairro. A polícia levou-o para ser interrogado. À saída, alguns dos moradores do bairro gritaram-lhe “Paedo, paedo”, abreviatura de pedófilo. Na esquadra, depois de vistas as fotos e de um longo interrogatório, Ebrahimi ficou livre de suspeitas e foi mandado para casa. Mas por essa altura já circulavam os rumores de que um abusador de crianças tinha sido apanhado pelo polícia. E os moradores não gostaram de vê-lo solto ao final do dia. [Read more…]

A ministra da paranóia

Um psicopata é um alguém que tem a desordem de não sentir empatia por aquele a quem provoca sofrimento. A ele nada lhe custa, por exemplo,  matar e terá, sempre, a consciência tranquila.

Por isso, a ministra da justiça dizer que tem a consciência tranquila quanto à sua proposta de lei sobre a lista de pedófilos tem valor nulo como argumento. Não estou a afirmar que a ministra é uma psicopata mas sim que pode dar-se o caso de ter a consciência completamente errada.

E, no entanto, é o argumento que ela apresenta depois de a Comissão Nacional de Proteção de  Dados arrasar a sua proposta. Afirma também que o faz por teimosia – é o que se conclui quando se diz “está no programa eleitoral” em vez de apresentar argumentos. Aliás, estes foram já desmontados há muito, tendo a ministra acabado com roda de mentirosa por parte do Expresso e desmentida em directo no Parlamento.  Acresce que, diz quem sabe, as crianças não são violadas por estranhos mas por alguém da sua confiança. Alguém que nunca estará nessa lista de pedófilos, pois estando já foi condenado e não será da confiança da criança – é o que se supõe que qualquer família faça e não será preciso uma lista para esta saber da desgraça que lhes aconteceu.

Sobra a teimosia e o poder, novamente sem controlo, que um ministro tem, em conjunto com o seu grupo parlamentar e com o seu partido, para fazer o que lhe dá na telha.

A oposição diz que vai votar contra. Mas vai revogar a aberração quando tiver esse poder?

Paula Teixeira da Cruz, a inacreditável ministra da justiça

Já foi chamada de mentirosa pelo Expresso. Insiste em falar de uns 80% de reincidência dos pedófilos, justificando-se com um estudo em que o respectivo autor já esclareceu publicamente que esse número não consta no seu trabalho.

É de lhe lembrar a recente campanha para sensibilizar os pais sobre as crianças serem vítimas de alguém da sua confiança. E não, portanto, de um estranho que possa viver na área da escola da criança, ao ponto dar a possibilidade dos pais irem à polícia exercer o seu direito à paranóia. Não, devem preocupar-se é com o círculo de relações da própria criança, onde se inclui a família e, espante-se, os próprios pais.

Depois da roda de mentirosa, era de esperar que a ministra caísse em si e saísse de mansinho. Qualquer pessoa sensata o faria. Excepto esta ministra justiceira.

“Isto foi dito e não foi desmentido”, declarou a ministra no Parlamento sobre o conteúdo do artigo de jornal. Para, logo de seguida, ser ela própria desmentida pelo deputado socialista Pita Ameixa: “Foi desmentido”.

“Está bem. Mas foi dito”, respondeu-lhe Paula Teixeira da Cruz [P]

Muito bem senhora ministra, ter-se-á ouvido das bancadas por parte do não menos inacreditável Carlos Abreu Amorim.

Este título não é exacto

Ministra da Justiça ilibada de difamação no colapso do Citius

Mas o Ministério Público arquivou também este caso, como já tinha feito com o da sabotagem informática.

O anúncio do arquivamento do inquérito foi feito pela ministra na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias onde a governante está a ser ouvida esta quarta-feira. Paula Teixeira da Cruz leu extractos do despacho de arquivamento, segundo o qual a ministra “não particularizou, no seu despacho, indivíduos ou sujeitos, nem formulou juízos de valor”. Pelo contrário, “perseguiu o exigível esclarecimento dos factos e actuou com consciência”. A ministra aproveitou também para se queixar das notícias sobre os problemas que que afectaram o Citius por considerar que estas atingiram o seu bom nome.  [P]

Corrijam-me se estou errado mas arquivar é diferente de ilibar. Para ser exacto, o título da notícia poderia ser “Ministério Público arquivou queixa de difamação contra a Ministra da Justiça”.

Só uma dúvida, como é que é mesmo a hierarquia do Ministério Público?

A mentira deliberada de Paula Teixeira da Cruz

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Foto@José Sena Goulão/LUSA

Depois do sucesso mediático que foi a palhaçada do caso Citius, Paula Teixeira da Cruz está de volta com novo episódio de incompetência, fraude e desculpas esfarrapadas. Desta vez, o jornal Expresso revela que a ministra foi apanhada a manipular dados sobre a pedofilia para justificar a criação da polémica lista de abusadores. Teixeira da Cruz alegou que a taxa de reincidência entre pedófilos rondava os 80%. Contudo, os números dos serviços prisionais apontam para uma taxa bastante menor, na ordem dos 18%. Não restam dúvidas: a ministra mentiu. Deliberadamente.

A mentira deliberada é uma marca registada deste governo. Passos mentiu para ser eleito, Portas mentiu para reforçar o seu poder, Paula Teixeira da Cruz mentiu para forçar a criação de uma lista que, mais do que os hipotéticos efeitos práticos, serviu para desviar atenções e manipular os sentimentos exacerbados que caracterizam a discussão em torno deste problema. Reformulando a célebre frase de Pedro Passos Coelho, como é possível manter um governo em que vários ministros, incluindo ele próprio, mentem?

Paula, a justiçosa ( ou que se lixe o Estado de Direito)

Por iniciativa da voluntariosa (há quem prefira “louca”, mas a minha esmerada educação contém-me) ministra da justiça, foi aprovada pela maioria de Assembleia da República a mais perigosa, irresponsável e insana lei que que tenho memória das produzidas por aquele órgão de soberania ( e não me refiro só aos 40 anos de democracia). Trata-se da lei que lista os condenados por abusos sexuais sobre menores, lista que passa a ser disponibilizada, desde já a pais interessados e, na prática, dadas as habituais fugas de segredo de justiça, a todo o público num qualquer pasquim matinal. Sempre ouvi muitas vozes alertando para os perigos do poder político cair na rua. Mas, pelo que se vê, não há problema em que isso aconteça ao poder judicial. Não é preciso puxar muito pela imaginação para adivinhar os tremendos riscos que, a vários níveis, esta lei – que é também um precedente -, pela sua natureza, comporta. Por isso me dispenso de ir mais longe em argumentos, já que tudo isto me parece evidente. Registe-se, porém, o nível de iliteracia jurídica, de simples formação cívica ou mesmo de qualquer sentido ético de que padece uma boa parte dos deputados. Não houve uma voz, dentro da maioria, que gritasse o perigo e a indignidade daquela legislação, que protestasse e virasse as costas a mais este aviltamento do que devia ser a casa da Democracia. E se, como me pareceu já vislumbra-se numa intervenção do 1º ministro, esta barbaridade visa ganhos eleitorais, sobretudo junto aos nossos justiceiros de bairro e a quem ainda não percebeu a centralidade da Lei numa Democracia, então estamos no domínio da mais reles canalhice política, da pura pornografia eleitoralista. Tivéssemos nós um presidente da República e teríamos a certeza de que tal lei seria vetada e, eventualmente, enfiada pelas goelas dos seus autores. Mas o que temos é um decrépito alucinado que vê sorrisos em vacas mas não vê o Estado de Direito desmoronar-se à sua volta.

Vai uma passa, Paula?

paula teixwira da cruz
Paula Teixeira da Cruz, também conhecida – ai de nós…- por ministra da justiça, deu entrevista. Para lá do desinteressante desfiar de banalidades ácidas, resolveu dar uma de modernaça, a ver se consegue polir a baça imagem que dela nos vai ficando. Assim e para surpresa geral, decidiu proclamar a necessidade de liberalizar (depois tentou corrigir o verbo para “despenalizar”, mas era tarde; já lhe tinha fugido o pé para a chinela) as drogas ditas leves. Não nego a pertinência da questão e o interesse em a discutir. Mas não se tratou de nada disso, como se torna evidente pelos termos simplórios e boçais com que a ministra a abordou. Para ela, o argumento é o da despenalização da droga e sua venda permitir acabar com o crime em si e toda a criminalidade associada. Não deixa de ser um argumento com algum mérito – já o conhecemos há décadas -, mas atirado assim, a sêco, sem articulação com a teia de complexidade que, a muitos níveis, o problema convoca, não passa de uma miserável manifestação de oportunismo político e a prova de que não temos um governo – ouvido sobre o assunto, o Passos meteu os pés pelas mãos, obviamente tolhido pela surpresa – mas um conjunto de maganos que asneiram cada um para seu lado, sem princípios, sem tino, sem decência, tratando da sua própria chafarica e preparando o futuro que se afigura incerto. Nem que seja promovendo umas passas que possam atenuar a dor que não passa.

Paula Teixeira da Cruz em reflexão depois do caso submarinos

“Não me pronuncio sobre Sócrates, mas temo pela separação de poderes se o PS ganhar as eleições.”

Uma ministra em causa própria

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A ministra da justiça inventou uma lei onde os autarcas não podem exercer advocacia, por suposta incompatibilidade, mas que permite aos deputados, que aprovam leis depois de as encomendar aos grandes escritórios de advogados, exercer essa mesma advocacia. Num grande escritório de advogados, claro.

Eis a ministra do “a impunidade acabou” em todo o seu esplendor. Mas tenho que lhe reconhecer a exactidão. Com efeito, legalizado-se a incompatibilidade, nada há a punir. Voilà.

Quanto vale uma cabeça?

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Mandaram os serviços da ministra da justiça que se soubesse que havia suspeita de sabotagem no arranque do novo CITIUS, que a PGR está a investigar e que há dois bodes expiatórios, perdão, visados no relatório sobre o caos no Instituto de Gestão Financeira e dos Equipamentos da Justiça (IGFEJ), relatório esse feito pelo próprio IGFEJ, embora não tendo vindo a público quem o assinou, nem quem investigou. Pormaiores para que se possa aferir a isenção do dedo acusador.

Sem conhecer os meandros deste caso, afirmo, com grande confiança, face ao que é padrão na industria de software, que estamos perante uma encenação para salvar a cabeça da ministra e, consequentemente, lavar a cara do governo. Passo a explicar. [Read more…]

A ministra que disfarça

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Não é a primeira vez, eu cá até já conto quatro, que a “alegada ministra da justiça” recorre ao tema da pedofilia quando precisa de desviar atenções. Aí está novamente em acção. A seguir virá a lista de homicidas, que eu cá tenho direito a viver ao lado de gente santinha.

A incompetência que ministra este governo

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Houve uma altura em que pensei que este governo fosse maquiavélico ao ponto de nos querer lixar, fazendo-o com uma estratégia de aparente incompetência. Hoje tenho a certeza que nos quer lixar mas que, simultaneamente, é incompetente. Vejamos apenas três exemplos. [Read more…]

CITIUS – Lentius Parvius Debilius

A realidade é cruel, chega mesmo a ser sádica. CITIUS é o nome que designa o portal da Justiça em Portugal e tem-se tornado célebre pelas piores razões, que o mesmo é dizer pelas razões do costume: a incompetência de um governo incapaz de organizar um jantar de grupo que seja.

Curiosamente, ó coincidência cruel!, a mesma palavra faz parte do lema olímpico “Citius, Altius, Fortius”, ou seja, ‘Mais rápido, Mais Alto, Mais Forte’. Ora, é muito feio fazer publicidade enganosa, pelo que faria sentido alterar o nome do portal para “Lentius” ‘Mais lento’. Pensando melhor, talvez “Quietus” fosse mais rigoroso, como poderá perceber qualquer leitor, mesmo pouco versado em latim.

Paula Teixeira da Cruz, alegadamente ministra da Justiça, manifestou, recentemente, o orgulho por ter realizado a maior reforma dos últimos duzentos anos, o que é o mesmo que obrigar um idoso a subir uma grande escadaria de quatro em quatro degraus.

A dita reforma comemora hoje um mês, tal como o ano lectivo que, tal como há um ano, não pára de começar, com consequências negativas para os mexilhões, como é costume: entre novos e velhos, ninguém escapa.

A seguir, ficam algumas ligações que ilustram as virtudes da maior reforma dos últimos duzentos anos. Divirtam-se, se puderem. [Read more…]

Paula Teixeira da Cruz não percebe as reformas que ela mesmo impôs

 Aliás, a ministra recordou que “já existia justiça antes do Citius e vai continuar a existir”. [P]

Este tipo de afirmação demonstra que a ministra não percebe as transformações que ocorreram na sociedade nem aquelas que ela mesma impôs à justiça. O problema da actual reforma não se limita à ausência de planeamento que conduziu ao caos informático e à inacreditável inexistente migração de processos para a nova ferramenta. É a própria reforma, com os seus tribunais especializados, que está em causa. É o que tenho ouvido por parte dos profissionais do sector e os exemplos de perca de eficiência, e de eficácia também, são vastos.

Mas veja-se o que já diziam os profissionais da justiça, em Abril deste ano, antes, portanto, do actual caos. A Gazeta das Caldas enviou um inquérito a 49 advogados da ainda comarca das Caldas da Rainha, tendo recebido oito respostas, que reproduzem. A condenação da reforma da Justiça não é unânime, mas a maioria está contra e não tem dúvidas de que os custos vão ser maiores para quem a partir de agora recorrer aos tribunais. Referem também a absoluta necessidade da ferramenta informática para assegurar o acesso aos processos.

A ministra da justiça é mais uma incompetente com capacidade de decisão. Um perigo para os portugueses, portanto.

Hino Nacional de Portugal*


* versão já subscrita por vários ministros.

Eu assumo, tu assumes

Uma das mais caricatas patologias políticas de que sofrem os nossos governantes é a “assumoaresponsabilidadite”, consistindo esta maleita no pundonoroso hábito de os ministros assumirem, com empáfia, responsabilidade sobre coisas que toda a gente sabe serem efectivamente da sua – deles – responsabilidade. Normalmente isso só acontece quando tal é tão evidente que, calculando vantagens e prejuízos, é melhor botar figura de franqueza. Ou quando o mandante que lhes dá corda – no caso, geralmente, o 1º ministro.

Hoje assistimos a duas dessas cenas. A ministra da justiça assumiu uma responsabilidade que todos sabemos ser sua; até pediu desculpa em tom de quem ralha aos destinatários. O Crato, na Assembleia da Republica, ensaiou coisa parecida naquele seu jeito atarantado de quem parece ter alguma coisa para dizer mas não sabe como. Há, até, assunções de responsabilidade que podem valer, como prémio, belos tachos – a presidência de uma grande empresa de construções, por exemplo. Termino dentro deste espírito, anunciando que assumo a responsabilidade pelas palavras que acabo de escrever.

O transtorno

Já assistimos há anos ao transtorno da justiça funcionar mal. Agora, simplesmente, acresce o transtorno de não funcionar, de todo, há quase um mês.

Carta muito aberta à srª ministra da Justiça e militante do PPD agora PSD

ppd velharias

Isto quem nasce para o que é, não tem remédio, já dizia um tal de Calvino e a vida demonstra como é verdade. Por isso, srª ministra, estou consigo, pedófilos é base de dados pública com eles, enquanto não se pode meter um ferro em brasa na testa com um P bem visível, que aquilo não é gente, é gado.

Esta coisa do P de pedófilos avivou-me a memória, como o tempo muda e tanta novidade se alcança. Veja lá, srª ministra, que a palavra se existia no meu tempo não era usada. Mas agora acorda-me outras recordações.

Ao final da tarde, à saída das aulas, era limpinho, lá estava na sua  carrinha o Amadeu Paneleiro estacionado à porta do Liceu, ostentando a sua obesidade, como agora se diz, que naquele tempo era só gordo.

No circuito do currículo oculto, esta também só aprendi mais tarde, depressa e entre colegas nós os mais putos ficámos sabedores do negócio, tempo dos primeiros cigarros comprados avulso e estranheza por um dia aparecer um colega dos mais tesos com um maço cheio: [Read more…]

Sobre a cegueira: a ministra e a Justiça

justica1Estamos quase a comemorar as primeiras vinte e quatro horas do novo mapa judiciário. Trata-se de um conjunto de medidas coerente, se tivermos em conta o que tem sido feito na Educação e na Saúde: baixar os custos, recorrendo, sobretudo, à concentração de serviços.

A palavra “custos”, num mundo tão impregnado de economês, refere-se, apenas, ao dinheiro que se gasta e nunca às consequências que as decisões políticas podem ter na vida das pessoas, mesmo que o discurso oficial inclua expressões que transmitem a ilusão de que se está a servir as populações. Ora, não se pode planear um país sem se ter em conta todos os custos, sabendo-se, por exemplo, que poupar dinheiro pode originar problemas estruturais amanhã.

Não sendo um conhecedor dos meandros do mundo judiciário português, é com desconfiança que assisto àquilo a que a ministra da tutela chama uma “revolução”, a fazer lembrar a “implosão” prometida por Nuno Crato.

Ainda antes que o mapa judiciário complete as suas vinte e quatro horas de vida, já sabemos que houve uma falha no sistema informático, que não se conhece o destino dos tribunais encerrados (a escola mortuária poderá servir de inspiração), que ir a um tribunal pode demorar quatro horas (e a distância é dinheiro), que há funcionários que viram a vida virada do avesso e que há uma série de obras feitas por ajuste directo.

Noutros tempos, os mapas resultavam da descoberta de novas terras. Com o novo mapa judiciário, parece passar-se o inverso: as terras já conhecidas são apagadas. A cegueira é, agora, para além de uma virtude da Justiça, um defeito da ministra. Já não deve faltar muito para que a realidade seja mais disparatada que um disparate qualquer.

BE Vai à Paula

O Anarca Senil sugere umas coisas desbocadas e o pessoal espontâneo ao milímetro do BE lembra-se «Ah e tal é pra vaiar.»

Uma esmolinha para o magistrado, faxavor!

Paula Teixeira da Cruz terá afirmado que não se deve retirar aos magistrados o direito a andar gratuitamente de transportes públicos, porque isso obrigaria o Estado a pagar ajudas de custo para as deslocações de serviço.

Arrisco-me a ser confundido com o portuguesinho que critiquei há pouco tempo, mas seria interessante investigar quantos e quais são os trabalhadores que pagam, do seu bolso, o transporte que os leva ao local de trabalho. [Read more…]

Foi hoje de manhã, no programa «Querida Júlia»

Marinho e Pinto pede demissão da Ministra da Justiça