Contentores

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Você é ministro da saúde, fez uma reorganização de serviços, fechou Centros de Saúde e Hospitais e agora descobre que os sítios para onde os deslocou não têm condições? Não há problema. Permita-me que sugira uns contentores. Você é ministra da justiça, reorganizou o mapa judicial, fechou tribunais, deslocou pessoal, fez, numa palavra, uma daquelas “reformas estruturais” e agora não há edifícios para alojar os resultados da sua ousadia reformista? Não há problema. Sugiro uns contentores.

Você é ministro da educação, fechou escolas, reorganizou, empandeirou serviços e agora não tem onde meter alunos, professores, funcionários, recursos? Não há problema. Nada como uns contentores. Você é ministro dos assuntos sociais e não tem estruturas de apoio para disfarçar a miséria que você e os seus colegas andam a espalhar? Não há problema. Sugiro uns contentores.

Você é cidadão, o seu governo esfarrapou-lhe a vida, sente-se roubado, agredido, traído e tem vontade de se atirar a tal governo mas não sabe o que fazer aos patifes que o compõem? Não há problema. Permita-me que sugira uns contentores…

Comments


  1. ERRATA:
    No parágrafo abaixo, onde se lê “contentores”, dever-se-á ler “celas”. (ou será “jaulas”‘?!)

    «Você é cidadão, o seu governo esfarrapou-lhe a vida, sente-se roubado, agredido, traído e tem vontade de se atirar a tal governo mas não sabe o que fazer aos patifes que o compõem? Não há problema. Permita-me que sugira uns contentores…»


    • Joao says:

      Texto sublime.
      Faltou somente a referência à música dos Xutos, que o António Almeida fez em comentário. Adivinhem de que tema (muito querido ao Governo) fala a música…

      A carga pronta metida nos contentores
      Adeus aos meus amores que me vou
      P’ra outro mundo
      É uma escolha que se faz
      O passado foi lá atrás

      Num voo nocturno num cargueiro espacial
      Não voa nada mal isto onde vou
      P’lo espaço fundo

      Mudaram todas as cores
      Rugem baixinho os motores
      E numa força invencível
      Deixo a cidade natal
      Não voa nada mal
      Não voa nada mal

      Pela certeza dum bocado de treva
      De novo Adão e Eva a renascer
      No outro mundo
      Voltar a zero num planeta distante
      Memória de elefante talvez
      O outro mundo

      É a escolha que se faz
      O passado foi lá atrás
      E nasce de novo o dia
      Nesta nave de Noé
      Um pouco de fé

  2. José Peralta says:

    Sim ! Sinto-me roubado, agredido, traído, e sei o que faria (se pudesse…) aos degenerados que compõem um desgoverno que não é “meu”, porque não contribuí para a perversidade que é a sua existência : Dois ou três (ou mais !) contentores daqueles das demolições, e imediato despejo na mais pútrida e infecta estrumeira…

  3. coelhopereira says:

    …E sugeriu muito bem. Mas permita-me juntar à sua sugestão duas outras: umas quantas granadas defensivas atiradas para dentro dos referidos contentores e o posterior afundamento dos mesmos, numa viagem abissal, na Fossa das Marianas. Só para confirmar…

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