À escolha do freguês

Acompanhar a abertura de cada um dos anos letivos deste governo é quase tão interessante como seguir a casa dos segredos ou as conferências de imprensa do Flopetegui. E, não fosse o pequeno detalhe de ainda estarem uns milhares de alunos sem aulas, até daria para rir.

O número de alunos por turma subiu até níveis completamente insuportáveis e com claro prejuízo para todos, em especial para os alunos com mais dificuldades, a quem se torna quase impossível dar qualquer tipo de ajuda extra.

E, o mais interessante é que no primeiro dia do mês de outubro os professores continuam sem saber o resultado de parte importante dos seus concursos. Houve imensas trapalhadas com a colocação dos docentes dos quadros, nomeadamente permitindo a gente com menor graduação obter uma colocação melhor, mas enfim…

Agora, no caso dos docentes contratados, o nó parece impossível de desfazer – duas semanas para corrigir uma fórmula matemática?

Nos últimos dias chegou à caixa de mail dos professores uma mensagem que ilustra a confusão do processo. Diz a administração que

nessa data, deverá (o professor) então exercer a sua preferência, aceitando o horário que melhor se ajustar à sua pretensão, sendo que ambos serão considerados horários anuais para todos os efeitos.

Ora, vamos lá ao explicador, porque isto de ler coisas sobre profs é uma complicação muito complicada, como diria o outro – já houve, este ano, dois momentos em que foram colocados docentes contratados. Entretanto aconteceram todos os erros que levaram ao pedido, não aceite, de demissão do ministro e o MEC em vez de resolver o problema prefere deixar aos professores essa possibilidade como se vê na citação apresentada.

Isto é, um dia destes (ninguém sabe quando) Nuno Crato vai fazer sair umas listas novas e aí cada professor, ainda que esteja a trabalhar há um mês vai poder decidir onde vai querer ficar.

Será que me permitem uma questão: e os alunos?

Dirão alguns, os que são do tamanho do Marques Mendes, que o ideal é acabar com os concursos de professores porque são sempre uma grande confusão. ERRADO!

Na parte em que os concursos são nacionais e iguais para todos nunca há problemas. Os erros só acontecem quando o MEC resolve inventar. A solução está num único concurso de nível nacional em que se respeite a graduação – aposto que não há nenhum professor que pense de outro modo e também me parece que não iria perder dinheiro se referisse a vontade dos pais dos alunos ainda sem aulas.

Comments


  1. Bom artigo, mas deixa o AO90 de lado por favor.

Trackbacks


  1. […] dita reforma comemora hoje um mês, tal como o ano lectivo que, tal como há um ano, não pára de começar, com consequências negativas para os mexilhões, como é costume: entre novos e velhos, ninguém […]

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.