As baixas estão de baixa

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O humorista João Miguel Tavares dedicou hoje a sua crónica no Público ao ensino, ou melhor, aos professores. Uma parte já a explicou o Paulo Guinote, a outra ofereço-lha eu.

Queixa-se, e com toda a razão, porque a sua filha não tem aulas de História há seis semanas, por via de o respectivo professor estar de baixa. Não é muito conhecida, mas é uma situação recorrente. Num caso de doença prolongada qualquer trabalhador tem de ser avaliado por uma junta médica, sempre foi assim e parece-me sensato que continue a ser.

Como as pessoas em baixa prolongada custam dinheiro, e esquecendo que para isso descontaram, uma ex-ministra achou por bem dar ordens para avaliações, por assim dizer rigorosas. Por conta disso três professores morreram praticamente na escola, que isso de ter um cancro em fase terminal não é nada, assunto que deve pesar tanto na consciência de Maria de Lurdes Rodrigues como o ar que sobre ela paira.

Este governo decidiu ir mais longe: ouviu o João Miguel Tavares a gritar que era preciso cortar nas despesas do estado, não há dinheiro para juntas médicas, portanto vão sendo adiadas. Como vão sendo adiadas, as escolas não podem pedir um professor para substituir o que está doente, que por sua vez estando doente apresentou um atestado e aguarda. Na presente conjuntura de lançar o caos nas colocações de professores contratados (que deveriam aliás servir apenas para isto mesmo, situações excepcionais, o normal deveria ser leccionado por quem está no quadro) é natural que mesmo depois da tal junta, que tem uma enorme lista de espera porque não querem pagar a mais médicos, se realizar, ainda demore um bocadinho, coisa pouca, entre umas semanas e uns meses.

Sempre é mais humano que as juntas médicas da anterior ministra, mas os alunos ficam sem aulas. E agora quer que a direcção de uma escola se arrisque a explicar isto a um pai, o que acarreta sempre um juízo de valor sobre a hierarquia, emitido no horário de trabalho? somos professores, não somos parvos.

Comments

  1. Nightwish says:

    São os cortes cegos, a trazer custos cada vez maiores. Nada de novo.


  2. Tem toda a razão, colega. A política desta gentinha é a mera continuação da política dos bandalhos que os precederam no desgoverno.
    Só peço um favor: evite referir o nome da bruxa ; é que me põe fora de mim, fico transfigurado de raiva e com as tripas aos tombos.

  3. joao lopes says:

    ontem foi a cronica do tavares ,hoje é a cronica do pulido valente ,nas duas a mesma confusão:ora tem uma adoração pelo coelho,ora martelam nos “indígenas”,ou mandam as culpas todas para o socrates, ou então “descobrem a pólvora”:o coelho é mentiroso,incompetente e já se acha “uma figura histórica”(palavras do valente).senhores cronistas,já ouviram falar da esquizofrenia?

  4. crarlos says:

    Uma anedota. A cada parágrafo “MLR”, “Sócrates” novo paragrafo e aparece “MLR”, “Sócrates”
    Se não fosse esse desvio a prosa seria tragável.
    Bom, bom era quando o PSD e o partido da lavoura, do reformado, dos ex-combatentes e por aí, andavam em campanha contra o despesismo socialista, as fundações, o viver acima das nossas possibilidades, os gastos intermédios e as gorduras do Estado. Contra a execrável MLRodrigues que imaginem a ousadia, queria a avaliação dos docentes.
    Depois havia os programas de entretenimento Plano Inclinado, na linha da frente contra a festa socialista, o Olhos nos Olhos onde o fiscalista se repete na dose do, corta, corta, sem explicar o porque da reforma e das mordomias que recebe do BP serem intocáveis. Também havia uns (e umas) quantos avençados dos media e tanta gente que provavelmente como você rejubilou quando os estarolas se alçaram ao poder.
    Com a desregulação do mercado de trabalho e do próprio regime, provocada pelo Governo PSD/Partido do Contribuinte e abençoada por todos vós que nunca quiseram perceber o que estava em causa no dia em que esta gente se alçasse ao pode, é o mais execrável exercício de demagogia continuar a evocar sistematicamente o anterior governo socialista aligeirando o fim do mundo que foram estes últimos 3 anos, e um exercício fraco de manipulação de quem vos lê e não se dá ao trabalho de ser insultado quando vos contradiz.


    • Claro, pecado mortal: conta-se um crime de Maria de Lurdes Rodrigues, e acode um arcanjo em salvação da sua honra, sem negar o facto referido, sem um argumento em contrário.
      Onde se lê arcanjo, leia-se canalha.

      • crarlos says:

        Ao ver a réplica temi estar a ler um homem novo / veio da mata …, mas a frase final não engana, afinal é um homem velh(ac)o.
        “velhaco”, no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
        1. Que ou aquele que é traiçoeiro ou quer enganar. = PATIFE, TRAPACEIRO
        2. Que tem manha. = MAROTO
        3. Libertino, devasso.
        4. Que denota velhacaria.
        5. Que tem malícia, mas não a mostra. = FINÓRIO, MATREIRO
        6. Diz-se de uma variedade de feijão minhoto.
        Foi um desprazer e perda de tempo a comentar os seus desvios.


        • Comentar? comentar implica ter uma opinião, defendê-la. Mais uma vez apenas leio uma oração e profissão de fé, repetindo a ladainha do costume.
          Quem comenta não o faz de joelhos.


  5. Referir também que a baixa dum médico devia ser um documento sério e responsável e não um “salvo conduto” que as burocracias do estado agravadas pelas “negociações” com os sindicalistas profissionais tornaram num assunto faz de conta que só vale se verificado por alguém menos “permeável”. Confundir ensino com direitos sindicais é que tem sido o mal com bem diz o “humorista” JMT.

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