Ministério da Educação explora desempregados e negligencia escolas

gaibéusVale a pena ler, com muita atenção, o texto da Graça Barbosa Ribeiro sobre desempregados que trabalham transitoriamente nas escolas como auxiliares educativos (ou, como se dizia antigamente, contínuos). Graças a três vozes, é possível confirmar que o governo se limita a ignorar as necessidades das escolas, ao mesmo tempo que explora as necessidades dos desempregados.

As escolas, de uma maneira geral, não têm pessoal em número suficiente, o que vai arrastando os recursos humanos existentes para a exaustão e para o desânimo. Para além disso, estamos a falar do desempenho de tarefas extremamente exigentes. Alguns destes auxiliares de circunstância nunca chegam a adaptar-se; outros, depois de se adaptarem ou de mostrarem competência e dedicação, não podem permanecer em funções, o que contrasta com o discurso politicóide que defende que o mérito deve ser premiado e outros rebeubéus igualmente vazios.

Num país civilizado, governado por gente civilizada, as necessidades de recursos humanos nas escolas deveriam ser efectivamente supridas, contratando-se os trabalhadores necessários e pagando-lhes em conformidade. Em vez disso, o Estado aproveita o facto de ser legislador para poder ser um patrão explorador, alegando um doce “fazer mais com menos”.

Ressalvando as devidas diferenças, que se vão esbatendo, cheira a gaibéus que tresanda. Cúmplices somos todos, com destaque para professores, sindicatos e directores de escolas.

Comments

  1. Rui Esteves says:

    Pelo que tenho ouvido contar, isto é tudo verdade.
    Há anos, pelo menos desde o Governo Sócrates, que o Estado emprega temporariamente pessoas desempregadas como auxiliares de educação.
    Alguns desses desempregados não têm qualquer jeito para a função e estão ali porque são obrigados.
    Outros, pelo contrário, dariam bons auxiliares de educação.
    Estou a lembrar-me de uma senhora desempregada que trabalhou na sala do Jardim de Infância onde a minha mulher é educadora – a senhora gostava daquele trabalho e tinha muito jeito para lidar com as crianças.
    Como sabemos, para o Estado tanto faz trabalhar muito como pouco, interessar-se ou borrifar-se para a função, que é tudo igual ao litro e quando acaba o “contrato” o desempregado é devolvido ao desemprego e venha outro desgraçado para a função – e a referida senhora teve que sair e foi substituída por uma rapariga que, chateadíssima, passava o dia a trocar sms’s com os amigos e não ligava nada às crianças.
    E nada disto é indiferente – qualquer professor sabe quão importante é ter bons auxiliares de educação.
    Esta indiferença, este desprezo por quem trabalha, é a marca registada de quem nos governa – muito patuá, muito show-off e quem está a trabalhar que se lixe.

  2. José Braz says:

    Ó Sr. António Nabais,

    Sei que bem quão antigo e generalizado é este, agora também seu, senso comum de despejar “culpas” em cima de todos, para que, no final, os verdadeiros culpados fiquem apenas com uns ligeiros salpicos.

    Sei bem que até os melhores o fizeram, e vem-me logo á memória a choldra do Eça, com século e meio de existência., mas essa ao menos era de morrer a rir.

    Agora esta sua tentativa de salpicar professores e sindicatos com a porcaria só atribuivel ao Governo é dos mais rebuscados exercicios de malabarismo a que tenho assistido.

    Já vai sendo tempo de acabar com a propaganda do “são todos iguais”. Primeiro porque o não são. De facto, não somos todos iguais, nem somos todos culpados, ainda que o Sr, por acção ou omissão, se possa (ou deva?) querer incluir na choldra dos culpados. Depois, porque existem de facto culpados e podem ser apontados a dedo: estão no governo e na maioria que o apoia.

    O final do seu escrito só demonstra a extraordinária flexibilidade da sua coluna vertebral e a miopia de uma visão incapaz de distinguir os cristalinos culpados dos que a eles se opõem com uhas e dentes.

    Ó Sr. Nabais, vá lá ao oftalmologista, endireite um bocadinho a coluna e deixe de atirar a porcaria para a vetoinha, até porque o Sr. também fica salpicado.

    • António Fernando Nabais says:

      Caro José Braz
      Falemos, então, de oftalmologia. Releia o título. Releu? Percebeu qual é a entidade que explora desempregados e negligencia escolas? E o texto? Leu o texto? De certeza?
      Ao salpicar (ou ao sujar) professores e sindicatos é evidente que me considero incluído na choldra dos culpados, até porque, confesso, sou professor.
      Professores, sindicatos e directores não conseguiram, até hoje, organizar-se de maneira a combater os vários disparates, para usar um eufemismo, postos em prática pelo Ministério da Educação. A cumplicidade de todos os que trabalham nas e com as escolas até pode nascer, muitas vezes, de boas intenções, o que é visível, entre outros exemplos, no facto de haver professores a desempenhar tarefas que não lhes deveriam estar atribuídas, ou no facto de as escolas irem funcionando com auxiliares sobrecarregados, quando os directores deveriam unir-se para combater esse flagelo.
      Não me parece, portanto, que professores, sindicatos e directores se oponham com “unhas e dentes”, como epicamente afirma. Quero com isto dizer que é simples combater um inimigo tão poderoso e tão desonesto? Claro que não, mas, insisto, não estamos a fazer o suficiente, o que faz de nós cúmplices.
      Termino, agradecendo a referência à flexibilidade da minha coluna vertebral, que tenho andado aqui com uma dorzita incomodativa, quando, afinal, até sou capaz de malabarismos que considerava impensáveis.

    • Rui Esteves says:

      Ó cum camandro, você tem a certeza que percebe bem o que lê?
      Esses salpicos para cima dos professores só existem na sua cabeça. Nunca os professores foram ouvidos nesta questão da colocação dos desempregados como auxiliares de educação provisórios. O Centro de Emprego (belo eufemismo!) coloca o desinfeliz do desempregado numa escola ao calhas e o desinfeliz que se amanhe. Se se amanhar bem e gostar do que faz, pior para ele que quando acaba o contrato volta para o desemprego. E se já tiver decorrido o prazo para receber o subsídio de desemprego, fica desempregado sem rede – a partir daí é só fome e depressão.

  3. José Braz says:

    Caro António Nabais,

    Permita-me insistir. Tentar, mesmo que apenas “co-“, responsabilizar “Professores, sindicatos e directores” por não conseguirem “organizar-se de maneira a combater os vários disparates […] postos em prática pelo Ministério da Educação”, é para mim equivalente a tentar “co-” culpabilizar o policia de giro pelo roubo praticado pelo banqueiro. Ridículo.

    Lá “combater os disparates”, os “Professores, sindicatos e directores” até vão combatendo. Em greves e manifestações, como podem e quando podem, nos intervalos entre as reuniões, os relatórios, as avaliações, as formações, as correcções, as preparações, as leccionações (pois, nos intervalos do resto também leccionamos 😉 até vamos fazendo umas coisas para combater os disparates. Pergunto-me, de passagem, se por acaso o Sr. António Nabais será assíduo frequentador desses “combates”? Mas a pergunta é meramente retórica, acredite, não se perca com o pormenor. Agora impedi-los, impedir os disparates, isso já é outra loiça, e por essa não podemos, nem sequer “co-“, responsabilizar quem para isso não tem poder.

    Recapitulemos alguns exemplos de co-responsabilizações dos último tempos, umas licitas, outras ilícitas, só para percebermos as diferenças entre poder e não poder impedir os disparates:

    1. O BDP é co-responsável pelo roubo do BPN? É! Tinha os meios para auditar as contas vigarizadas mas “preferiu” acreditar nas raposas que geriam o galinheiro. É culpado? Não, culpadas são as raposas. Co-responsável? Sim, é. Tinha poder legal para tirar de lá as raposas e não tirou.

    2. O BDP é co-responsável pelo roubo do BES? É! Já sabia que a raposa tinha comido umas galinhas e deixou-a continuar, sob promessa de que não comeria mais nenhuma, até ser substituída como Administradora do galinheiro. É culpado? É! Já tinha visto a raposa a comer galinhas e deixou-a continuar apesar de ter poder para a tirar do galinheiro..

    3. A “Oposição” é co-responsável pelos últimos 3 OGE’s inconstitucionais? Não! Apesar de não se ter sabido organizar para evitar a aprovação dos mesmo pela AR, a verdade é que não tinha poder para o fazer (votos suficientes para isso … compreende?)

    4. Os “Professores, sindicatos e directores” são co-responsáveis pelo facto de o Governo explorar miseravelmente os desempregados com trabalho escravo? Não! Porque não têm poder legal para recusar os desempregados que o Governo escraviza nas escolas (e já agora … nas IPSS’s e nas autarquias …).

    Quanto à dor lombar, devem ser problemas de idade. Umas massagens, umas pomadas e uns alongamento e vai ver que isso melhora, principalmente se aproveitar os alongamentos para apontar o dedo aos culpados. LOL

    • António Fernando Nabais says:

      Caro José Braz

      Insista, insista, que pode ser que, um dia, aprenda a ler ou perceba que precisa de mudar de lentes.
      O seu pensamento, se assim se pode chamar, é de um simplismo atroz, como se entre a participação activa numa malfeitoria ou um certo conformismo mais ou menos silencioso não pudessem existir vários graus de cumplicidade. Simplista é, igualmente, afirmar que só se pode ser cúmplice quando se detém algum poder legal, como se, por exemplo, uma oposição não pudesse ser acusada de incompetência no modo como comunica as suas opiniões, independentemente de ter ou não votos suficientes no parlamento, ou como se fosse suficiente os professores fazerem greves e manifestações de vez em quando, como se isso, por si só, garantisse que a população fica verdadeiramente informada sobre os muitos problemas que existem nas escolas.
      A pergunta retórica que (não) me dirige faz lembrar aqueles rapazes que gostam de comparar o tamanho dos respectivos órgãos sexuais. Digamos que é um comportamento um pouco primitivo. Como a pergunta é retórica, não lhe respondo; uma vez que não gosto de ficar em nu em público, mantenho-me pudicamente vestido, até porque tenho a certeza de que ficaria a perder, tendo em conta os altíssimos níveis de testosterona presentes nos comentários do José Braz.
      Agradeço-lhe o cuidado com a minha dor lombar e é verdade que a idade não perdoa. Vou seguir o seu conselho e recomendo-lhe a aquisição da “Cartilha Maternal”: é que, com a minha idade, dificilmente as minhas costas melhorarão, mas o José Braz ainda vai a tempo de abandonar o reino da iliteracia. Força!

  4. José Braz says:

    Caro António Nabais,

    Noto-lhe uma grande irritação, mais com a minha pessoa do que com a minha argumentação. Dos seus três parágrafos, só 1/3 do primeiro é dedicado a argumentar qualquer coisinha, pouca, sendo o restante da missiva perdido no tiro ao alvo sobre o argumentador.

    Acredito por isso que não lhe restem muitos mais argumentos e, assim sendo, o melhor será acabar a amena cavaqueira, evitando uma escalada da sua não argumentada irritação.

    Mas permita-me ainda, e seguindo o seu exemplo, recomendar-lhe a leitura de “Um Mundo Infestado de Demónios”, com especial atenção ao capitulo sobre a Arte de Detectar Disparates, bem sei que é uma leitura um tudo nada mais exigente do que a sua eterna cartilha, mas acredite: muito mais interessante. Outros capitulos lhe poderia aconselhar, mas temo que pudesse ser mal entendido.

    As melhoras das suas dores e não se esqueça: massagens e alongamentos.

    • António Fernando Nabais says:

      Ó caríssimo José Braz

      Mas como poderia eu ficar irritado consigo, se me divertiu tanto? Do mesmo modo, a sua argumentação causou-me a mesma ira que me causa assistir ao abandono dos unicórnios no Verão.
      Obrigado pelo seu cuidado com as minhas cruzes. Boa sorte com o alfabeto.

  5. joao lopes says:

    sr.jose braz, o texto é explicito:escravatura incentivada pelo estado.sinonimo de escravatura:exploração.sinonimo de exploração:485 euros(ups,agora é 515!!!!!).percebeu ? é que se não percebeu o passos ainda o chama de preguiçoso e mal preparado.

  6. noman'sanisland says:

    Como diria catroga, deixem-se de pintelhiçes… 🙂
    os verdadeiros problemas da escola não passam por aí embora o tema tratado no post seja pertinente e tb reflexo de um padrão de um modus operandi que não é mais que a tontice e obnubilação de todo um governo que já devia ter sido despedido por indecente e má figura tivéssemos nós Presidente da República.
    É claro que interessa ao governo que se fale disso ( e aqui o António Nabais pode estar a fazer sem querer um papel que não me parece que queira fazer) como cortina de fumo para reais e graves problemas da escola e da educação. E os graves e verdadeiros problemas da escola vêm sobretudo de uma pesadíssima herança de Lurdes Lodrigues ( modelo de avaliação de professores, gestão das escolas, avaliação e estatuto dos alunos, mega-agrupamentos, diabolização dos professores perante os pais/opinião pública, completa bandalheira e indisciplina nas escolas etc etc etc…) que o artolas que agora está se limita a copiar e ampliar para o desastre que já não é anunciado mas visível: na escola de agora tudo se ensina ( educação ambiental, educação financeira, educação para o trabalho, educação para o empreendedorismo, educação rodoviária etc etc etc…) nada se aprende. Para não me alongar mais, chegamos quase ao ponto em que os professores ( e os que ainda não baixaram os braços que me desculpem a generalização) fazem que ensinam, os alunos fazem que aprendem, o ministro olha para o lado e toda a gente anda feliz e contente. Um desastre, uma calamidade….é o que vos digo.

  7. noman'sanisland says:

    pintelhices, claro

  8. Mário Machaqueiro says:

    Subscrevo tudo o que António Nabais aqui escreveu, incluindo a parte referente aos sindicatos e aos professores. A classe docente tem sido das mais agredidas nos seus direitos elementares e das que mais conformismo tem mostrado – as direcções sindicais, neste particular, são um mero reflexo do corpo profissional que supostamente representam. Se os professores não revelam estar dispostos a bater-se pelos seus direitos e pela sua dignidade profissional, não é de esperar que se solidarizem com o combate pelos direitos de outros profissionais. Eu próprio tenho estado desatento sobre o que se passa com esta ignóbil exploração de trabalhadores desempregados, e foi preciso ler o artigo do Público que o António aqui “linkou” para descobrir que uma das funcionárias da escola onde trabalho – a sede do Agrupamento de Carcavelos – se encontra nessa situação.

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