A prisão do incendiário

incendiario

Carlos Roque

Em relação às acusações por corrupção do Sócrates, palpita-me que muita gente, que se congratula pela sua detenção, se está rigorosamente nas tintas para cada uma delas.
Não é por isso.
Por ele estar preso, congratulam-se. Não pelo que o acusam, mas sim por o responsabilizarem por tudo o que de terrível aconteceu ao país… depois de ele abandonar o poder — o horror dos efeitos retroactivos da sua governação, que incendiou o país nos 4 anos a seguir — e por ele, o incendiário, ter tido o arrogante desplante de vir ainda criticar “a água a mais” destruidora dos bombeiros que andavam, mais ou menos desastrados, a apagar as chamas.
O Al Capone também não apodreceu na prisão por nenhum dos crimes que nos horrorizam — foi por outros que nada nos dizem.

Comments

  1. Marquês Barão says:

    A Sócrates o que é de Sócrates.

  2. Nightwish says:

    Pois, mas o problema é que a crise e a austeridade nada (ou muito pouco) teve a ver com Sócrates. Infelizmente, a lavagem cerebral funcionou bem neste aspecto.

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Não faço tal leitura.
    Sócrates é uma peça de um intrincado puzzle que nos governa há quase 40 anos. Hoje, é apenas o mais recente. Outros se seguirão.
    Discuta-se Sócrates e as acusações, as dúvidas, as frustrações. Mas o que está em causa é muito, mas mesmo muito mais sério.
    1 – Há uma evidente crise de Regime. Há um completo abandalhamento deste Regime a que chamam democrático, mas onde claramente a Justiça não funciona e portanto, de democrático nada terá. E o que mais pesa é que a ruptura do Regime, vem justamente daqueles que têm a obrigação de o defender. Há 40 anos que se torna evidente que este claro alterne PS / PSD, nos conduz à bancarrota, pelo facto de estarmos perante políticos que se servem do Regime, mas não servem o Regime.
    2 – A maioria do povo alinhou no marasmo intelectual e revive o perfeito espírito “sebastianista” que vê em quem tem o dom da retórica, uma saída. Deixou de pensar e alimenta o espírito num qualquer “Take Away” ideológico, saltando do laranja para o rosa e do rosa para o laranja.Não tem saídas diz, mas também não as procura. Prepara-se hoje um Marinho Pinto para “arrebanhar” tais “sebastianistas” na certeza que amanhã, outro chegará. E o povo vai com todos.
    No caso de Sócrates, bastou-me perceber como adquiriu a sua licenciatura, para se ter a certeza que estamos perante gente cuja concepção de carácter não existe.
    3 – E a desgraça do Regime está aqui. A Justiça vai caindo na Rua e o eleitor vai já a seguir mostrar que graças a este escândalo, o PSD subirá fortemente nas intenções de voto. Pergunto: vale a pena?


  4. Será que afinal governar bem tem a ver com o diploma de Universidade já que todos governantes e deputados e autarcas e vereadores (a até comentadores de futebol são juristas) têm a formação de Direito excepto Sócrates que tem um diplomazinho ?’ Com o diplomazinho foi nomeado pra dois mandatos ?? Tanto universitário e derrubaram o pais em 3 anos ?’Merkel não tem razão quendo afirma que há universitários a mais ?? Ponham trabalhadores de fábrica e da enxada – Experimentem

  5. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    D.ª Maria Celeste Ramos.
    Isto não tem nada a ver com o diploma, como pretende, mas com o MODO como o diploma é obtido. Já se esqueceu do caso Relvas? E olhe que há mais para aqueles lados.
    Se ler o que eu escrevi, com rigor e atenção, vê justamente isso escrito e não o que afirma.
    Cavaco é doutorado e é a desgraça política que conhecemos. E foi eleito duas vezes como primeiro ministro e outras tantas como Presidente.
    Isto minha senhora, não tem nada a ver com diplomas.
    No que toca ao povo, tem a ver por um lado, com o “Sebastianismo” e por outro, com a cultura “partido”, que é seguido como se se tratasse de um clube de futebol, com bandeiras e palavras de ordem como uma qualquer claque.
    Do lado dos políticos, tem a ver com a falta de CARÁCTER, falta de COMPROMETIMENTO e ainda com a falta de SENTIDO de ESTADO.

  6. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    E já agora Dª Maria Celeste Ramos: o primeiro ministro da Suécia, eleito em Outubro de 2014, de nome Stefan Lofven, não tem diploma nenhum, excepto o de soldador. Não tem curso superior. Foi trabalhador de fábrica e não consta que tenha tido deméritos, caso contrário não seria hoje primeiro ministro.
    Uma vez mais, os critérios têm que ser os da capacidade, experiência e respeito pelos símbolos da democracia. E aí, goste a Senhora ou não, os ditos “trabalhadores de fábrica e de enxada” têm dado provas de integridade moral que falta aos Srs Doutores e Engenheiros da política.

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