Os cães ladram e o Syriza passa

Syriza

As elites nervosas não largam o Syriza. Espumam-se todos os dias e fazem figuras tão patéticas que parecem estar a competir por um qualquer prémio de imbecilidade. Uns escrevem cartas hipócritas com excesso de vírgulas, outros, mais versados na arte da aldrabice, classificam as ideias do Syriza como sendo um “conto de crianças” com a mesma lata com que nos contaram aquele conto de embalar jotinhas em que o príncipe encantado social-democrata chegaria ao poder sem que tal implicasse aumentar impostos, cortar pensões ou vender os tais anéis. Que moral têm estes sujeitos para dar lições ao novo governo grego que ainda agora iniciou funções, principalmente depois daquilo que fizeram ao nosso país? Como é que é possível que pessoas com o mínimo de discernimento e bom senso confiem nesta gente de carácter altamente duvidoso, capaz de mentir sem qualquer tipo de reservas com o intuito único de se instalar no poder? Parafraseando Pedro Passos Coelho “Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?

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Enfim, o que nos vale é que lá para Outubro não os voltamos a aturar e, quem sabe, as WeBrands e as Tecnoformas desta vida ainda aumentam a vizinhança do preso nº44. Voltando ao prémio da imbecilidade, creio que o eurodeputado Paulo Rangel segue actualmente na liderança da corrida. No seu espaço de propaganda eleitoral na TVI24, o cada vez mais elegante social-democrata comparou Tsipras a Fidel Castro. A comparação é de tal forma idiota que fico sem perceber como é que é possível que Portugal tenha um representante no Parlamento Europeu que profira um espasmo mental desta categoria. Mas Rangel não se ficou por aqui. O prémio da imbecilidade tem mesmo que ser dele. A vai daí tentou fazer uma colagem do primeiro-ministro grego ao presidente russo, ignorando que o novo governo grego votou favoravelmente a manutenção das sanções económicas contra a Federação Russa, ao contrário daquilo que os especuladores do Apocalipse tentaram disseminar.

E enquanto a caravana passa perante o ladrar cada vez mais débil dos cães velhos do tempo da União Nacional, os “radicais” do Syriza dão-nos mais uma demonstração da sua capacidade negocial e parecem estar dispostos a deixar cair a reivindicação de obter um perdão de dívida a troco de que seja concedida à Grécia a possibilidade de indexar o reembolso da dívida à taxa de crescimento nominal da sua economia. Uma alternativa inteligente que enterra machados de guerra, dá tempo a Tsipras para se posicionar e que os inúteis que por cá temos foram incapazes de negociar, preferindo sacrificar a Saúde, a Educação e a Economia a troco de um crescimento residual que não espelha a realidade de um país em saldo de onde todos os dias fogem jovens formados e competentes. Tudo em nome de serem o eterno bom aluno, ou rato de biblioteca como o deputado da carta hipócrita gosta de os chamar.

Continuo a achar que ainda é cedo para tirar ilações sobre esta “revolução” grega. Mas tenho a sensação que, pelo grau de nervosismo das elites, pelas imbecilidades que vão proferindo e pela incapacidade de formularem alternativas que os mantenham em jogo perante os novos desafios que se afiguram, o cheiro a podre no ar poderá muito bem significar o fim de uma era: a “pasokização” dos blocos centrais e a extinção da central de negócios promiscuo-partidária. E enquanto as elites caducas discutem o mundo antigo, reféns da sua própria inércia, o Cavalo de Tróia de Tsipras vai entrando sorrateiramente nas instituições europeias, rejeitando burocratas e afirmando que o seu debate é com os estados-membros da União Europeia e não com directórios ao serviço dos interesses do costume. O próprio Juncker afirmou esta Segunda-feira que “No futuro, temos de poder substituir a troika por uma estrutura mais responsável, mais legitimamente democrática, que preste contas dos seus atos“. A CDU de Merkel vai mais longe e afirma mesmo que está na hora dos milionários gregos verem as suas fortunas tributadas. Quem não percebe que uma semana de governo do Syriza teve mais impacto na situação actual da Europa do que 3 anos e meio destes inúteis só pode estar a dormir.

Comments

  1. Jorge Ralha says:

    Arranjando outro PM que consiga mentir ainda mais que o visado no comentário ….. digo eu, sei lá !!!


  2. Os gregos estão a mexer com um gigante e não é o Polifemo, não. Este chama-se Capital e foi alimentado durante séculos por todos nós. Engordamo-lo e, agora, é muito difícil combatê-lo. Quando se vê ameaçado, consegue defender-se, criando em nós a ilusão de se dar por derrotado para, logo depois, voltar resiliente ao seu repasto. Força, Ulisses Tsipras, conseguiste vencer o Ciclope, também, quem sabe, poderás ajudar a vencer este. Põe muita cera nos ouvidos e não ouças o canto medíocre de “sereias” como Passos Coelho.

  3. Nightwish says:

    O que é extraordinário é que esta gente percebe tanto de economia que acha que há uma diferença enorme entre um perdão da dívida e um pagamento dependente da inflação.

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