SSchäuble, ordem para matar

E o terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas.
E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas.

Apocalipse 8:10-11

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E à terceira semana cessou o fogo de artifício (do cachecol à ausência de gravata, passando pela mentira dos arbustos), e a extrema-direita apontou a artilharia pesada. Paulo Rangel explica tudo hoje no Público, com uma franqueza exemplar: “O caso mais glosado, mas que não é sequer o mais iminente, é o do contágio dos extremismos de esquerda“.

Traduzindo: há que dar uma lição à esquerda grega, antes que pela Europa fora, a começar no estado espanhol, a esquerda comece, ó horror, a ganhar eleições. A ser irresponsável, como já afirma um monte de excrementos chamado SSchäuble, decidido a brincar à blitzkrieg sem força aérea.

Assim se demonstram vários factos, para os quais muito distraídos andamos: quem governa a Europa não é a direita, mas uma extrema-direita, ordo ou neoliberal, que quando sente ameaçado o edifício totalitário que subtilmente construiu e se chama federalismo, não hesita em mandar às urtigas o direito dos povos ao voto livre, que já não o era numa sociedade onde a informação é controlada pelo poder económico, mas fica assim bem claro como nunca o foi.

Votar outra política que não o austeritarismo ficará arredado: votam? ides para o olho da rua, seus irresponsáveis. O IV Reich em todo o seu esplendor, de Berlim à mais pequena capital europeia, onde a casta se sentiu ameaçada no seu grande mundo de corrupção, vilanagem, saque e exploração desenfreada dos povos. Realce ao exemplo português, Passos Coelho servil, venerando, atento e obrigado, na velha tradição lusa em que sempre a classe dominante se vergou aos poderosos, por eles a capital seria Madrid, e não o sendo qualquer outra onde possam lamber o chão lhes serve perfeitamente.

O problema, o pequenino problema em que nem repararam, é que a história tem o hábito de seguir a direito tantas vezes por linhas tortas. Numa coisa Portugal não é a Grécia: geo-estrategicamente e culturalmente estamos nos antípodas da Europa. E se a expulsão do euro se revelar, ó espanto, precisamente o caminho sinuoso mas certeiro para um país europeu se libertar desta ditadura financeira, de políticas únicas e salários cada vez mais baixos? Paulo Rangel que se cuide, mais uma vez vinda no leste do Mediterrâneo, a peste negra pode espalhar-se pela Europa,  e desta talvez calhe à nobreza ficar com as vítimas.

Imagem: Beatus de San Miguel de Escalada (Morgan I, ——926/962), 137v

Comments

  1. Nightwish says:

    Se não há plano B para a recuperação económica, é bom que haja um plano B para o Euro…

  2. ZE LOPES says:

    O Rangel, embora queira disfarçar, pertence ao grupo de uns tipos que por aí andam aos pios e que tinham, até há pouco tempo, como passatempo de estimação desdenhar daquilo a que chamavam a “Esquerda Caviar”. Depois começaram a ver que a coisa estava a tornar-se séria e passou a ser “A Esquerda Que Ainda Nos Vai Aviar”. Agora, syrizados de espanto, de uma tal dimensão que dificilmente Podemos calcular, é (ai! credo!) “A Esquerda Que Já Nos Está a Aviar”. Aliás ” A Syriza” era jocosamente representada como uma grega pouco dotada e burra. Agora travestiu-se no Syriza, um grego tão dotado que nem um burro. É certo que continuam a mandar umas postas de pescada e a enviar umas cartas e tal, mas os tempos não são os mesmos. Agora, lá pelos gabinetes, já ninguém se levanta de uma reunião sem olhar cuidadosamente em redor. E por esses corredores e alamedas afora abundam uns blasfemos amarelos e macilentos a caminhar apressadamente, sempre de costas para a parede. Está armado um 31…


  3. Cuidado, pois a direita não dorme em serviço. A prioridade agora é, antes das legislativas espanholas, arrasar com a Grécia para castelhano ver. Poder não lhes falta, para isso e muito mais.


  4. “Reabram Auschwitz!”
    “Reabram Auschwitz!”

    Pensa o Shaubel, ajeitando-se na cadeira, enquanto o tontinho holandês do Eurogrupo lhe pergunta sobre o que fazer com os gregos.

    “Arbeit macht frei”, geme entre dentes o da cadeira.

    • Nightwish says:

      Gostaria de relembrar à audiência que há uns anos tivemos um ministro a dizer que o trabalho liberta, no dia do trabalhador… quem será, quem será?

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