Mentiu (e mente) deliberadamente, contribuiu para os esquemas de fraude com os fundos comunitários, fugiu aos impostos (mas tem as costas quentes pelo ministro da tutela, dizendo-o “vítima de erros da própria administração”), piorou o estado do país e meteu-se num confronto com outro estado, através de uma colagem àqueles que nos exigem cada vez mais impostos e mais cortes.
Ainda assim, aparentemente, uma percentagem elevada de eleitores votaria novamente nesta pessoa.
Gostam mesmo, só não se sabe se usam ou não vaselina.







Muitos séculos a sermos espezinhados, muita fogueira da Inquisição, muito Futebol e Fátima, muitos Sebastiões, muita subserviência, muito livro da primária com os pobrezinhos mas honrados, muita cruz nas paredes e retratos de Salazar e A. Tomaz. Muito conservadorismo atávico e bacoco.
Acima de tudo, muito medo.
Os Ais de Portugal
(…)
Ai os ais de tanta gente…
ai que já é dia oito
ai o que vai ser de nós.
E os ais dos liriquistas
a chorar compreensão?
ai que vontade de rir.
E os ais de D. Dinis
Ai Deus e u é…
Triste de quem der um ai
sem achar eco em ninguém.
Os ais da vida e da morte
Ai os ais deste país…
CANTIGA DOS AIS de Armindo Mendes de Carvalho (1927/1988)
Era uma vez um rapaz chamado João que vivia em
Chora -Que -Logo -Bebes(…)
Preferiam choramingar, os maricas!,
agachados em casebres sombrios, enquanto lá por fora
chovia com persistência implacável (como se as nuvens
estivessem forradas de olhos) e dos milhares e milhares
de chorões – as árvores predilectas dessa gente – pingavam
folhas tristes. Tudo isto incitava os habitantes da
aldeia a andarem de monco caído, sempre constipados
por causa da humidade, e a ouvirem com delícia canções
de cemitério ganidas por cantores trajados de luto, ao
som de instrumentos plangentes e monótonos.
O único que, talvez por capricho de contradizer o
ambiente e instinto de refilar, resistia a esta choradeira
pegada, era o nosso João que, em virtude duma contínua
ostentação de bravata alegre e teimosa na luta, todos
conheciam por João Sem Medo.
Ora um dia, farto de tanta chorinquice e de tanta
miséria que gelava as casas e cobria os homens de verdete,
disse à mãe que, conforme a tradição local, lacrimejava
no seu canto de viúva:
– Mãe: não aturo mais isto. Vou saltar o Muro.
A pobre desatou logo aos berros de súplica que abalaram
o Céu e a Terra:
– Ah! não vás, não vás, meu filho! Pois não sabes que
essa Floresta Maltida está povoada de Canibais Mágicos
que se alimentam de sangue de homens? Sim, meu filho, de
sangue humano bebido por caveiras. Não vás! Não vás!
Preferiam choramingar, os maricas!,
agachados em casebres sombrios, enquanto lá por fora
chovia com persistência implacável (como se as nuvens
estivessem forradas de olhos) e dos milhares e milhares
de chorões – as árvores predilectas dessa gente – pingavam
folhas tristes. Tudo isto incitava os habitantes da
aldeia a andarem de monco caído, sempre constipados
por causa da humidade, e a ouvirem com delícia canções
de cemitério ganidas por cantores trajados de luto, ao
som de instrumentos plangentes e monótonos.12
O único que, talvez por capricho de contradizer o
ambiente e instinto de refilar, resistia a esta choradeira
pegada, era o nosso João que, em virtude duma contínua
ostentação de bravata alegre e teimosa na luta, todos
conheciam por João Sem Medo.
Ora um dia, farto de tanta chorinquice e de tanta
miséria que gelava as casas e cobria os homens de verdete,
disse à mãe que, conforme a tradição local, lacrimejava
no seu canto de viúva:
– Mãe: não aturo mais isto. Vou saltar o Muro.
A pobre desatou logo aos berros de súplica que abalaram
o Céu e a Terra:
– Ah! não vás, não vás, meu filho! Pois não sabes que
essa Floresta Maltida está povoada de Canibais Mágicos
que se alimentam de sangue de homens? Sim, meu filho, de
sangue humano bebido por caveiras. Não vás! Não vás!
Preferiam choramingar, os maricas!,
agachados em casebres sombrios, enquanto lá por fora
chovia com persistência implacável (como se as nuvens
estivessem forradas de olhos) e dos milhares e milhares
de chorões – as árvores predilectas dessa gente – pingavam
folhas tristes. Tudo isto incitava os habitantes da
aldeia a andarem de monco caído, sempre constipados
por causa da humidade, e a ouvirem com delícia canções
de cemitério ganidas por cantores trajados de luto, ao
som de instrumentos plangentes e monótonos.12
O único que, talvez por capricho de contradizer o
ambiente e instinto de refilar, resistia a esta choradeira
pegada, era o nosso João que, em virtude duma contínua
ostentação de bravata alegre e teimosa na luta, todos
conheciam por João Sem Medo.
Ora um dia, farto de tanta chorinquice e de tanta
miséria que gelava as casas e cobria os homens de verdete,
disse à mãe que, conforme a tradição local, lacrimejava
no seu canto de viúva:
– Mãe: não aturo mais isto. Vou saltar o Muro.
A pobre desatou logo aos berros de súplica que abalaram
o Céu e a Terra:
– Ah! não vás, não vás, meu filho! Pois não sabes que
essa Floresta Maltida está povoada de Canibais Mágicos
que se alimentam de sangue de homens? Sim, meu filho, de
sangue humano bebido por caveiras. Não vás! Não vás!
As Aventuras de João Sem Medo
José Gomes Ferreira
(que não o editor de economia da sic! Coitadinho!)
A merda atrai irresistivelmente.
Quando alguém pisa merda tem mesmo de olhar para os sapatos, apesar de já saber o que lá está.
Quando damos com um acidente na estrada, temos mesmo de olhar para fazer o orçamento da reparação.
A merda atrai.
É por isso que votam na merda do passos e portas (minúsculas propositadas)
Na Grécia o povo é sábio, democrata e temos de respeitar as suas escolhas. Aqui o povo é estúpido, masoquista e não sabe (e como tal, nem devia) votar. Aparentemente, o conceito e o valor da democracia difere conforme as geografias! De facto, a merda atrai e este blog é um bom exemplo disso!
Uma coisa é respeito pela liberdade dos outros, outra coisa é respeito pela opinião dos outros. E há muita opinião por aí que não vale nada.
Agora fico preocupado com o que este comentário do Calvin possa atrair.
Tens toda a razão, estes portugueses são uns broncos. Anda aqui o Aventar a fazer oposição há uma porrada de tempo e estes brutos do povo não atingem. Esta democracia não presta, temos que arranjar outra. Ou outro povo, Ou acabar com a democracia.
Nestas pequenas coisas se nota a natureza das pessoas e o Aventar está a ficar fedorento de estalinista, fascista e o raio que o parta…
Ora essa, cada um vota onde quer, nem outra coisa é dita. E cada um é livre de gostar do que quiser.
A resposta não está no creme… está num problema que nos afecta, Portugueses, de forma estrutural: somos um povo que sofre de perda de memória a longo/médio/curto prazo… a comprová-lo os depoimentos na CPI acerca do BES ou do GES (já não me lembro…), nos quais os super-hot-shot-hiper-mega gestores premiados e internacionalmente integrados nas listas dos mais ricos e bem sucedidos empresários mais não têm feito que apresentar a sintomatologia… “não me lembro, não tenho ideia…”
E depois, nós, fazemos o mesmo…
Afinal, os exemplos vêm de cima… mesmo que o “de cima” se coloque – ou tenha sempre estado, não me lembro bem – mais abaixo, na dignidade, que infectos insectos rastejantes…
Muito oportuna esta sondagem, exactamente quando dentro e fora mais os acusam de se colarem ao alemães e de serem mais troikistas que a coisa “Troika”. O serventilismo dos “medias” corporativistas não é nada de desvalorizar, pois conhecem bem a falta de criticismo do tuga, da sua incultura e da facilidade com que se deixa enganar. Logo, a Manipulação dos “media” é fundamental a estes pulhíticos…
Basta!