a história de passos, o sortudo

Já diz o ditado popular que os impostos são tão certos como a morte. Retirando a palavra impostos, colocando a palavra contribuições, o milagre segundo são pedro é difícil de explicar.
Todos os meses, mais tarde ou mais cedo as contas hão-de bater que nem mísseis nos nossos costados. Umas, de forma involuntária, com cariz coercivo, escondidas por detrás de um contrato social de difícil descodificação que estabelecemos com o estado na nossa folha salarial. Nunca nos foi perguntado se queríamos pagar impostos para receber bens e serviços do estado, sempre nos foi exigido como uma norma de conduta comunitária. Outras, de forma voluntária através da figura jurídica do contrato-adesão. Se queres o serviço de um privado, ou aceitas, pagas e tens ou não aceitas e não tens.
O milagre segundo são Pedro é esquisito e ao mesmo tempo irónico. São Pedro desconhecia a dívida porque, vá-se lá saber houve uma falha de um sistema informático. O sistema informático não sabia da dívida porque são Pedro nunca teve um poiso de empregabilidade muito certo e, digamos, muito achatado com as leis deste país. Mas são Pedro agiu contrariamente aos moldes de actuação do típico português. Como não sabia e a dívida prescreveu, ao contrário de assobiar para o lado enquanto saboreava o raro momento de roubar o estado (toda a gente sabe são coisas que só acontecem uma vez na vida) foi lá pagar a dívida porque sabia perfeitamente que dadas as suas aspirações políticas e as suas precárias condições de vida aquele dinheiro nem lhe iria fazer falta e poderia ser o móbil que deitaria por terra na altura alguma ambição bem escondida no armário.
Tal episódio pertence às séries dos contos de crianças, ‘faz o que eu digo mas não faças o que eu faço’, ‘esta gente não tem vergonha nenhuma e a austeridade-veio-para-ficar 2.0. E ficará manchada num currículo já por si dúbio, de pormenores recambolescos em que um cidadão consegue passar uma vida a mamar do estado ou a roubá-lo sem qualquer impunidade. O mesmo não acontece com o cidadão comum, o desgraçado a quem não são cometidos erros nem falhas, fiel pagador sob o gume da lâmina dos arrestos e penhoras, honesto trabalhador para a res pública.

Comments


  1. Falhas no sistema informático. É isto que me deixa revoltado! Vigarizam-nos e ainda se esforçam por nos fazer passar por imbecis. Para mim, o descaramento está no facto de nunca ter sido remetida ao senhor uma notificação, da parte dos cães pisteiros da Segurança Social. Farejam o rico e perseguem o pobre.
    Quando se procura enganar alguém de forma despudorada, as desculpas são sempre as mesmas: «Não me lembro» ou «Foi um erro no sistema informático». Justificações dignas de uma criança da pré-escola.

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