Eleições e fraudes na comunicação social

11412028_10207189971693907_3679697022700594481_oPorque a CNE às vezes, muito poucas, acorda e aplica umas multas a quem não cumpre a lei eleitoral, anda a nossa comunicação social muito pressionante para que a lei seja alterada (e se for preciso a Constituição também).

Na cabecinha dos donos da comunicação as coberturas das campanhas deveriam apenas e somente estar sujeitas ao que chamam “critérios editoriais”.

Pois ontem tivemos uma boa, embora repetida, amostra do que é um critério editorial unânime: a CDU organiza uma marcha em Lisboa onde terão estado 100 000 portugueses. Vejam as capas dos jornais de hoje, que eu ontem passei os olhos pelas transmissões televisivas (onde assisti a uma outra anedota: interromper o directo da intervenção de António Costa na Convenção do PS para um tal de Cavaco Silva repetir as suas banalidades habituais). Adenda: os telejornais fizeram mais do mesmo.

É assim que se fazem eleições em Portugal: concorrentes há dois, depois mais uns dois que não interessam para nada, os restantes concorrentes, esses, para o discurso único dominante, são mero folclore.

Claro que assim o ciclo vicioso da alternância continua viciado. Chamem-lhe democracia, eu acrescento: discretamente mas muito musculada.

A fotografia é da Elisabete Figueiredo, que é uma rapariga plural de esquerda e também foi.

Comments


  1. Será que os unicórnios também se vão indignar com estas capas como fizeram no dia em que a reeleição de David Cameron foi remetida para segundo plano?


  2. obrigadinha por me chamares plural de esquerda (o que é verdade, absolutamente)… mas especialmente por me chamares ‘rapariga’ 😀


  3. Não convem desagradar aos futuros patrões; o seguro morreu de velho.

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