Joana de Vasconcelos e a produção em série

Evitei comentar aquela coisa da autoria de Joana Vasconcelos que ontem Passos Coelho inaugurou no Portugal dos Pequenitos. Sucede que a minha amiga (e colega no tempo em que fazia disparates no mundo da História da Arte) Carla Alexandra Gonçalves descobriu isto:

Temos portanto, e pelo menos, a quarta versão do mesmo bule. Pode fazer sentido, por duas razões.
A primeira é estilística: Joana Vasconcelos basicamente e de uma forma muito básica mergulhou na Pop Art dos anos 60 e emergiu com falta de ar numa versão kitsch, que aqui significa mesmo mau gosto, ou seja, à medida da parolice dos nossos governantes que tanto a acarinham. E nesse sentido vislumbro aqui o resultado de dois neurónios que se atropelaram na contemplação de uma conhecida obra de Warhol entretido com latas de sopa.
A segunda é financeira: à quarta deve ter saído mais barato.

Enquanto Bissaya Barreto dá uns pontapés no caixão, Cassiano Branco fica mais que perdoado.

Comments

  1. Aventanias says:

    Sempre me saíste um granda Andy Parholo, só comparável às execráveis opções políticas da JV


  2. Pessoalmente não sou admirador da Joana Vasconcelos, apesar de a saber conhecida não só em Portugal como no estrangeiro, aliás conheço pessoalmente curadores de arte contemporânea no estrangeiro que do nosso País só conhecem esta artista e que são bem cotados no seus Estados.
    Agora acho piada que também no reino da cultura, quando politicamente não se manifesta simpatia por determinadas ideologias, os correlogionários destas passam a vida a denegrir esses artistas.
    Faz-me lembrar aquele escritor nacional, apesar de lhe reconhecer grande qualidade, que numa entrevista dizia que para se ser Escritor tinha de se ser de esquerda. Algo que não concordo de todo e também nas artes plásticas também não compartilho a ideia.


    • Por acaso nas artes é costume que os artistas do regime sejam o espelho do regime. Tradições.
      E o melhor, para mim, escritor do séc. XX era de direita, e da extrema. Do regime é que nem por isso.


      • A verdade é que Joana Vasconcelos já era famosa antes da troika, foi quando me falaram dela no Estrangeiro e o regime não era o atual…


        • Famosa é uma coisa, artista do regime, ainda por cima em exclusividade, é outra. Enquanto a muito mais famosa Paula Rego é maltratada.


          • Pois, pela casa das histórias foi, mas talvez porque correriam o risco de se lhe dessem oportunidade ela aproveitar a oportunidade para reagir contra o poder, já tem sido assim com outras pessoas da cultura quando da distribuição de reconhecimentos,


  3. A Joana Vasconcelos é admirada porque é fácil e vistosa. É a nossa “Tony Carreira” das artes em versão tecno-moderaça… Por isso é que a malta com pretensões de “bom gosto” a adora.


  4. Acho que é a obra mais conseguida de Joana Vasconcelos. Conseguiu transformar o Coelho na lebre de Março e ela própria no chapeleiro louco.

  5. Briosa says:

    Vi


  6. Há ainda uma terceira razão: os responsáveis pelos museus das fotografias gostarem tanto da Joana Vasconcelos e acharem as suas obras tão relevantes que decidiram ser boa ideia gastar dinheiro a encomendar e adquirir os chamados “bules”. Tudo gente de mau gosto. O que vale é que para lavar as vistas podemos sempre ir até ao Parque Eduardo VII ver o belo Monumento ao 25 de Abril.

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