Doar e levar

Hoje é Dia Mundial do Doador de Sangue. Os noticiários informam, com alguma surpresa, sobre a diminuição das dádivas e pergunta-se pelas razões. Isto num país onde nunca faltou a generosidade neste domínio. Permitam-me lembrar-vos que este assunto foi um dos primeiros sintomas de que os portugueses elegeram um governo de gente com a consciência e a sensibilidade social de uma alforreca. Uma das primeiras medidas que ocorreu a estes celerados foi a de suspender a isenção de taxas moderadoras aos dadores de sangue, insignificante benefício de que usufruíam, cuja natureza era praticamente simbólica e irrelevante do ponto de vista financeiro. Ninguém, como é óbvio, dava sangue por esta razão, nem os doadores se movem por razões tão mesquinhas. Mas, até por isso, têm todas as razões para se ter sentido ofendidos e insultados pela medida da corja governante. Mas não nos surpreendamos. A má gente que nos governa, quando ouve falar em doar, puxa logo da pistola. É que eles simplesmente não compreendem. Por isso, as suas mentes tacanhas agridem sem hesitar o que lhes é estranho. Neste caso, o que é bom. O que é pura generosidade.

Comments

  1. Konigvs says:

    Não dou por dois motivos:
    Num sistema capitalista nada se dá, tudo se vende.
    Depois, neste país quem tem um cu não pode dar sangue, logo, estando eu munido de um, estou legalmente impedido de o fazer.


  2. Os dadores de sangue estão, como sempre estiveram, isentos de taxa moderadora em centros de saúde… Só tem que dar sangue duas vezes por ano ou 10 vezes (acho… não tenho a certeza) durante a vida toda.


  3. O post que trata dum assunto bem importante, e que os portugueses dão cartas aí pelo mundo, pela positiva da sua solidariedade, merece que se reflita (sem as nitidas trincheiras eleitorais) sobre o que devemos fazer para manter esta solidariedade que como é logico tem os seus porques. Como se processa a doação de sangue no contexto duma operação carissima em que anestesista custa x, operador custa y e restantes elementos de despesa? é que o sangue foi dado; continua a ser dado ou apareceu no meio um digno xicoesperto que inflacionou o preço em dois mil %? Segundo sei vai ser publicado uma reportagem de investigação sobre o plasma e o desperdico que é a nossa ineficiencia publica.

  4. João Rainha says:

    Quando este bando de celerados, pelos tostões das taxas moderadoras nos serviços de urgência dos hospitais impõem taxas aos dadores esquecem-se de uma coisa … tão só a consciência social, pois eles não a têm.
    Dou sangue há mais de 30 anos, vou continuar a fazê-lo, pois se posso ajudar, ajudo, apesar de não votar (15 anos) na suinicultura que é a classe politica nacional.
    Mas a nossa mentalidade de ir ao médico quando doí, tem que mudar e aí, tenho a isenção no Centro de Saúde em consultas médicas e também na esmagadora maioria dos exames médicos, só me custa 450 ml de sangue de 3 em 3 meses, o que faço porque posso e quero, quantas vidas possa ajudar a salvar, estou nessa.

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