Quo vadis Grécia? – II

Com posições extremadas dificilmente seria possível alcançar um acordo sem que alguém perdesse a face. A Grécia está como qualquer devedor obrigada a respeitar os compromissos assumidos ou entrará em incumprimento, com tudo o que isso acarreta para o futuro. A única janela possível para um entendimento futuro será uma vitória do SIM em referendo, que as primeiras sondagens parecem projectar, o que permitiria mesmo que falhem o pagamento ao FMI na próxima terça-feira, solicitar o retorno à mesa das negociações. Mas caso esse hipotético cenário se verifique, terá a Grécia governo no dia 6? É que um SIM implica aceitar austeridade, o que deita por terra o programa do Syriza, obrigando Tsipras, Varoufakis e seus pares a governarem com um programa diferente do que apresentaram ao eleitorado e com o qual não concordam. Uma eventual vitória do NÃO significa a saída da moeda única, mas agora legitimada pelos gregos. O que agradará a boa parte do Syriza. A convocação de referendo foi uma forma de resolver em definitivo o impasse, mas também uma jogada arriscada por parte de Tsipras que decide a sua carreira política e talvez até a sobrevivência do próprio Syriza.

Comments


  1. o único voto que interessa é o não. E abrir as fronteiras às centenas de milhares de africanos e asiáticos que estão encurralados nas fronteiras. Como acontece em itália.

    tudo o resto é poesia.


  2. veremos como reage a alemanha à chegada de centenas de milhares de africanos e asiáticos quando tem uma lei que expulsa desempregados com 6 meses.


  3. O post é um bocado confuso e entra em subtis “inverdades”.

  4. Aventanias says:

    Este post e óbvio em tentar agradar a gregos e a troianos.


    • O que eu posso pensar ou defender é irrelevante. Alguns dos que habitualmente me lêem conhecem o meu pensamento. A maioria no entanto apenas lê na diagonal e vê o que quer ou é capaz de entender…


  5. Passa um pouco ao lado do ponto central (na minha opinião). Assumir como viável e legítimo referendar questões referentes à dívida e aos processos europeus em vez de dar uma carta branca a governos e instituições tecnocráticas pouco ou nada democráticas. Isto cria um precedente que coloca a nu as bases que nos governam há décadas. Veremos o que sobrevive.


  6. As sondagens são anteriores ao anúncio do referendo. O encerramento dos bancos é pura chantagem do BCE, que tinha obrigação de cobrir a liquidez dos bancos, é para isso que serve, é isso que faz aos restantes bancos do euro.


  7. Comentários do tipo: ” (…) mas também uma jogada arriscada por parte de Tsipras que decide a sua carreira política e talvez até a sobrevivência do próprio Syriza” contêm em si uma subversão da ideia de “Política”: pressupõe que o seu objetivo é a sobrevivência dos partidos. Ora, aquilo que a convocação do referendo tem de meritório e que a distancia da “política” comum é devolver ao povo a possibilidade de decidir o seu futuro, sem pensar no futuro do Syrisa.

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