Hoje, em dia de protesto dos taxistas contra a Uber…

… tenho a dizer que os apoio e não os apoio.

taxi

Apoio, porque o que a Uber está a fazer é competição desleal. Um taxista precisa de ter carta de profissional, está obrigado a licenças diversas, tem que realizar inspecções automóveis específicas e paga diversos impostos sobre a sua actividade comercial. A nada disto está a Uber sujeita. É apenas uma mundialização do trabalho precário, sem os encargos a que os restantes estão sujeitos. Se a Uber quer estar no negócio, tem que jogar pelas mesmas regras que estejam em vigor para o transporte de passageiros.

Mas também não apoio os taxistas por causa dos diversos truques que praticam para enganar os clientes. O mais recente deles consiste em ter carros nos aeroportos que têm lotação superior a quatro lugares e que, por isso, são bem mais caros. É vê-los nas chegadas na Portela, por exemplo, às vezes em igual número aos restantes táxis de quatro lugares, a levarem um único passageiro e sem que este seja avisado de que irá pagar mais do que o que precisa pelo serviço. Sim, está um discreto aviso colado na vidro do carro. E quem não lê, azar. É isso, não é, ó xicos espertos dos truques? Eu quando me calha um desses na rifa, simplesmente digo que não vou e chamo um carro normal. Ainda não houve uma única vez em que não fosse mal tratado por o fazer.

Comments

  1. R.J. says:

    ” Se a Uber quer estar no negócio, tem que jogar pelas mesmas regras que estejam em vigor para o transporte de passageiros ” ?

    Se as regras não fossem alteradas de vez em quando ainda hoje pagaríamos tributo a Roma pela via Lusitanorum.

    Há que evoluir. Já aluguei a minha casa pela Airbnb, já fui chofer da Uber, já vendi coisas no Ebay. Acredite que me sinto muito mais livre de que quando era escravo de um trabalho que por sinal não era precário.

    • j. manuel cordeiro says:

      «Se as regras não fossem alteradas de vez em quando ainda hoje pagaríamos tributo a Roma pela via Lusitanorum.»

      Creio que não terá percebido o que escrevi. Eu não falei em proibir que as regras se mudem mas sim que as regras sejam as mesmas para todos. Se não, que sentido faz um taxista estar sujeito a toda aquela carga burocrática e fiscal e outros operadores não estarem? Se as regras devem ser mudadas? Isso não sei. Mas admito que estarão sujeitas à mudança, como tudo na vida.

      • R.J. says:

        A carga fiscal é idêntica para a Uber e para os taxistas.
        A carga burocrática depende dos governos.
        A Uber tem melhor serviço, mais barato. São mais educados, é mais simples, é mais cómodo.

        Por que carga de água eu consumidor hei-de suportar do meu bolso os trespasses milionários dos taxis e os xulos dos donos da maioria dos taxis bafientos que os alugam miseravelmente à percentagem a condutores sem qualquer preparação ? Isto sim é que é desleal para o cidadão.

        A evolução vai sempre à frente da burocracia. É a “infraestrutura” da sociedade, a exercer influência direta na “superestrutura”.

        Bem vinda a nova economia livre de muitas das antigas amarras.

        • j. manuel cordeiro says:

          “A carga fiscal é idêntica para a Uber e para os taxistas.”

          Talvez esteja errado, mas creio que a Uber não está sujeita a licenciamento (que se traduz em impostos) como os restantes profissionais.

          “A Uber tem melhor serviço, mais barato. São mais educados, é mais simples, é mais cómodo.”

          Imagino que haverá de tudo, tanto de um lado como do outro. Não acredito nas visões maniqueístas.

          No geral, podendo escolher, todos preferirão não pagar impostos (excepto os suíços, que ainda recentemente num referendo decidiram aumentar a taxa de SS para assegurar a respectiva sustentabilidade). Mas a questão é que existindo um quadro fiscal, esse deverá ser igual para todos. Básico. Podemos é considerar que esse quadro fiscal não faz sentido e precisa de ser revisto – para todos.

  2. R.J. says:

    Quem tem isenção de Imposto de circulação (IUC) são os taxis.
    Quem tem redução de Imposto automóvel (ISV) são os taxis.
    Os automóveis da UBER não têm estas benesses.

    E cá para mim a maioria dos condutores de taxis também são trabalhadores independentes, como são os da Uber. Quem hoje se manisfestou foram, na sua maioria, os patrões entricheirados à sombra da Antral banana.

  3. ferpin says:

    Interessante.
    Não tinha pensado nisso, mas na realidade no que toca ao IUC e ISV na realidade os taxis estão isentos e os uber não.

    O que sei é que o uber passa um recibo com nif português aos seus utilizadores. Todos.

    Já nos taxis, quando uso, pouco, peço recibo e sou olhado de través. Presumo que muitos utilizadores não peçam recibo.
    Gostava de saber se os taxistas conseguem fugir ao fisco com as viagens feitas em que não é pedido recibo. Alguém sabe?
    Informe.

    É que se o Uber está legalizado para transporte, passa recibos, paga impostos em portugal, paga IUC e ISV e os taxis não, só encontro uma única explicação para o estado ter proibido o uber em portugal… cagaço das manifs dos taxistas.

    Agradeço que quem tenha melhores informações diga, para formarmos opiniões o mais abalizadas possível. Entristece-me a maneira como se opina tanto e tão veementemente sem se saber dos assuntos.

    • j. manuel cordeiro says:

      “Já nos taxis, quando uso, pouco, peço recibo e sou olhado de través.”

      Não partilho desta experiência. Muito pelo contrário, pergunta-me sempre se preciso de factura.

      “Não tinha pensado nisso, mas na realidade no que toca ao IUC e ISV na realidade os taxis estão isentos e os uber não.”

      Atenção que táxis pagam outros impostos que não estes. Há a questão do licenciamento. E há a questão da carta de condutor de profissional e as inspecções às viaturas.

      A Uber não está a operar nas mesmas circunstâncias do restante sector.

  4. ferpin says:

    Ah, e já fui alvo, no aeroporto do porto dum desses taxis mais caros, para levar 2 pessoas e 2 malas ryanair.
    Como é lógico, senti-me… comido.
    Claro que é só uma vez na próxima já sei.

    Aliás, nas vezes seguintes usei o metro, tenho que esperar, mas ao menos não sou comido por um taxista.


  5. Uma coisa é a atitude de muito taxistas que praticam actos desonestos, como em todas as profissões. Quem nunca foi enganado por oculistas, dentistas, etc.? Um taxista tem a sua actividade controlada pelo taxímetro.
    O UBER é moderno e giro e dá uns trocos. Dá. Mas quando começarem os abusos quem é responsável? ´
    Para mim é mais uma moda. Tudo muito bonito ao principio, depois aparecem as queixas, e pedidos de regulamentação, etc. É como os drones. Está um tipo a namorar tudo contente na praia até que aparece um “mosquito” que não desempara a loja. Que fazer se as imagens mais tarde aparecem na net?


  6. “No caso da UBER, além de não pagar impostos, não pagar contribuição para a segurança social, não pagar o PEC, não pagar IRC, nem IVA, como pagam os táxis, os veículos não são inspecionados especialmente para o desenvolvimento da atividade de transporte de passageiros como são obrigatoriamente os táxis, os trabalhadores não têm certificado de aptidão e registo no IMT como os motoristas de táxi, os veículos não têm seguros especiais com cobertura alargada como os táxis nem estão licenciados para a atividade e os valores cobrados não são alvo de aprovação junto da DG Atividades Económicas como os táxis.”

    Fico à espera que alguém refute o acima descrito.

    Maus profissionais existem em todas as profissões; fuga às obrigações decorrentes de uma actividade empresarial sempre as houve e vão continuar. Ainda temos na memória a Tecnoforma.


  7. Alem de apoiar o post, ainda penso que na base está uma luta desigual que é sempre (a longo praso perdida) de quem quer manter “rendas” garantidas. O facto da Uber não ser reconhecida e não pagar os impostos, nem se pode dar as culpas a eles; mas a violência dos opositores não tem a ver com isso, mas sim com o quererem proibir o seu “rebanho” de escolherem outra alternativa E isso é condenável e mostra como tantos anos apos o 25 abril o corporativismo ainda não abandonou as mentes dos retogrados; vão caminhando de vitoria em vitoria até a derrota final ,mas pelos caminho fazem grandes estragos e ficam impunes!!!

  8. alexandre says:

    …a mim tenho alguma dificuldade em perceber algumas coisas!!por Ex: os TUC TUC que invadiram a baixa de Lisboa e não só neste momento que tipo de transporte fazem??não é o mesmo Táxis e veículos de letra A!!! os veículos de letra A(viaturas com motorista) igual táxis!!com taxas mais altas que a muito operam em Portugal!!Os táxis durante décadas foi uma mama para muitos mas as coisas tendem a mudar, sempre tiveram regalias em que o estado lhes paga os carros mesmo assim centenas deles circulam com dezenas de anos em Lisboa,temos aqui um problema da classe em si…a falta de formação….nos quais muitos centenas trabalham umas horas e ganham 35% das bandeiradas diárias!!a classe muito envelhecida e sem formação e cheios de truques e manhas!!

  9. lcffonseca says:

    Os taxis deveriam ser só de 4lugares e não carrinhas que fazem serviço coletivo

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