A carta de Passos a Sócrates na íntegra

Era previsível que apareceria. A prova de que o PSD não chamou a troika mas desejou-a. Aliás, toda a oposição desejou eleições, quando chumbaram o PEC IV, mesmo que isso significasse a vinda da troika. É bom recordar.
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Comments

  1. j. manuel cordeiro says:

    http://www.publico.pt/politica/noticia/a-carta-de-passos-a-socrates-na-integra-1707899

    Confidencial

    Gabinete do presidente

    Senhor primeiro ministro

    “Recebi hoje informação, da parte do senhor Governador do Banco de Portugal, de que o nosso sistema financeiro não se encontra, por si só, em condições de garantir o apoio necessário para que o Estado português assegure as suas responsabilidades externas em matéria de pagamentos durante os meses mais imediatos. Ainda esta manhã o senhor Presidente da Associação Portuguesa de Bancos transmitiu-me idêntica informação.

    Estes factos não podem deixar de motivar a minha profunda preocupação.

    Não desconheço que o Governo tem repetidamente afirmado que Portugal não necessitará de recorrer a qualquer mecanismo de ajuda externa e é certo que a competência pela gestão das responsabilidades financeiras do país cabe por inteiro ao Governo.

    Não disponho de informação sobre as acções e diligências que o Executivo estará a desenvolver para assegurar o cumprimento dessas obrigações. Porém, é do conhecimento público a situação do mercado que a República vem defrontando, desde há vários meses a esta parte, bem como o facto de o sistema bancário se encontrar sem acesso ao mercado desde há mais de um ano.

    Atenta a especial sensibilidade desta matéria e as gravíssimas consequências que decorriam para o nosso país de qualquer eventual risco de incumprimento, é essencial que o Governo garanta, com toda a segurança e atempadamente, adopção das medidas indispensáveis para evitar tal risco.

    Nestas circunstâncias, entendo ser meu dever levar ao seu conhecimento que, se essa vier a ser a decisão do Governo, o Partido Social Democrata não deixará de apoiar o recurso aos mecanismos financeiros externos, nomeadamente em matéria de facilidade de crédito para apoio à balança de pagamentos.

    Considerando a extrema relevância desta matéria, informo ainda que darei conhecimento desta carta confidencial ao senhor Presidente da República.

    Com os cumprimentos,

    [assinatura]

    Pedro Passos Coelho

    Lisboa, 31 de Março de 2011

  2. joão lopes says:

    passos exigiu a presença da troika…e só por o “publico” mostrar algo que já toda a gente sabia,bastou para enfurecer ate á loucura as hostes laranjas.veja-se a figura patetica dos “comentadores” ligados ao Paf:helena matos,ze fernandes,rui R ,otario ribeiro,etc…

  3. Rui Silva says:

    Gostei de ter acesso á carta e fiquei positivamente surpreendido com a visão e postura responsável demostrada por Passos Coelho nesta carta.
    Comparo a postura do Dr. Passos Coelho equivalente á do Dr. Mário Soares, que no dia do lançamento do seu livro “Um Politico Assume-se” explicou que teve que “ralhar” com Eng. José Socrates para o chamar á realidade e pedir ajuda ao FMI.

    Cumps

    Rui SIlva

    • j. manuel cordeiro says:

      O seu tempo para comentar aqui e noutros lados é impressionante. Pode-se saber o que faz?

      • Rui Silva says:

        Devo fazer o mesmo que o meu amigo, dada a velocidade com que os lê…

        cumps

        RS

        • joão lopes says:

          você trabalha para o Paf,dada a forma como responde:ainda bem que aproveitou para tirar o “curso” em castelo de vide…cump. á maria luis!

        • j. manuel cordeiro says:

          Estava a pedir uma respostas dessas 🙂
          Chama-se telemóvel à hora de almoço.

  4. Joaquim Amado Lopes says:

    Facto 1: Quando “A” tomou conta da casa, esta tinha um alto risco de incêndio;
    Facto 2: Depois de tomar conta da casa, “A” começou a acender fogueiras dentro da casa o que, aliado a temperaturas elevadas, baixa humidade e muito vento, provocou um incêndio;
    Facto 3: Perante os sinais de que a casa estava a arder, “B” disse a “A” que apoiaria uma eventual decisão deste de chamar os bombeiros;
    Facto 4: “A” recusou-se a chamar os bombeiros até ao limite mas acabou por o fazer;
    Facto 5: Quando os bombeiros chegaram, ainda era “A” o responsável pela casa, esta estava a arder e a um passo de ser totalmente destruída pelas chamas;
    Facto 6: Já com “B” responsável pela casa e com a ajuda indispensável dos bombeiros, foi possível controlar o incêndio;
    Facto 7: Partes da casa foram danificadas pelas chamas e outras partes pelos bombeiros para chegaram às chamas e pela água usada para as apagar;
    Facto 8: O incêndio está controlado mas ainda não está apagado, embora algumas das partes danificadas já estejam a ser reparadas;
    Facto 9: “A” passou o tempo todo a meter-se no caminho de “B” e dos bombeiros e promete que, se voltar a tomar conta da casa, a volta a incendiar.

    Como “C” conta a história:
    Os bombeiros chegaram e a casa estava a arder portanto os danos só aconteceram porque os bombeiros foram chamados;
    “B” disse que apoiava “A” se este chamasse os bombeiros portanto “B” queria que os bombeiros viessem para que a casa fosse danificada.

    • j. manuel cordeiro says:

      A analogia é gira. Mas parece que a ideia inicial era acabar com umas gorduras que estavam a queimar na frigideira, onde B dizia que estava o fogo. Afinal deixou-as lá ficar e acabou por ir ao frigorífico buscar as fêveras.

      O resultado foi que os bombeiros (ou os que actuaram em nome deles) acabaram por usar gasolina para apagar o fogo e este aumentou consideravelmente. Pelo caminho veio uma carga de água vinda dos lados do BCElândia e que desabou na casa. Por fora parece que o fogo se extingui, mas por dentro continua a arder. Basta que a BCElândia seque e lá virão as labaredas queimar tudo de novo.

      Quanto a quem chamou os bombeiros, foram todos, menos o A. Este teimava que tinha um plano para usar uns tanques de água para ir apagando o fogo. Parece que na floresta da espanholândia funcionou. Mas cá houve uma tal bancolândia que queria encher os seus tanques vazios e fechou a torneira.

      • Rui Silva says:

        Caro JM Cordeiro,

        Eu pensava que você era contra a “austeridade”. Mas afinal andava enganado. Você é contra a “austeridade” se vier do PSD/CDS mas se vier do PS(Pec’s) , já é a favor.
        E essa de comparar a situação economia da Espanha e de Portugal, assim sem mais ,também está muito boa.

        NB: Também em Espanha, o governo que tirou o pais da zona perigosa não foi o governo que a conduziu a essa situação.

        cumps

        Rui Silva

        • j. manuel cordeiro says:

          Como assim, por causa da analogia que continuei? Ora, ora, será melhor ler os meus posts antigos, do tempo do sócras

          A minha historieta é uma espécie do que é que se passou e não aquilo que eu defendo ou deixo de defender.

        • Joaquim Amado Lopes says:

          Rui Silva,
          “Mas parece que a ideia inicial era acabar com umas gorduras que estavam a queimar na frigideira”
          “O resultado foi que os bombeiros (ou os que actuaram em nome deles) acabaram por usar gasolina para apagar o fogo”
          “Quanto a quem chamou os bombeiros, foram todos, menos o A.”
          Na primeira resposta, o “C” estava a tentar ser irónico. Mas o resultado foi tão desastrado que até ele próprio se levou a sério.

          • j. manuel cordeiro says:

            Espero que esse C não seja eu. Ora, ora, não mereço tamanha honra vindo de tão reputado cronista. Mesmo quando experimenta escrever histórias da carochinha com factos (cof, cof) dignos de uma universidade (cof, cof) de Verão.

    • Rui Silva says:

      Gostei da analogia. Está mesmo boa.

      cumps

      Rui SIlva

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