Overdose

“Política (…) denomina-se a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados” (Wikipedia); Ou: “Política é uma actividade orientada ideologicamente para a tomada de decisões de um grupo para alcançar determinados objectivos. Também pode ser definida como sendo o exercício do poder para a resolução de um conflito de interesses. A utilização do termo passou a ser popular no século V a.C., quando Aristóteles desenvolveu a sua obra intitulada precisamente “Política””. (http://conceito.de/)

Tendo notado que estou a ficar crescentemente enjoada de tanto argumento usado – tanto por uns, como por outros – conforme convém no momento, de tanta demagogia, de tanta roupa suja lavada incessantemente, meti-me a pesquisar sobre o termo “Política”, para saber realmente de que é, ou de que deve ser composta. Escolhi as definições supracitadas que me pareceram bem claras, mas se calhar teria de me dedicar a isto mais aprofundadamente – confesso desde já a minha ignorância. Certo é que uma parte dela é o exercício do poder; não menos certo é que, com isso, visa a tomada de decisões para a organização, direcção e administração de um Estado. Nada é dito sobre abocanhar o poder e não o largar.

Acabo de verificar que me falta a fibra dos verdadeiros políticos e seus comentadores, pois confesso que estou desejosa de que passemos à fase seguinte, do período em que possa entrar em acção a parte construtiva do que é a Política, das decisões que vão – espero – repor, o quanto possível nesta realidade entrosada, a justiça social. Realidade essa, por sua vez, a configurar, tanto a nível nacional como europeu – neste caso.

Claro que a retórica, a controvérsia, a negociação são necessárias e fazem parte – a própria palavra parlamento vem do francês parler, portanto “falar” ou “discursar”.

Mas, sinceramente, neste momento histórico sinto-me, por overdose, a resvalar entre a politiquice e a política.

Comments

  1. politologo says:

    Note-se que estamos perante um SISTEMA Politico Democratico Decadente ( abstenção em 1976:8%; em 2015 : 44% ) , Distorcido (O PS tem mais votos do que o PSD , mas este tem mais deputados (89) do que o PS (86) ; O PCP tem mais votos (445.980) do que o CDS (351.868) , mas este tem mais deputados (18) do que o PCP (17) !…O PCP e o BE tem mais votos do que a bengala do CDS !… E não se entende a diarreia politica que por alastra pois não pode haver eleições para a AR antes da dissolução da actual AR a qual não poderá ser antes de 5 de Abril . E eleições para 5 de Julho , E durante 5 de Abril até 5 de Outubro não pode haver eleição para PR . Uma forma indirecta de ACS prorrogar o seu mandato que terminaria em 3 de Março…E a coligação já sonha (e faz por isso) para ter uma maioria absoluta em Julho …Concluindo ,
    Estamos num País de analfabetos(a eterna tragédia do Português e da Matemática) porque : a) não lêem a
    CR ; porque não sabem fazer contas :
    O PS teve a maior receita votos/euros ;
    Porque o PS foi o partido mais votado . Vd . presunção que não pode ser ilidida por o voto ser secreto , contida nos. 1 , 2 e 3 do artigo 5º da Lei nº 19/2003 de 26 de Junho ; Votantes PS = 1.747.685 = 32,31 % ; Votantes PSD = 81.054(Madeira e Açores) + 1.642.053 (Continente) = 1.723.107 = 31,85% ;
    Votantes CDS = 351.868 = 6,5% (inferior a BE e PCP) ;
    O PSD e o CDS , em relação a 2011 , tiveram uma perda significativa de votantes e de deputados ; o PS , em relação a 2011 , teve mais deputados e mais votantes ; e o aumento da abstenção foi à custa do PSD ; o quadro para a coligação PSD/CDS é francamente negativo
    Estamos num País de “maluquinhos”(doença que já dura há quarenta anos) pois agora votamos no A porque não gostamos de B . Amanhã votamos no B porque não gostamos de A , e assim sucessivamente …E como diz Saramago , A e B se alternam nos sucessivos Governos para ver quem rouba mais !… E a final já não há mais nada para vender . Somente em crescendo 230 mil milhões de euros por pagar !…Pobre “tuga”
    E ainda , com o devido respeito , um Pais de Ignorantes que ao fim de 40 anos ainda não conhecem o extra-terrestre que aterrou em Boliqueime com a nossa maior desgraça …


  2. Interessante… a copiar (com o respectivo link) com alguns acrescentos (entre parêntesis), por exemplo:

    … Mas, sinceramente, neste momento histórico sinto-me, por overdose, a resvalar entre a Política e a política /politiquice (a interesseira, dos politiqueiros, ou a ‘baixa política’ dos ‘políticos’ com cargos e ‘responsáveis’ – governantes, deputados e dirigentes partidários-; e também dos ‘responsáveis’ opinadores/ comentadores de tv e jornais; mas excluindo voluntariamente as conversas e actos entre políticos que são cidadãos comuns, i.e. sem ‘cargos político-administrativos’, nem mediáticos, nem com poder económico-social que possa efectivamente controlar ou ‘pesar’ bastante nas decisões e políticas da autarquia, estado, U.Europeia, … e/ou da organização).

  3. J.V. says:

    “estou a ficar crescentemente enjoada de tanto argumento usado – tanto por uns, como por outros – conforme convém no momento” Obrigado por nivelar todos os partidos políticos, os delinquentes que governaram este país durante os últimos quatro anos agradecem. Eles também são capazes de partilhar a sua visão em relação aos eleitores: tudo farinha do mesmo saco, é só enfiar-lhes propaganda suficiente pelos sentidos adentro, que um dia todos votarão em nós.

    • Ana Moreno says:

      Nem pense nem insinue que fiz a apologia da farinha-do-mesmo-saco! se percebeu assim, pois explico melhor: estou desejosa de ver ser aprovada legislação que melhore a vida dos que mais precisam, que não permita vender e privatizar ao desbarato os bens nacionais, que salvaguarde o ambiente e nos livre de OGM e por aí fora. O que estou é um bocado cansada deste limbo tão propício a guerras de Alecrim e Manjerona e que no fundo pouco aproveita. Questões de gosto.

      • J.V. says:

        Concordamos na necessidade de mudança. Mas continuo a chamar a atenção para o actual limbo não ser uma situação isenta, da nos possamos distanciar. Devemos tomar forte parte nela, e defender afincadamente o direito à Esquerda de formar governo. É que convém muito, mas mesmo muito, aos donos disto tudo provar a ingovernabilidade deste país, para que o povo se conforme com protectorados ou situações ainda bem mais retrógradas.

      • Afonso Costa says:

        Mas não existe limbo nenhum. A Constituição é bem clara e o governo PS já deveria ter data de posse marcada. Este estado pré guerra civil é criado pela direita com o patrocínio da comunicação social e apadrinhado pela múmia de Belém. Nunca lhes passou pela cabeça que um dia pudesse e haver entendimentos à esquerda. Pela primeira vez desde 75 a direita vai ser arredada do poder e não suporta essa ideia. Daí o pânico, o desespero e a tentativa de crispar ao máximo uma sociedade em que o analfabetismo político é regra.

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