O município mais pequeno do país em termos de área, São João da Madeira, vai a votos no dia 24 de Janeiro de 2016. O presidente da câmara, Ricardo Figueiredo, revelando-se incapaz de respeitar o mandato que os eleitores lhe emprestaram, anunciou a renúncia de todos os elementos da lista do PSD. É mais um daqueles políticos que não só precisa da ditadura de uma maioria, como ainda aproveitou o momento de indefinição governativa para mostrar serviço ao partido, ao procurar dar substância à tese de ser impossível governar sem maioria.
Essencialmente, um caso que era menor até ontem, quando Marcelo Rebelo de Sousa o usou para justificar a não participação de Passos Coelho e de Paulo Portas na sua campanha eleitoral. Disse o comentador, agora candidato, que seria para não se misturem os planos autárquico e presidencial. Para evitar, se seguirmos essa mesma lógica, o que o comentador Marcelo Rebelo de Sousa fizera meses antes ao tranquilizar os depositantes do BES quanto à estabilidade do banco.
É uma justificação válida ou trata-se de mais um facto político inventado pelo catavento mediático, como lhe chamara Pedro Passos Coelho num congresso do PSD? Não ter os líderes dos partidos que o apoiam na sua campanha é uma má notícia para Marcelo ou um suspiro de alívio?
Ora, Marcelo Rebelo de Sousa, apesar dos aparentes ziguezagues, foi apoiante da PAF, do PSD, de Passos Coelho e de Cavaco Silva. Foi aquilo que se esperava que fosse um militante do PSD, o partido que apenas mobiliza 38% do eleitorado, percentagem demasiado baixa para quem quer fugir ao confronto de uma segunda volta onde a esquerda não esteja dividida.
Neste contexto, Marcelo, qual camaleão político, tem levado a cabo uma estratégia de camuflagem política, passando a mão pelo pêlo da esquerda que apoia o governo e procurando esconder o apoio do partido onde ele é o militante número 3.
Esta justificação mirabolante, na linha de tantas outras que Marcelo spinou anos a fio enquanto comentador, mostra que ele, tal como a generalidade das pessoas, não mudou do dia para a noite só porque agora assumiu a pele de candidato. Não. Marcelo Rebelo de Sousa é o candidato da direita e vai tomar as posições que forem favoráveis à direita, tal como sempre fez até até agora.







Onde se lê “Foi aquilo que se esperava que fosse um militante do PSD, o partido que apenas mobiliza 38% do eleitorado” deve ler-se “Foi aquilo que se esperava que fosse um militante do PSD, o partido que apenas mobiliza 32% do eleitorado”, que é a quota atribuível ao PSD nos resultados eleitorais da coligação, a crer na sondagem de ontem do Expresso!
Obrigado, citava de memória.
recomendo, no caso de São João da Madeira, que não comento só pelo que lê nos jornais.Como sabe, nem tudo o que se lê de ouvido é a realidade.
Quer desenvolver um pouco mais?