A demagogia da letra D em Gaia

psdgaiaVila Nova de Gaia é uma terra fantástica para se viver e só as condicionantes financeiras estão a impedir uma afirmação da sua vitalidade de forma ainda mais visível, apesar do que tem sido feito nos últimos tempos. Não fico, por isso, surpreendido com a posição do PSD nos últimos dias. Até há uns dias, o líder do PSD Gaia era Firmino Pereira, um homem sempre presente na gestão de Menezes e de Marco António. Não se conhece uma única tomada de posição pública sobre o desastre financeiro que essa dupla nos deixou. Antes pelo contrário.

No entanto, o agora senhor deputado, não se inibe de aparecer publicamente com posições, no mínimo demagógicas criticando uma gestão que tem procurado colocar ordem nas contas da autarquia.

O já famoso caso da VL9 para além do absurdo da multa ao Presidente da Autarquia, obriga a Câmara a pagar 13,9 milhões de euros. Ora, qualquer pessoa percebe o peso deste número no orçamento municipal  – são 10%. Publicamente, o PSD veio questionar a decisão de Eduardo Vítor Rodrigues de recorrer a medidas de saneamento financeiro, mas sem fazer, mais uma vez, qualquer referência ao desastre que deixou a todos os que vivem em Gaia.

É um facto: a autarquia tem de pagar quase 14 milhões, mas seriam 30 se EVR não tivesse questionado os critérios para a formulação desse montante. E essa foi a única intervenção do actual Presidente em todo o processo. Ou seja, Firmino Pereira era responsável por uma dívida de 30 milhões que Eduardo Vítor reduziu para 13,9.

No entanto, mesmo esta, continua a ser demasiado grande e é fundamental recorrer a esta “espécie” de empréstimo. E, se, há dois anos, nenhum banco se chegava à frente, agora, o processo está a ser bem diferente, o que mostra a confiança da banca na gestão que está a ser feita.

Mas, gerir é muito mais do que pagar contas – o que, mesmo isso, durante 16 anos, nunca foi feito pelo PSD em Gaia – e por isso, o empréstimo irá incluir um valor que permita pagar dívidas muito diversas, algumas de 2007. Sim – dois mil e sete. Nos últimos dois anos, para fugir ao Fundo de Apoio Municipal, o PS centrou o seu trabalho na redução da dívida, como bem expresso deixa o anuário financeiro dos municípios portugueses:

“Num comentário ao Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses 2014, divulgado esta semana, Vila Nova de Gaia surge como o município com maior diminuição do passivo (menos de 11,5% ou 23,2 milhões de euros face ao ano anterior), figurando no quarto lugar das autarquias com maior volume de investimento (cerca de 28 milhões de euros).”

Acontece, que o PSD deixou um outro processo “em aberto” – o da CIMPOR e Eduardo Vítor defende que a autarquia tem que estar preparada para mais uma má notícia. Logo, é fundamental que seja possível projectar no tempo algum do passivo, de modo a que alguma desgraça judicial não obrigue a ir ao FAM. Em Gaia, nos últimos dois anos, baixou o IMI, baixou a factura da água, mas o investimento continuou a ser um dos maiores do país – Gaia é o quarto concelho com maior investimento. Ou seja, integrar no empréstimo, alguns dos pagamentos dos dois últimos anos não belisca em nada a gestão feita. Pagaram-se mais de 30 milhões do executivo anterior – ainda que se coloque pouco mais que uma dezena de milhões no novo empréstimo, o saldo fica ainda a ser claramente favorável.

Percebo que Firmino Pereira, depois de ter perdido as eleições para a sua concelhia, onde deixou de merecer a confiança dos seus, possa ter necessidade de se mostrar, politicamente vivo, mas manter a letra D no nome do seu partido, trocando a palavra Democrata por Demagógico é capaz de não ser um bom caminho.

Mas, em Gaia, essa é uma questão completamente lateral, porque se vive um tempo novo, de gente dedicada a Gaia que vai continuar, por muito tempo, a tornar melhor a vida de quem cá vive.

 

 

 

Comments

  1. Marquinho de Fânzeres ao poder ! says:

    Falta lá o Marquinho de Fânzeres para o regabofe no PSD ser digno dum novo livro do Eça ressusciatado.

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  1. […] isso li com atenção e interesse o texto do João Paulo sobre as evidentes dificuldades financeiras da autarquia de Gaia, mas entendo que o mesmo passa […]


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