Se não erra, o Correio da Manhã mente

Ontem, na sequência das suspeições lançadas pelo candidato presidencial Cândido Ferreira, num trabalho de investigação carregado de labor jornalístico, o CM noticiou que “Suiça valida falsa licenciatura de Nóvoa“.

Hoje, sob o inefável título “Nóvoa diz que tem curso na Suiça“, afirma que “Sampaio da Nóvoa confirmou ontem, em resposta enviada ao CM, que a única licenciatura que possui é o diploma em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra, na Suíça, em 1982“.

O leitor assíduo do jornal terá, perante isto, que gerir quatro caóticas dúvidas: então a falsa licenciatura foi tirada na Suiça? Ou é mesmo verdadeira mas a única que possui? Se sim, será que é preciso mais do que uma licenciatura para que um cidadão se candidate à Presidência da República? O Tino de Rans terá quantas licenciaturas?

A confusão desvanece-se um pouco com o período seguinte: “Tal como o CM avançou, em Portugal, o candidato frequentou um curso superior no Conservatório Nacional de Lisboa, em 1976, mas que não confere o grau de licenciatura.

Dirá o leitor do CM, se Sampaio da Nóvoa tem uma licenciatura em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e não tem nenhuma licenciatura em Portugal, provavelmente a lei exige que os candidatos à Presidência da República tenham concluído os seus estudos superiores em território nacional.

Não, afinal não é isso.”Sampaio da Nóvoa explica ainda que conseguiu fazer a licenciatura, na Universidade de Genebra, em apenas dois anos porque era um aluno exemplar” Diz ele ao CM que “o curso não tinha uma duração fixa. No meu caso, devido à dedicação total e exclusiva ao curso, consegui concluí-lo em dois anos. É esta, como referi, a minha única licenciatura“.

E é assim que, não havendo na realidade qualquer notícia, fica o caldinho feito para que o leitor crie a sua, fazendo a síntese: Dois anos? Ah, então a licenciatura foi uma borla. Se assim foi, não admira que o homem tenha dois doutoramentos! E que, para os conseguir, os tenha ido buscar, à sorrelfa, lá fora! O primeiro, claro, na Universidade da licenciatura, fica tudo em casa, não é?, e com classificação máxima, como convém para espantar a caça. E o segundo na Sorbonne, pois, e já sabemos como os franceses aceitam teses que nem são escritas pelos próprios. Assim também eu sou reitor, etc.

Há uma norma no Código Deontológico do Jornalista português que diz o seguinte: “5. O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e actos profissionais, assim como promover a pronta rectificação das informações que se revelem inexactas ou falsas.”

Ao não corrigir a notícia da véspera (ela sim, falsa, não a licenciatura) e ao tentar endrominar os leitores apresentando os novos dados como uma confirmação daquela (“tal como o CM avançou, em Portugal, o candidato frequentou um curso superior no Conservatório Nacional de Lisboa, em 1976, mas que não confere o grau de licenciatura”, como se essa fosse a verdade do dia anterior), o CM demonstra que não faz jornalismo, antes descarada mente quando lhe dá na real gana.

 

 

Comments

  1. marau56 says:

    CM é um esgoto!

  2. Afonso Valverde says:

    Lástima de notícia. Escrutinar é legítimo, mas não denegrir.

  3. Manuel says:

    Não é novidade nenhuma.O CM não tem código deontológico. É apenas um pasquim.


  4. O Nóvoa tem um “doctorat” em França. Mas um simples “doctorat” não é o equivalente ao nosso doutoramento. Igual – dizem que mais difícil do os nossos doutoramentos – é o exame de “troisième cycle” ou “doctorat d’état”, com exames de entrada, etc.
    O “doctorat” do Nóvoa em principio corresponderá a um simples mestrado.
    Diz-se que graças à semelhança de nomes, houve quem pedisse a equivalência do seu “doctorat” – mestrado – a um doutoramento. E quem o tivesse obtido.