CTT: quando o fanatismo da direita gera prejuízo para o Estado

CTT

Uma das críticas mais comuns da direita radical é aquela em que acusam a esquerda de falta de visão estratégica, de não pensar ou planear a longo prazo. A história da privatização dos CTT é um daqueles exemplos que demonstra factualmente que essa mesma direita é, também ela, incapaz de o fazer.

Concluída em Setembro de 2014, a privatização total dos Correios, levada a cabo pelo executivo Passos Coelho, rendeu aos cofres do Estado cerca de 900 milhões de euros  e trouxe para o capital da empresa os criminosos do Goldman Sachs e o trémulo Deutsche Bank. E o que levou a geringonça da direita radical a privatizar uma empresa lucrativa? A única hipótese que me ocorre é que tal se ficou a dever a motivações de natureza ideológica.

Fechadas as contas de 2015, e apesar de uma queda de 6,6% face a 2014, os CTT apresentaram lucros superiores a 70 milhões de euros. A este ritmo, precisaremos de qualquer coisa como 13 anos para atingir o valor pelo qual a empresa foi privatizada. Daí para a frente será um acumular de perdas de receitas que o Estado podia ter encaixado mas que o fanatismo ideológico do anterior governo tratou de evitar. Mas nem todos os portugueses ficam a perder. Francisco Lacerda, nomeado para a presidência da empresa pelo governo Passos/Portas, leva para casa cerca de um milhão de euros, dos quais 430 mil euros correspondem a remuneração variável. Custos do radicalismo além-Troika.

Comments

  1. Ana A. says:

    Não fora a minha liberdade de expressão condicionada, em vez do “gosto” neste artigo, eu dizia o que é que me apetecia pôr em determinado lugar…
    E depois, ainda se insurgem contra o terrorismo!
    Afinal, o que é terrorismo?!

  2. anónima says:

    “Daí para a frente será um acumular de perdas de receitas que o Estado podia ter encaixado …”
    E se em vez de lucro a empresa tivesse dado prejuízo?
    Todas as empresas, públicas ou privadas, podem ser bem ou mal geridas, podem dar lucros ou prejuízos. A vantagem da privatização (há desvantagens) é que o risco (sublinho, o risco) passa para as mãos dos privados e deixa de ser uma responsabilidade dos contribuintes: se a empresa der lucro, o lucro não vai para o Estado mas se der prejuízo também não são os contribuintes a pagá-lo.
    O facto de uma empresa, privada ou privatizada, dar lucro (num ano) não serve de critério para avaliar se devia ser nacionalizada ou se não devia ter sido privatizada. A análise tem de partir de outros critérios que não este (que é absolutamente contingente) e sempre reconhecendo que há vantagens e desvantagens nas duas opções.

    • Ana A. says:

      Não é preciso ser-se especialista para saber que há empresas cuja natureza de serviço público, nunca deviam ser privadas. Aliás, pelos vistos quando a coisa corre mal o contribuinte é sempre chamado a pagar, como no caso da banca que é “privadinha da silva”….


      • Privadinha da Silva? Prima do Cavaco? 🙂

      • anónima says:

        “Não é preciso ser-se especialista para saber que há empresas cuja natureza de serviço público, nunca deviam ser privadas.”
        Precisamente. Esse é um argumento válido. Agora argumentar que uma empresa deve ser pública porque, num ano, deu lucro, …


    • Podia ter prejuízo, claro. Mas o histórico, na esfera do Estado, tendeu sempre para os lucros.

      • anónima says:

        “… tendeu …”
        Lucros passados não são garantia de lucros futuros. O risco de prejuízo existe sempre. Esse não é um argumento válido para defender a manutenção de empresas na esfera pública. Aliás, esse é um argumento economicista que tem um reverso: se dá prejuízo, privatize-se. É isso que defende?


        • Claro que não é isso que defendo. Esclarecida?

          • anónima says:

            Então não percebo o seu argumento. Como bem afirma Ana A. “empresas cuja natureza de serviço público, nunca deviam ser privadas”. Esse sim é que é o argumento válido. Agora criticar a privatização porque a empresa ia dar lucro (se este ano tivesse dado prejuízo já era a favor da privatização?) é recorrer a um argumento economicista típico da direita. Ás vezes é a própria esquerda que dá tiros nos pés!


          • O meu argumento é a falta de visão estratégica do ímpeto privatizador ideológico que faz com que se venda, por tuta e meia, património do Estado que gera receitas para os cofres públicos, motivado por uma agenda ultralberal.


    • Mas e os CTT estavam a dar prejuizo em anos precedentes?

      • anónima says:

        Mas o que é que isso interessa? Se estivessem a dar prejuízo já tinham sido bem privatizados?!
        A dar lucro ou prejuízo os CTT prestam um serviço público! Isso é que interessa, e é por isso que não deviam ter sido privatizados! O lucro ou o prejuízo não deviam ser utilizados como argumento pela esquerda!


        • Oh anónima, isto não tem nada a ver com esquerda ou direita. Isto é a opinião de uma pessoa que defende que se mantenha na esfera do Estado toda e qualquer empresa que, para além daquilo que refere a Ana, gere receitas para o Estado. é preciso ser de esquerda ou de direita para ter esta opinião?

  3. Helder P. says:

    Sem pruridos ideológicos, o que eu sei é que desde que esta empresa foi privatizada, eu fiquei muito mal servido.

    Fechou a estação de correios da minha vila, e graças à eficiência da gestão privada (e se calhar ao despedimento de milhares de carteiros), uma carta de Lisboa leva mais de 15 dias a chegar às minhas mãos, quando anteriormente uma semana bastava. Já cheguei a receber contas por pagar em atraso, graças ao serviço expedito dos CTT.
    Normalmente, quando não estamos satisfeitos com os serviços de uma empresa privada, mudamos para a concorrência. E no caso dos CTT? Ah, pois é.

  4. Ana Moreno says:

    Mais ainda do que a TAP, os CTT eram, na minha opinião, uma empresa de interesse nacional, que não deveria poder ser privatizada. Agora é ver fechar os postos que não dão lucro e as pessoas que se lixem se ficam (ainda mais) isoladas.