Atentado em Bruxelas: alguém ouviu o alerta da Central Geral Sindical de Serviços Públicos?

Brussels

A Europa vive um novo dia de pânico e sobressalto. O duplo atentado de hoje em Bruxelas choca, revolta, mas não surpreende. Pelo menos a mim e à Central Geral Sindical de Serviços Públicos belga, que tinha alertado recentemente para falhas detectadas nos protocolos de segurança do aeroporto de Zaventem. A fazer lembrar os múltiplos avisos que a administração Bush recebeu e ignorou no início da década passada, que alertavam para a possibilidade de um ataque terrorista de grande dimensão, que poderia envolver aviação civil. Resta-nos o luto e sentimento de impotência perante a cobardia do método e a falta de respostas dos nossos responsáveis políticos, incapazes de conter a fúria terrorista mas sempre atentos à ameaça imaginária de uma Rússia imperialista, que tudo o que queria era continuar jogar o jogo do capitalismo.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Eu estava a apreciar a sua prosa sobre os recentes acontecimentos, até que a sua última alusão à Rússia me deixou, sinceramente, perplexo.
    Não percebo porque é que o João Mendes puxa a Rússia para esta catástrofe e não aborda o papel catalisador dos E.U.A. na mesma catástrofe.
    Eu não tenho nada com a Rússia, mas a verborreia constante dos media que vejo, com todo o respeito, aqui repetida pelo João Mendes, passa uma esponja sobre os desequilíbrios que os Estados Unidos da América criaram, de um modo irresponsável no Médio Oriente.
    Ou será que já não há memória?
    De uma só vez os Americanos desfizeram equilíbrios precários mas que mantinham a agregação de países soberanos como o Iraque e a Líbia e, não contentes com ataques esses sim, imperialistas aos mesmos regimes soberanos (goste-se ou não se goste) pretendem agora ajudar os seus amigos sauditas na questão da Síria. Exactamente os Americanos que hoje estão em Havana falando candidamente dos atropelos dos Direitos Humanos nessa região e que dão a mão aos Sauditas, estes uns bem conhecidos “super defensores dos Direitos Humanos”.
    Eu penso que estas catástrofes deveriam ter o condão de nos pôr a pensar nas causas de raiz dos problemas e não continuar a agitar espantalhos que são manipulados desde a guerra fria.
    O Mundo mudou, os equilíbrios já não são os mesmos.
    Hoje assiste-se a choques culturais que semeiam morte e violência.
    Chega de hipocrisia, chega de assobiar para o lado, apontando sempre o dedo acusador no mesmo sentido. Chega de não atacar os problemas na sua raiz e, em vez disso, andar a olhar para o alto para se encontrarem responsáveis por erros cujas origens estão bem identificadas, mas a que a irresponsabilidade não dá para criticar..
    Começa a ser insuportável ouvir esses críticos de política internacional (Paulo Portas, Nuno Rogeiro e quejandos), manifestamente zarolhos políticos que repetem à exaustão aquilo a que denomino irresponsabilidade de análise.
    Paremos um pouco. Olhemos, primeiro para dentro, para esta Europa que alijou os seus valores à mesma velocidade que aniquila a sua cultura, copiando modelos importados e depois, pensemos na herança que os Americanos deixaram no Médio Oriente onde, à luz daquilo a que eles chamam Liberdade e Democracia, Vêm desde os anos 90 do século passado a criar uma das maiores hecatombes históricas.
    Não chega?
    Cumprimentos.


    • Até que enfim que consigo ler acerca desta embrulhada um comentário lúcido e corajoso. De facto em vez de se verter tanta lagrima de corcodilo e tanta verborreia acerca dos direitos humanos devia meter-se a mão na consciência e começar por reformar a própria casa que como é evidente tem andado sobejamente desarrumada.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Os meus agradecimentos, cara Fernanda.
        Estamos claramente nas mãos de “medias” que são claramente manipulados.
        Hoje, na Imprensa falada e escrita, já não há lugar à competência, ao valor, à independência, nem mesmo à cultura. Arrebanham-se jornalistas que, na sua grande maioria, jogam o jogo demitindo-se do factor analítico, da investigação, fazendo o papel da “galinha choca”, repetindo à exaustão o que os “seus senhores” lhes pagam para dizer.
        O contraditório passou a ser uma miragem. A democracia e a liberdade começam a esbracejar neste pútrido mar em que navegamos.

    • Martinhopm says:

      Gosto do seu comentário. Fala da Arábia Saudita, mas convém não esquecer a Turquia que joga, desde há muito tempo, neste problema do Daesh, com um pau de dois bicos. E se fossem só a Arábia Saudita e a Turquia… O problema é que existem outros, talvez, bem mais responsáveis. Ah! Eram ditadores, os governantes do Iraque, da Síria, da Líbia, etc. Temos então que os derrubar, arrasando se for necessário os respectivos países. Isto, segundo os ditamos dos governantes do país que se arvora em lídimo defensor dos direitos humanos. Sabe? O azar desses países foi o facto de terem petróleo e gás natural. Também nós por cá tivemos um ditador durante quase meio século e eu não reconheço a nenhum filho da puta externo que tivesse vindo decidir sobre o nosso futuro. Tivemos sorte: não termos nem petróleo, nem gás, nem qualquer outra riqueza que fosse cobiçada pelos ‘donos do mundo’.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        E tem toda a razão e sobretudo quando aborda a questão das matérias primas. Esse é o mal: meia dúzia de magnates a governar-se com o que é de todos, porque é da Terra. Essa é, sem dúvida, a força motriz deste imperialismo a que vimos assistindo e destruindo moralmente o mundo.


    • Ernesto,

      Não referi o papel dos EUA aqui mas referi-o neste outro

      https://aventar.eu/2016/03/23/em-bruxelas-como-em-bagdad-em-paris-como-em-cabul/

      e, de qualquer forma, não me parece descabida a alusão à Rússia. Acaso é mentira que o Ocidente encara a Rússia como uma ameaça militar que, actualmente, não é, investindo tempo e recursos que seriam melhor investidos noutras latitudes?

      O seu comentário, neste ponto, parece-me descabido. Quem o lê, fica com a sensação que ataquei a Rússia e fiz vista grossa ao papel dos EUA e do Ocidente em geral. Nada mais longe da realidade.

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Caro João Mendes.
    Admito a sua redacção relativamente ao que escrevi.
    Em todo o caso – na minha opinião – entendo que a sua alusão à Rússia é descontextualizada.
    Não está em causa o modo como o Ocidente encara a Rússia que todos sabemos ser sempre de uma forma político persecutória. É assim desde Salazar e assim vai continuar, porque a Rússia, bem ou mal, politicamente “não joga” o jogo americano da forma servil como a Europa o faz.
    Mas quem lê apenas o post que está dar origem a esta troca de impressões, permita-me-á que o parafraseie … parece mesmo que faz vista grossa ao papel dos EUA.
    Foi exactamente isso que me fez reagir.
    Não leio – com pena minha – todos os seus posts, embora reconheça neles muita qualidade. Não li, por exemplo, o que me envia e lhe agradeço e por isso me apresso a admitir a sua interpretação.
    O puzzle agora faz todo o sentido.
    Cumprimentos.


    • E, se vir bem, a crítica ao papel dos EUA está implícita quando refiro a incapacidade dos nossos (ocidentais) responsáveis políticos serem incapazes de contar a ameaça terrorista apesar das atenções redobradas para com aquilo que considero – pelo menos actualmente – uma ameaça russa que não existe. Que é fabricada.

      Obrigado 🙂

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Não tem nada a agradecer.
        Espantou-me a referida alusão, sobretudo no contexto, mas admito que não fui rigoroso na leitura, até considerando a sua linha política que transparece no que escreve e com a qual me identifico.
        A leitura rigorosa conduz exactamente ao que afirma pelo que se alguém aqui tem que agradecer a chamada de atenção e penitenciar-se, sou mesmo eu.
        Cumprimentos.