O original de “Y Viva España” é belga

O país que serve de refúgio a Puigdemont é também aquele que criou o tema que serve quase de hino à Espanha (o verdadeiro hino é uma marcha militar sem letra) e que tem sido cantado durante as manifestações pró-espanholas na Catalunha.

O original intitulado “Eviva España” de 1971 era uma cançoneta para animar programas de televisão e festas para a terceira idade cuja ideia de Espanha remetia para o exotismo das férias de Verão, de letra simples e carregada de estereótipos sobre os povos ibéricos. Os autores são ironicamente flamengos, Leo Caerts e Leo Rozenstraten, e a cantora Samantha interpretava a música em flamengo. Tornou-se num sucesso quase global quando Manolo Escobar interpretou o tema em espanhol em 1973, sob o título “Y Viva España”.

CETA Showdown

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Continuam a todo o vapor as negociações em Bruxelas para produzir “uma solução” de última hora para o CETA. Paul Magnette esteve ontem numa reunião de emergência com os Premiers das outras regiões e do governo central belga. Antes do início da mesma, Magnette afirmou que não toleraria um quarto ultimato, dizendo: “Já nos fizeram três ultimatos. Não toleraremos um quarto, venha ele de onde vier; caso isso aconteça, suspenderemos as negociações (…)”. E, desta vez, um porta-voz da comissão anunciou que as conversações decorrem sem ultimatos nem prazos, pois “a Bélgica está a procurar a sua posição, o que a comissão respeita”.

Após as seis horas de ontem, as conversações continuam hoje, quarta-feira, a partir das 8 horas da manhã. Entretanto, o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, afirmou ter muitas dúvidas quanto à possibilidade de assinatura do CETA na próxima quinta-feira, mas afirmou estar convicto de que isso acontecerá dentro de duas semanas. E Justin Trudeau não vai, como era previsto, discursar hoje no parlamento europeu em Estrasburgo.

Nestes últimos dias, parecemos coelhos estáticos, encandeados pelos holofotes de um espectáculo que tem tudo, mas tudo, a ver connosco.

Atentado em Bruxelas: alguém ouviu o alerta da Central Geral Sindical de Serviços Públicos?

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A Europa vive um novo dia de pânico e sobressalto. O duplo atentado de hoje em Bruxelas choca, revolta, mas não surpreende. Pelo menos a mim e à Central Geral Sindical de Serviços Públicos belga, que tinha alertado recentemente para falhas detectadas nos protocolos de segurança do aeroporto de Zaventem. A fazer lembrar os múltiplos avisos que a administração Bush recebeu e ignorou no início da década passada, que alertavam para a possibilidade de um ataque terrorista de grande dimensão, que poderia envolver aviação civil. Resta-nos o luto e sentimento de impotência perante a cobardia do método e a falta de respostas dos nossos responsáveis políticos, incapazes de conter a fúria terrorista mas sempre atentos à ameaça imaginária de uma Rússia imperialista, que tudo o que queria era continuar jogar o jogo do capitalismo.

Europa, querida Europa

Quando julgamos ver-te um sinal de compaixão e humanidade, tiras-nos em seguida o tapete de debaixo dos pés.

 (…) a Bélgica revelou ter interrompido, desde meados de Agosto, todas as expulsões forçadas de imigrantes para os países africanos onde a epidemia de ébola alastra. Cada expulsão por via aérea exige que pelo menos dois polícias acompanhem a pessoa expulsa – tendo por vezes de levar as pessoas até aos serviços de imigração do país. “Não podemos pôr em perigo a saúde do nosso pessoal”, explicou Agnès Reis, porta-voz da polícia federal belga. (daqui)

 

O Depardieu português

Nogueira Leite prometeu pirar-se se aumentassem os impostos. Já saiu da Caixa e deve estar a preparar a mudança para a Bélgica

O itinerário da troika

Depois de Atenas, Dublin. A seguir Lisboa. Independentemente dos problemas de usura ,  o Sol e os suaves fins de tarde lisboetas são mais aconchegantes do que o ar cinzento de qualquer cidade do norte europeu. Natural, portanto, que os nórdicos da troika prefiram o ambiente amistoso do Sul aos plúmbeos ares nortenhos. Até porque estes problemas sociais, alheios aos interesses financeiros, não os comovem.

O rumo da rota, na lógica de factores climático-sociais, funda-se em outras motivações. Sinteticamente reduzidas pelo libelo países periféricos. Como quem diz suburbanos para, de forma diplomático-hipócrita, não lhe chamar marginais – no sentido puro da definição de marginalidade, i.e., parte do tecido social económica e politicamente  excluído. No fundo, os muitos que a sociedade convencionou discriminar em nome de minoritários interesses, em submissa obediência a normas de ganância de poderosos.

Um a um, os tais países periféricos, na lógica referida, são naturalmente delinquentes e marginais. Constituem o grupo visado pela troika (FMI-CE-BCE), que actua em obediência às ordens dos chefes supremos. Mas, em simultâneo, esses países ocupam os espaços mais aprazíveis para se trabalhar em dias soalheiros. De facto, se o critério fosse a dimensão da dívida, então o itinerário seria, por exemplo, aquele que o quadro seguinte, interpretado a rigor, justificaria:

País da Zona Euro População Dívida em USD (biliões) Dívida em Euros (biliões) Dívida ‘per capita’ €
         
Bélgica 10.500.000 1.354 933 88828,53
Espanha 45.100.000 2.313 1.593 35328,26
França 63.800.000 5.002 3.446 54006,51
Grécia 11.100.000 504,6 348 31314,64
Irlanda 4.200.000 2.312 1.593 379194,18
Portugal 10.600.000 484,7 334 31498,53

Outros países poderíamos acrescentar, mas fiquemos por aqui. Bruxelas e Paris, nesta época, estão longe de oferecer os fins-de-tarde de ‘bocadillos y mirar las golfas’ e, por conseguinte, Madrid poderá ser a próxima anfitriã da troika. Prevalece o valor do Sol e do Sul sobre a dívida e o Norte.

(Ver: dívidas externas de países e demografia da UE)

A Bélgica e a instabilidade política

Sempre que convém, o fantasma da estabilidade política é usado para assustar os portugueses, em particular, onde mais lhes toca: no bolso, via impostos a pagar caso os “mercados” (quem?!) se assustem com a dita instabilidade.

Foi essa a abordagem recente do PS quanto à possibilidade de haver em breve uma moção de censura; igual justificação para que se aprovasse o orçamento de estado foi usada; e esta mesma linha discurso teve lugar ad nauseam na última campanha eleitoral.

Acontece que os belgas estão há 7 meses sem governo. Serão loucos os belgas? Não terão eles medo dos “mercados”? Estará o país à beira do colapso? Parece que a resposta a estas questões é a mesma, um redondo não.

Portanto, senhores políticos, deixem-se de merdas e façam o que lhes compete. A saber, governar, uns, e outros, fiscalizar a governação. E fazer cair o governo quando este não se mostra capaz de fazer o que lhe compete. O que é mais do que notório há tempo demais.

Ah!, e pelo caminho, já que tanto gostam de fazer leis para tudo e mais alguma coisa, não se esqueçam de mudar as leis eleitorais para que, em caso de queda, se possa voltar a ter governo em apenas algumas semanas e sem períodos de defeso. Não estão sempre a usar os exemplos de outros países quando vos convém? Então, que olhem para os ingleses, que num mês caiu um governo, fizeram-se eleições e entrou em funções novo governo.

From Belgium, without shame!

Didier Reynders e Durão Barroso

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Reuniram-se em Bruxelas os Ministros das Finanças da zona Euro. O anfitrião belga, Didier Reynders, defende que, depois da Irlanda, é preciso “encontrar uma solução para Portugal”. E eu replico: “É preciso falta de vergonha para tal afirmação, por parte de qualquer belga quanto mais do ministro das finanças!”.

De facto, através de simples dados, relativos ao período de 2000 a 2009, é mais do que evidente de que a Bélgica, com uma população total semelhante a Portugal, tinha em finais de 2009 uma dívida bruta superior (dívida bruta): 326.555 M de euros contra os nossos 127.907 M. Reconheça-se que o PIB per capita belga, em declínio dos 128 de 1995, atingiu em 2009 o valor de 116 – avaliação em PPS (Padrões do Poder de Compra) – enquanto Portugal se limitou a 78 unidades. Mas ainda assim, há a destacar que, nas contas de 2009, a dívida da Bélgica representava 96,2% do PIB, ao passo que esse indicador para Portugal, na mesma data, se fixava em 76,2% (dívida bruta em % do PIB).

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O bispo de Bruges

“O Vaticano anunciou esta Sexta-feira que Bento XVI aceitou a renúncia do Bispo Roger Vangheluwe, da Diocese de Bruges, na Bélgica.
Em breve comunicado, a Santa Sé anuncia a decisão, justificada com o cân. 401 § 2, do Código de Direito Canónico, o qual convida os Bispos a renunciar em caso de doença ou outra causa grave, à imagem do que acontecera no dia anterior com o irlandês D. James Moriarty, da Diocese de Kildare e Leighlin.

Posteriormente, o serviço de informação do Vaticano apresentou declarações do próprio D. Roger Joseph Vangheluwe e do Arcebispo de Bruxelas, D. André-Mutien Léonard.
O agora bispo emérito de Bruges confessou ter abusado durante vários anos de um jovem.
Quando era um mero padre, e por algum tempo depois de ser ordenado bispo, abusei sexualmente de um jovem, refere D. Roger Vangheluwe, nomeado bispo em 1985, ano em que assumiu a diocese de Bruges. [Read more…]