“Escolas públicas preparam melhor os alunos para terem sucesso no superior”


escolas privadas e publicas - preparacao dos alunos

Olha a excelência dos rankings. Nada de surpreendente para quem alguma vez tenha estudado. Uma coisa é marrar para o exame, e ter boa nota, outra é aprender. É um estudo de 2013, mas muito oportuno agora que tanto se fala na suposta excelência do ensino privado.

Universidade do Porto analisou os resultados de 2226 alunos que concluíram pelo menos 75% das cadeiras ao fim de três anos e concluiu que os provenientes das privadas têm piores resultados (…)

“As escolas privadas têm grande capacidade para preparar os alunos para entrar, mas o que se verificou é que, passados três anos, estes alunos mostraram estar mais mal preparados para a universidade do que os que vieram da escola pública”, adiantou ao PÚBLICO José Sarsfield Cabral, pró-reitor da UP para a área da melhoria contínua. (…)

Em termos globais, por cada 100 estudantes provenientes das escolas públicas que concluíram pelo menos 75% das cadeiras dos três anos, havia 10,69 no grupo dos melhores. No caso das escolas privadas, esse número era de 7,98.

O documento (que surge como um alerta contra o facilitismo na utilização dos rankings que procura rebater a ideia de falência do ensino público) sublinha que o melhor desempenho dos estudantes das escolas públicas é ainda “mais relevante pelo facto de as escolas privadas de maior prestígio fazerem uma selecção social dos seus estudantes” (…) [Natália Ferreira, in Público, 18/01/2013]

Aos pais poderá interessar que os filhos tenham as melhores notas possíveis, para que eles entrem no seu curso de eleição. É eticamente discutível que a capacidade económica seja um factor de favorecimento, mas essa é uma discussão para outra ocasião. Por outro lado, ao país interessa ter os melhores alunos possíveis. Por isso, Portugal precisa de uma escola pública de qualidade. Os pais que queiram a batota para os seus filhos, que paguem por ela.

Comments

  1. Marco says:

    Convém ler o estudo e perceber como foi feito.

    O score considerado não é directo, mas sim normalizado (e transformação linear até foi um bocadinho torturada – calcular a média global apenas a partir dos alunos que fizeram >135 ECTS em 3 anos? porquê?)

    Acaba por ter mais influência o sexo do aluno do que a escola de origem – ou qualquer outro factor. As mulheres, pelos vistos, estão melhor preparadas para serem boas alunas.

    E porquê usar o top-10%, quando o comum em análises deste tipo é testar a divisão de Pareto? Porque é que o estudo apenas apresenta a correlação total de scores com a média de entrada e não com o resto? Porque é que o estudo considera que “a questão de ser ou não candidato a bolsa não parece ser muito relevante para se aceder ao top 10%” quando existem ~4% de diferença entre admitidos (39%) e pertencentes ao top-10% (35,2%) e considera que, em relação à origem em escolas privadas, “este resultado é relevante” quando indica a mesma diferença de ~4% (22,5% – 18,4%)?

    Enviesamento ideológico na academia portuguesa? É que nem posso acreditar!…

  2. Estes comentaristas parecem desconhecer a Constituição da República Portuguesa! São apenas defensores do clube. Leiam a Constituição. Dizem que estamos numa democracia, e a Constituição apela à democratização do ensino. Mas defender isso parece ser uma abominação. Estes senhores todos querem o monopólio de Estado. Grandes democratas!

  3. Eu indico os artigos: 67, 68, 73, 74. E não só o 75!

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