Juros negativos


Avaliando pelo que mostram as capas dos jornais de hoje, o financiamento ontem conseguido por Portugal não teve juros negativos.

Se é um feito ou não, é outra conversa. O  facto é que quando aconteceu pela primeira vez, com o governo da troika, foi um estrondoso acontecimento. E, então, ter sido um feito é, também, outra conversa, a mesma atrás referida.

Há duas ou três possibilidades para tão débil cobertura mediática. Ou os tipos da geringonça são uns nabos em termos de comunicação, ou a imprensa está sobre controlo da direita. Ou então passa-se um pouco de ambas as situações, que é o que me parece ser o caso.

Fantástico é observar as carpideiras da direita a assobiar para o lado. Revela que o entusiasmo e pessimismo que, selectivamente, delas se apodera não é mais do que tesão de mijo, pardon my French.

Comments

  1. Não é nenhuma dessas hipóteses! A mais lógica (e já que falaste em tesão, ainda que de mijo!) é que a outra foi notícia com destaque porque foi a PRIMEIRA VEZ! É como perder a virgindade (ligação à tesão!), a 1ª merece até merece ser alvo de reportagem, as seguintes já ninguém liga!

    Neste caso, ainda por cima em época migratória, ninguém quer saber de juros negativos.

    • j. manuel cordeiro says:

      Se essa lógica tivesse paralelo com a realidade, então não haveria notícias quando os empréstimos são feitos com juros superiores ao habitual.

      • Evidente que tem! Se estamos a falar de juros superiores ao habitual, tal significa que estamos a ser castigados e como tal tudo o que é castigo merece cobertura jornalística!

        • j. manuel cordeiro says:

          Chutou para canto.

          Já agora, não alinho no discurso do Crime e Castigo.

          • Lá está! É por achares que é “discurso” que continuas a ficar admirado com as posições da “imprensa”!

            E mais divertido ainda… Não alinhas com a realidade “Castigo” vs “Recompensa”!

          • j. manuel cordeiro says:

            Não, é mesmo crime, como em “vivemos acima das nossas possibilidades” e castigo, como em “temos que sair da zona de conforto”. Este discurso nojento pretende que foi o assalariado, que até foi para o desemprego, o causador da crise. São coisas minhas, mas não alinho nisto.

  2. O que tu queres sei eu! says:

    Só quem não quer ver (e há muitos ceguinhos…) é que não compreende que foi necessário a tropa sair com os tanques e chaimites para a rua, para se resolver o problema das colónias.
    Vieram para a rua e em 1 ano e picos estava resolvido o problema que demorava anos e anos …
    Agora.
    Podem ladrar à vontade, já que a vossa azia dura há 42 anos e vai durar ainda mais…

  3. Francisco says:

    Camarada. Portugal emitiu divida com juros negativos… mas so com short-term maturities. O que e’ que isto que dizer? Que os mercados acham muitissimo improvavel que Portugal (ie o ECB neste caso) nao pague estas bonds no curto prazo.
    O entusiasmo e’ muito limitado, e isto tem razao de ser. Sabe qual e’? E’ que o financiamento a longo-prazo conta uma historia bastante diferente. As yields das obrigacoes a 10 anos ja subiram mais de 30% com A.Costa no Governo (desceram mais de 70% desde que P.Coelho tomou posse ate as eleicoes legislativas de 2015). E se reparar na trajectoria dessas mesmas yields em comparacao com as yields de Espanha (que nem Governo consegue formar ha nao sei quantos meses) desde as eleicoes de 4 de Outubro de 2015, talvez consiga perceber por que motivo e’ tao limitado o entusiasmo. Nos ja pagamos o dobro de Espanha para nos financiarmos a longo prazo. Na altura das eleicoes pagavamos o mesmo.
    Mas dar-se ao trabalho de perceber esta historia talvez fosse na fosse mais, da sua parte, que “tesao de mijo”.
    Cumprimentos

    PS: perdoem-me a falta acentuacao, nao escrevo num teclado portugues.

    • j. manuel cordeiro says:

      Parece que em Março de 2015 a emissão também foi a curto prazo e isso não impediu que se lançassem foguetes.

      http://economico.sapo.pt/noticias/ja-ha-divida-portuguesa-com-juros-negativos-e-isso-e-bom_213236.html

      E consta que até houve fogo de artifício, comparando alhos e bugalhos.

      http://observador.pt/2015/04/09/portugal-com-juros-negativos-na-divida-a-2-anos/

      Passada a pujança do título, lá para o meio da peça chega o “mas”.

      “Trata-se de títulos que estão a ser negociados entre os investidores, e não emissões reais pelo Estado português.”

      Sobre o entusiasmo, devia saber que não existiram nem existem razões que o justifique. O viagra chama-se BCE, antes e agora.

      • Francisco says:

        Apesar de curto o prazo, nao deixa de ser 4 vezes superior (2 anos VS 6 meses). E apesar de tudo, tratam-se de situacoes completamente diferentes: a de um pais que, depois de anos sem ir aos mercados, consegue financiar-se com juros muitissimo baixos (nas noticias que citou, verdade seja dita, tratava-se dos mercados secundarios e nao do pais directamente) VS a de um pais que ja se financia nos mercados ha algum tempo, e numa altura em que todos os paises da Europa (ou quase) se financiam com juros muitissimo baixos/negativos. Mas enfim, se acha que os jornais deviam ter dado outro eco a esta ultima emissao, muito bem – sinceramente nao tenho qualquer opiniao em relacao a isso e acho que isso importa pouco ou quase nada. O que me importa a mim e’ que, de facto, pagamos o dobro para nos financiarmos a longo prazo do que paga a Espanha que nem Governo formado tem. E ha um ano atras pagavamos sensivelmente o mesmo. Podemos pensar que o importante e’ o que o Observador publica ou deixa de publicar… para mim isto e’ mais importante, por exemplo (o trend e’ inegavel):
        https://sdw.ecb.europa.eu/quickview.do;jsessionid=6A3822AAEA6B5144A5AA97140D11CF43?SERIES_KEY=290.CISS.M.PT.Z0Z.4F.EC.SOV_CI.IDX

        • j. manuel cordeiro says:

          “Apesar de curto o prazo, nao deixa de ser 4 vezes superior (2 anos VS 6 meses)”
          É que as situações são mesmo diferentes, tal como refere “nas noticias que citou, verdade seja dita, tratava-se dos mercados secundarios e nao do pais directamente”.

          Anyway, talvez tenha achado que estou a pretender dar defender o presente governo. Não é o caso. O meu argumento é sobre a valorização/desvalorização selectiva que é feita das notícas por parte dos media. Poderá dizer que “ah e tal, agora estamos pior e mais não sei o quê”, mas as análises não são lineares, nem práticas numa caixa de comentários. Se antes e agora correu/corre bem ou mal, é o assunto para as outras que referi. E essas conversas são longas. Por exemplo, quando Schäuble deixa cair, sem querer, claro, que Portugal vai ter um novo resgate, isso são ou não condições objectivas para alterar os juros? E quando o anterior governo sucessivamente falhou as metas propostas, mas tendo elogios desse mesmo Schäuble, foi ou não uma acção que melhorou os juros?

          • j. manuel cordeiro says:

            Exemplos dessa selectividade:

            “Ambos (Portugal e a Irlanda) puseram em prática grandes esforços, estão a cumprir o que é pedido pelos programas de ajuda e estão no bom caminho.”

            Wolfgang Schauble, 18 de Abril de 2013

            “Quando na Alemanha abordamos as políticas de combate à chamada crise europeia falamos sempre da história de sucesso de Portugal. Estamos muito confiantes e não há nenhum problema.”

            Wolfgang Schauble, 22 de Maio de 2013

            “Portugal está no bom caminho.”

            Wolfgang Schauble, 22 de novembro de 2013

            “Os países-membros que têm mais sucesso são os que enfrentaram programas de assistência, porque cumpriram a sua missão.”

            Wolfgang Schauble, 25 de Janeiro de 2014

            http://derterrorist.blogs.sapo.pt/bombardeamento-preventivo-3326023

          • Francisco says:

            Concordo em relacao a Schauble. Completamente desapropriado e irresponsavel (e muito provavelmente propositado) o comentario sobre o hipotetico novo resgate. E sim, tem impacto directo na percepcao dos mercados em relacao a’ divida de Portugal – e, logo, nos nossos juros. O pior e’ que temo que ele tenha razao.
            Cumprimentos

  4. MJoão says:

    A notícia foi , mais, esta http://economico.sapo.pt/noticias/divida-publica-aumenta-para-238-mil-milhoes-em-maio_255114.html ou esta http://economico.sapo.pt/noticias/juros-da-divida-de-portugal-a-subir-a-2-5-e-10-anos_255058.html, mais aquele gajo que se chama qualquer coisa Coelho que não se cala e mais a outra que tem Cristas , não há pachorra!

  5. A direita sabe perfeitamente que nunca vai conseguir competir em pé de igualdade com a esquerda. Uma direita que protege os 1% com o sangue e suor dos 99%? Nem com 80% de abstenção esses parvos conseguiam um deputado que fosse. Então resta-lhes apenas estes truques mesquinhos e desonestos. O controlo dos media é dos truques mais velhos do mundo. Não há um único ditador que não o use, Infelizmente a esquerda não o pode usar sob pena de comprometer a própria filosofia. É como o bom aluno que fica sempre atrás do mongo da turma porque este não hesita em cabular. Veja-se o que se passa no UK com os ataques mediáticos constantes ao Jeremy Corbyn. Depois de anos e anos entre governos de direita moderada e direita menos moderada, era de esperar outra coisa? Porque é que Portugal havia de ser diferente? Enquanto os jornais e estações de televisão forem detidos por grandes conglomerados financeiros, por de trás desses está sempre alguém estupidamente rico. No UKtemos o Rupert Murdoch, por cá temos o Balsemão.Adivinhem para que lado pende essa gente

  6. Anti-pafioso says:

    UM comentário digno honesto e patriótico. Perceberam pessoal da caranguejola..

  7. Ou há aí propagandistas a mais ou eu ando a ler os jornais errados. Nunca um aldrabão teve uma imprensa tão meiga como a do nº dois do socrates e as noticias até de organismos nacionais ou internacionaii de seridade indesmentível, avisando que vamos por maus caminhos e alertando para as más consequencias (arrepia sentir como a mesma situação se passou com o seu chefe o socrates antes de 2011), e pelo menos os tudologos que eu leio (tirando o Observador) dizem nim , no se passa nada. Onde estarão a tal imprensa criminosa ? claro que dentro de meses vamos tirrar a prova dos voves, pena que tarde demais e os tais propagandistas eclipsam-se como se viu no passado.

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