Scarfolk, o Diário da República e a suspensão dos factos

Minds have semantics. Programs are purely syntactical. The syntax of the program isn’t sufficient for the semantics. Therefore, the program is not a mind. It’s a very simple argument, I don’t know why it takes so much trouble to get people to understand it.

— John Searle

The government, together with local councils and public authorities, has scrapped the use of facts.

The Fact Ban (1976)

“Imaginary” universes are so much more beautiful than this stupidly constructed “real” one; and most of the finest products of an applied mathematician’s fancy must be rejected, as soon as they have been created, for the brutal but sufficient reason that they do not fit the facts.

G. H. Hardy (apud K. David Jackson, Adverse Genres in Fernando Pessoa, p. 9)

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Hoje de manhã, ao reflectir acerca do melhor enquadramento para a ocorrência de hoje no sítio do costume, pensei em recorrer a José Maria Adrião e aos Retalhos de um Adagiário Nasceu em boa hora — diz-se de quem é ditoso e a sorte lhe corre bem», p. 50). Depois, admiti outras possiblilidades: o «“Fake news” is so yesterday. “Alternative facts” is where it’s at now», este excelente «it is a mistake to demand too strictly that new physical theories should fit some preconceived philosophical standard», do Weinberg, ou até a hipótese de Riemann confirmada pela teoria dos Factos Alternativos.

Contudo, felizmente, a história de Scarfolk, em boa hora aqui trazida pela Carla Romualdo, trocou-me as voltas.

Ao reparar neste cartaz,

fiquei a saber que, no universo de Littler, a partir de 22 de Fevereiro de 1976, os factos foram suspensos (*).

Ora, foi exactamente isso que aconteceu, por exemplo, no Diário da República, mas muito mais recentemente: “a partir de 1 de janeiro [sic] de 2012“. Para quem não se lembra, 1 de Janeiro de 2012, além de ter calhado a um domingo, foi feriado, por isso, a suspensão de factos teve de facto início na segunda-feira, dia 2 de Janeiro de 2012, como, aliás, vimos recentemente:

dre212012

A suspensão dos factos mantém-se activa. Efectivamente, hoje, quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017, eis o aspecto do sítio do costume :

dre2512017a

(*) Por motivo que (ainda) desconheço, o cartaz apresenta 22st em vez de 22nd. Já pedi esclarecimentos. Aguardemos, serenamente.

Actualização (28/1/2017): Segundo esclarecimento do próprio Richard Littler, Scarfolk tem uma longa tradição de atrapalhação no que diz respeito ao formato das datas e, acrescenta o simpático Autor, trata-se de uma palermicezita. Muito bem e muito obrigado. Siga.

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Comments


  1. Usar Sisters Of Mercy para isto…

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  1. […] Ortográfico de 1990 começou a ser adoptado no Diário da República em 2 de Janeiro de 2012 (o dia 1 de Janeiro é feriado) e a circunstância detectada em 2 de Janeiro de 2018 (como, aliás, acontecera exactamente um ano […]

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