Así que pasen cinco años


PADRE: Cinco años, día por día. ¡Ay, Dios mío!

— Federico Garcia Lorca, Así que pasen cinco años

Dans le modèle de Klein, l’état spatial est l’opération linguistique de base dans la représentation de l’espace.

—  Arnaud Arslangul (2007)

Fast alle Schnecken, nur etwa drei Gattungen ausgenommen, haben ihre Drehung, wenn man von oben herab, d. i. von der Spitze zur Mündung gehet, von der Linken gegen die Rechte.

— Kant, Von dem ersten Grunde des Unterschiedes der Gegenden im Raum

***

Quando, há cinco anos, isto começou a acontecer de forma sistemática

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dei início à recolha de material para um documento, apresentado, um ano mais tarde, na Assembleia da República. A única resposta pública que então obtive foi do ILTEC:

Tal não invalida, é claro, que sejam legítimas as preocupações que o autor expressa no seu trabalho. É importante que os órgãos oficiais, sobretudo num período de transição como este, se esforcem por dar o exemplo e evitem erros.

De facto, cinco anos depois de os fatos e afins terem começado a ocupar quer o lugar dos factos e afins, quer o quotidiano dos leitores do Diário da República, eis o resultado das acções silenciosas que terão sido conduzidas pelos responsáveis políticos para combater o flagelo ortográfico em curso, baseadas evidentemente em estudos secretíssimos e, sem qualquer sombra de dúvida, aturados, demorados e muito rigorosos:

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Efectivamente, 2 de Janeiro de 2012 e 2 de Janeiro de 2017.

Contudo, hoje é dia 6. O que terá acontecido hoje, dia 6 de Janeiro de 2017?

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E ontem, 5 de Janeiro de 2017?

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E anteontem, dia 4 de Janeiro de 2017?

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E na terça-feira, dia 3 de Janeiro de 2017?

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E no dia 2 de Janeiro? Exactamente, na segunda-feira, dia 2 de Janeiro de 2012…  aliás, de 2017.

Isto é, de 2012 e de 2017.

dre212012e2017

Ah! Pois foi, vimos logo no início.

Exactamente. Efectivamente.  No sítio do costume.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Comments

  1. Paulo Só says:

    Falta uma citação das memórias de Cavaco Silva, o grande best-seller da saison a vir, na Europa.

  2. Manuel Silva says:

    Caro Francisco Miguel Valada:
    Não desista nunca desta sua estóica luta contra a irracionalidade, a incompetência e o modismo bacoco.
    Está acompanhado por muitos mais que estão contra este Aborto Ortográfico.
    Mas, infelizmente, há muito mais para além do AO, em boa parte fruto da desregulação e do desnorte que o mesmo veio acrescentar ao uso da Língua Portuguesa.
    Fala-se e escreve-se muito mal, e cada vez pior, nos «media», há cada calinada que nem lembraria ao Diabo (afinal, o Diabo não nos assusta apenas em relação às contas públicas, ameaçando-nos com a sua chegada eminente), afinal, o Diabo já faz parte da comunicação no nosso dia-a-dia, tornando-a cada vez mais difícil.
    Bem haja pela sua insubmissão à estupidez.

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