Gabriel Jesus e Yuya Osako: dois fenómenos a emergir no futebol europeu


Pelo que tenho visto dos últimos jogos do Manchester City, sinto-me inclinado a dizer que sim. Pelas suas características, Gabriel Jesus encaixa perfeitamente no futebol que se pratica em Inglaterra e mais concretamente na filosofia de jogo de posse que Pep Guardiola não tem conseguido trabalhar no louco futebol dos citizens.

Contratado ao Palmeiras por uma batelada de massa (27 milhões de libras), nos primeiros jogos em Manchester, o brasileiro está a valer cada cêntimo que o City pagou pelo seu passe, e está a dar um pequeno cheirinho do grande avançado que pode ser no futuro. Com um índice de trabalho fora do normal, Gabriel é um avançado que foge invulgarmente às habituais características dos avançados brasileiros: o jogador que passa grande parte do tempo do jogo no último terço à espera que a equipa lhe conceda bolas para brilhar no drible individual. Gabriel Jesus não é aquele avançado que molda a equipa em redor do seu futebol mas sim aquele avançado que se molda em função do que a equipa pretende que ele seja em cada momento do jogo. Isso é neste momento a maior característica que um avançado moderno deverá possuir para singrar no mundo do futebol.


Com um índice de trabalho fora do normal, Gabriel é um autêntico all-rounder que beneficia a dinâmica colectiva da equipa em todos os aspectos: não se importa de vir receber jogo ao meio-campo, é fortíssimo a explorar o espaço nas entrelinhas para conceder apoio frontal à circulação da equipa (obrigando os jogadores da linha média adversária a ter que compactar para o pressionar sempre que recebe e dá; permitindo à equipa abrir o jogo para as alas), é rápido a pensar o que é que vai fazer com a bola nos pés, batalha pela bola com uma intensidade voraz (o que permite à sua equipa conseguir recuperar a bola em terrenos avançados), sabe jogar muito bem com o corpo com e sem bola para enganar o adversário ou para ganhar os duelos na área contra os fortíssimos defesas dos clubes que militam na Premier e é um às no drible quando é lançado em profundidade numa ala, na desmarcação e obviamente na finalização.

Outro dos jogadores que me tem enchido o olho na presente temporada é o avançado japonês de 26 anos Yuya Osako. Apesar de já não ser um novato, este japonês de 26 anos, internacional por 17 vezes pela selecção nipónica, está a fazer uma temporada e tanto no Colónia, ao ponto de ter levado o seu treinador, o austríaco Peter Stoger, a afirmar que o japonês é o maior talento que lhe passou pelas mãos desde que é treinador.

Osako é um daqueles avançados ao estilo asiático: rápido e bem dotado tecnicamente tanto pode funcionar como ponta-de-lança como segundo avançado como nº 10 clássico. Contudo, alerto que é um jogador que só encaixa numa equipa cujo treinador coloque em prática uma filosofia de jogo ofensiva em contra-ataque, de preferência com pragmatismo e profundidade q.b. Isto porque Osako é um jogador que tanto é capaz de vir receber o jogo ao meio-campo e lançar um dos seus companheiros de ataque na cara do guarda-redes com fantásticos passes de ruptura em profundidade para as costas da defesa como é um avançado rápido o suficiente para aproveitar situações de transição rápida no contra-ataque para se desmarcar e ser ele mesmo a receber a bola nas costas da defesa. Com um poder de desmarcação invulgar, aliado a uma capacidade também invulgar de drible 1×1 e a uma finalização eficaz em potência (quase sempre de fora-da-área em situações em que se encontra isolado) é um daqueles avançados que nunca fica à espera que o defesa caia em cima para lhe tentar condicionar o remate. Remate logo que recebe e quase sempre remata bem. Como o futebol é feito de golos e como não existem vitórias sem remates à baliza, Yuya Osako é um daqueles avançados que qualquer treinador gostaria de ter à mão para resolver com duas balaustradas aquele jogo complicado em que os avançados ou pontas-de-lança receberam muitas bolas à entrada da área mas não foram expeditos ou eficazes no capítulo da finalização.

Comments

  1. A bosta futebulesca says:

    A bosta futebulesca, agora no Aventar

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