Mas qual modelo leninista?


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“Devo reconhecer que, na definição e execução das políticas económicas e sociais, o primeiro-ministro não se deixou captar pelo PCP ou pelo BE. Sempre o vi bem consciente de que o caminho defendido por esses partidos seria desastroso para Portugal e para os portugueses. O modelo leninista que querem implementar só tem gerado miséria e totalitarismo” – Cavaco Silva em Quinta-Feira e outros dias

Mas qual modelo leninista?

Alguém vê por aí a revolução do proletariado contra a burguesia, a tomada de poder pelo proletariado ou a abolição de classes? Alguém vê por aí neste país algum partido centralizado (centralismo democrático) a tomar os destinos da revolução popular? Alguém vê por aí o grande capital a não condicionar, a não explorar e a não alienar as potencialidades dos seus trabalhadores? Alguém vê por aí neste país a colectivização dos meios de produção ou a total e igualitária distribuição do produto social pelo povo? Alguém vê por aí a total nacionalização do tecido empresarial português por parte do Estado? Alguém viu o governo que Cavaco colocou no governo e defendeu até às últimas consequências através do Palácio de Belém nacionalizar ou colocar os interesses nacionais à frente dos interesses das instituições europeias ou das potências estrangeiras? Alguém viu o próprio Cavaco, nas duas legislaturas em que foi primeiro-ministro, fazer outra coisa que não liberalizar ou privatizar? Alguém vê um tecido empresarial uno, dividido somente entre cooperativas ou unidades de produção controladas directamente pelo estado? E Sovietes, alguém vê aqui por Portugal Sovietes?

Que raio de concepção de modelo leninina paira na cabeça choca de Cavaco? Ou será este trecho do livro, trecho que faz uma pausa na vendetta pessoal a José Sócrates para ferrar António Costa, mais uma prova viva do seu histórico ódio primário aos comunistas, iniciado quando foi, porque foi, informador da PIDE\DGS?

Vamos lá explicar a verdade a Cavaco: o Primeiro-Ministro nunca teve de ter de se “deixar captar” pelo PCP porque o PCP neste ano e meio nunca teve necessidade de captar a atenção do primeiro-ministro. O PCP assinou com o PS uma posição conjunta no dia 10 de Novembro de 2015  que identifica os aspectos convergentes em que dois partidos se comprometeram a trabalhar e a executar para satisfazer as necessidades do povo português. Nada mais. Não é um acordo de incidência parlamentar, não é nem nunca foi uma declaração de apoio do PCP ao programa eleitoral ou ao programa de governo do PS como muitos tentaram extrapolar. O governo do Partido Socialista tem satisfeito alguns dos aspectos lavrados nessa convergência. Esses aspectos, como por exemplo o descongelamento das pensões, a reposição de feriados retirados, o combate aos falsos recibos verdes, a contratação de mais pessoal para o SNS, a reversão de algumas privatizações, a reposição dos salários dos trabalhadores da Administração Pública, o aumento do salário mínimo nacional, entre outros que tem vindo a ser satisfeitos. Outros, como por exemplo, a descida da TSU, já motivaram o PCP a votar contra o partido do governo na Assembleia da República. Porém, estas mudanças estão longe de ser enquadradas num clássico modelo leninista porque para se executar um modelo leninista é preciso ir bem mais longe.

Comments

  1. Paulo Só says:

    O que eu nunca vi foi um presidente ajustar contas com os eleitores um ano depois de terminar o mandato, via livro, contando as suas conversas privadas com os ex-primeiros Ministros. O José António Saraiva faz falar os mortos, agora temos o morto que fala.

  2. Cavaco e o leninismo, socorro!!!! É preciso ter uma grande paciência com a indigência espiritual desta figurinha. Um surrogado entediante de arrelias, inépcias e despautérios, embebido em presunção e água benta, e pum!, um livro. Faz dó! De uma região tão linda, porque não vai apanhar sol?

  3. A.Silva says:

    Um perfeito idiota, que só foi o que foi por ser principalmente, testa de ferro de um bando de criminosos, que andou a roubar os portugueses

  4. Rui Mateus says:

    Um modelo leninista? É de bradar…isso sim é um elogio ao PCP, partido que nunca lutou para impor o marxismo-leninismo por estas bandas, nem no tempo do chamado Prec…o que trouxe miséria e opressão foram as políticas económicas a começar pelos governos que presidiu. É um fartar vilanagem!

  5. E outros Dias, Loureiro?

  6. Anti-pafioso says:

    Ó cavaco pira-te já daqui antes que fiques sem picareta . Boa viagem .

Trackbacks

  1. […] “Eu não quero falar sobre assuntos desta governação” – Cavaco Silva. E a devida explicação sobre o “tal modelo leninista” que este governo quer implementar?  […]

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