O livro


cavaco

O livro de Cavaco Silva, além de não ter qualquer garantia de verdade dos seus conteúdos – dado o autor, muito pelo contrário – é um golpe na fiabilidade da própria instituição presidência da República. A própria proclamação de Cavaco segundo a qual este livro é “uma prestação de contas aos portugueses” é – pela incapacidade do autor admitir o risco de subjectividade, considerando o texto completamente “objectivo” – a primeira e mais óbvia prova do pechisbeque político-literário que nos é oferecido. Mas os efeitos situam-se a outro nível. Quem estará disposto, agora, a ser completamente franco nas conversas reservadas com o presidente? Não que uma tal incomunicação – chamemos-lhe assim – impeça mistificações futuras, já que quem escreve este tipo de memórias mente quando e no que quer – sem ter, sequer, no caso presente, o mérito da qualidade literária. Mas, pelo menos, não será fornecido combustível para putativos incendiários políticos. Dir-se-á que Cavaco não tem credibilidade para provocar grandes prejuízos com as suas inconfidências e a parcialidade da sua narrativa. Mas o mal está feito e haverá sempre quem vá espojar-se neste material.

O sistema semi-presidencialista português tem os seus inegáveis méritos. Mas nem ele resistirá a muitos mais Cavacos e respectivas cavacadas. E se Cavaco Silva quer mesmo prestar contas ao país, todos temos imensas perguntas a fazer-lhe que nada têm a ver com este desleal e sujo exercício de quadrilhice institucional.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    As frases que vão saindo na imprensa, tiradas do livro desta figura tenebrosa, demonstram bem o carácter de quem as escreveu.
    Tanto tempo a querer passar a mensagem da não promiscuidade na vida pública dos assuntos de estado e num repente, um conjunto de coisas que se vão lendo que só demonstram que estamos perante uma pessoa sem qualquer pingo de frontalidade, prestando-se ao papel de um qualquer delator de política do Estado Novo.
    Vem agora fazer prognósticos no fim do jogo – a sua grande especialidade …”Eu sempre desconfiei…”, “Sempre me pareceu que” , . “Nunca confiei nisto ou naquilo” … , enquanto se mantinha, no exercício da sua função, calado, declarando constantemente que não fazia comentários, sempre com aquela cara de pau e de múmia que a figura que ilustra este post tão bem documenta.
    A História falará deste ser. Os genes do Estado Novo, estão todos naquelas frases que por agora se vão conhecendo e na postura que o livro encerra. Uma figura que delata e divulga situações profissionais e pareceres na praça pública sem o mínimo de respeito pelas pessoas que com ele trabalharam, só pode demonstrar o que sempre foi: uma pessoa em quem se não pode confiar.
    Para quando um livro sobre os seus amigos banqueiros que nunca mais são julgados? Ou, para ele, essa gente é o bom modelo?
    Por mim, o que tenho lido do que vai saindo na imprensa deste livro, simplesmente enoja-me.

  2. Mário Reis says:

    O brogesso, diz o povo e com razão: “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és!”
    Este ser miserável e escroque que deu guarida a uma chusma de cidadãos que praticam o “superior interesse nacional” como Oliveira e Costa do BPN, Duarte Lima, Dias Loureiro, entre outros bandos e quadrilhas que depenaram o país e quem trabalha, como Salgados e Cª, sem esquecer o Durão Barroso, deviam estar por detrás das grades.
    Fossem eles islandeses… onde o povo é quem mais ordena!
    Um incompetente miserável e nojento. Nem a potassa apaga esta nódoa bufo/salazarenta.

  3. Antonio Santos says:
    • Nascimento says:

      Olha mais um que adora levar num sitio girado! António está para o esterco….

    • martinhopm says:

      Mentir?
      foi o que fez Passos Coelho com a sua história (para crianças?) de incumprimento com a Segurança Social + o seu estatuto de deputado em regime de exclusividade;
      foi o que esteve na base de não se tratar do BANIF quando tal era menos grave, para não estragar a chamada ‘saída limpa’;
      foi a demissão irrevogável de Portas. Um golpe palaciano que afundou ainda mais a já débil economia portuguesa.
      Elas são tantas!
      Basta aceder ao ‘Youtube’ e ver, entre várias peças, a de ‘Passos 2011 versus Passos 2015’.
      Mais palavras para quê?! É um artista português.

  4. joaovieira1 says:

    Os “valores e interesse nacional” que Cavaco Silva, no seu livro de memórias, afiança ter defendido, ao longo da vida política, enchem-me de dúvidas, pois a grande maioria do povo, sabe, agora, na carne, no espírito e no bolso, para que serviram as suas duas maiorias absolutas como PM e as duas eleições como PR. Será que CS, ainda, acredita, hoje, que só ele, como PM, através das reformas económicas, financeiras e fiscais que diz/em ter feito, conduziu o país para um “oásis de abundância” e todos os outros PM’S, desde o 25 de Abril/74, estiveram, quase todo o tempo, a “dormir” e a cometer erros, falhas e omissões quando “acordavam”? Veja-se, no curto texto do Observador abaixo, que “gente” política o rodeou e sempre de “bico calado”, se dobrou ao seu autoritarismo de fachada
    “Para os Governos de maioria, Cavaco Silva trouxe inovações políticas que lhe permitiram controlar os ministros e o funcionamento de toda a sua equipa. Marques Mendes, seu conselheiro político na altura, integrava então o gabinete de análise política que juntava um grupo restrito de personalidades como José Manuel Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, Eurico de Melo e Fernando Nogueira.” Ora, com a excepção (talvez honrosa) de Eurico de Melo, quem não sabe, hoje, das “carreiras brilhantes e bem pagas” de Marques Mendes, Durão Barroso, Santana Lopes e Fernando Nogueira? Será que estes “príncipes-herdeiros cavaquistas”, alguma vez, fizeram algo que valesse a pena pelo país e pelos portugueses/as, a não ser “atirarem-se de cabeça” ao primeiro cargo, função ou prebenda que elevasse o seu “estatuto”? Se não for suficiente, como prova, eis a lista numerosa de corruptos, encabeçada por Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa e Arlindo de Carvalho?

  5. ZE LOPES says:

    Está lá alguma coisa sobre o BPN? E outras quintas, como a do Oliveira e Costa? E outros dias mais salgados? Tou tão ansioso que nem posso!

  6. Anti-pafioso says:

    FEIO ;PORCO E MAU .

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