Os livros que Cavaco deixou por escrever


Mais importantes para o público em geral do que a sonolência que se abatia sobre Cavaco quando conversava com Soares no Palácio de Belém ou a falta de cavaco passado a José Sócrates para revelar, sem escrúpulos, sem um único pingo de vergonha, sem perder aquele ar de presidente-de-facção-pai-do-passos, com uma ordinarice tamanha e com uma falta (até hoje, infelizmente) de sentido de Estado e de modo de estar na vida, conversas que jamais deveriam ser reveladas com o propósito expresso e declarado de ajustar contas com o primeiro-ministro com o qual nunca conseguiu trabalhar, foram os livros que Cavaco deixou por escrever.

Falo das histórias que ficaram por desvendar. As histórias que ajudaram a tornar este país o que actualmente é. As histórias que ajudam a compreender a própria História.
A história do delator que negou até ao último suspiro ter pertencido de alma e coração à PIDE\DGS. A forma em como em poucos anos destruiu o Estado Social, Abril e todas as suas conquistas para oferecer os anéis dos Estado a privados. A história do político que a partir de São Bento dominava todos os tentáculos do polvo da banca. O livro da história do político que conseguiu desaproveitar os fundos que lhe foram concedidos pelas comunidades para modernizar a infraestrutura e a requalificação da mão-de-obra na construção de estradas e em subsídios para destruir com a agricultura de um país. A história do político-cidadão que foi avisado atempadamente para tirar todos os seus investimentos num banco que estava prestes a estoirar. A história de um político que recebeu uma casa de férias em troca de favores políticos. A história de um político e cidadão que deu cobertura à maior bandidagem da história de um país, casos desses Oliveira e Costa, desses Coimbras e desses Dias Loureiros. A história de um político que alegou um dia não poder fazer face às suas despesas com um rendimento mensal de 11716 euros. A história de um Presidente da República que sustentou com estoicidade um governo insustentável, como se nesse governo estivesse depositada a sua vida. E por fim, a história de um homem que se gabava de nunca se ter enganado e de raramente ter dúvidas, auto descrita, num só tomo, em 37 segundos:

Comments

  1. ... 25 deAbril...onde estás?. says:

    O meu espanto é que este “cidadão” que foi um miserável toda a vida (bufo) não tenha sido presente a tribunal e “engavetado”.

  2. joão lopes says:

    nada disto é novo,este livro pertence ao mesmo campeonato do livro do Saraiva arquitecto,que por sua vez faz concorrencia com o livro da cristina ferreira no campeonato do:quem é mais honesto/bonito do que eu? eu ou eu? portanto estamos a falar de onanistas que inventam historias porque ninguem tem pachorra para os aturar

  3. Guilherme says:

    excelente texto. parabéns. cavaco de merda!

  4. Cavaco, igual a si próprio, cavador de ódios de estimação nunca conseguiu conviver com a realidade. Um obstinado sem emenda que tem fortes responsabilidades como primeiro-ministros em caos uns ridículos, outros que mereciam explicação detalhada. O seu comportamento naquele autêntico saque ao BdP em que várias toneladas de ouro voaram para os EUA e nunca regressaram merecia uma investigação séria.

  5. Eu envergonhado me confesso, em tempos na minha mocidade votei neste escarro social. Eu com um X colaborei na destruição de carácter de um povo.

  6. José Peralta says:

    O relato daquelas “5.as” feiras” parece vir na sequência “erudito-literária” do “alquitectro” saraiva ! Não li, nem vou ler, mas tenho estado atento às várias opiniões que considero credíveis ! E pelo que oiço e leio, é mais uma, APENAS MAIS UMA “revelação” da falta de caracter de um ser abjecto e desprezível ! Mas estou à espera do já prometido 2.º volume, e esse vou ler, certamente, com muito prazer ! É nele que o “autor” vai explicar a sua alegada “inscrição na pide” de que, curiosa e alegadamente não se lembra, as alegadas negociatas com as “boas acções” do BPN compradas muito bem, e vendidas ainda melhor, antes do colapso, a alegada permuta da moradia antiga pela casa da Coelha, cuja escritura, alegadamente, não se encontra e “o autor” não se recorda onde a assinou…É curioso com uma memória tão privilegiada para vomitar tanto “azedo”, tenha depois “brancas” que parecem tão alegadamente convenientes ! Vai explicar muito bem como garantiu a solidez e credibilidade do BES, provocando a tragédia a centenas de famílias, e negando depois, cobardemente o que tinha afirmado ! E irá contar também o processo disciplinar (e este, não é “alegado”…porque foi contado de viva voz numa entrevista televisiva do reitor à dra Helena Sacadura Cabral, entrevista que parece ter desaparecido… ) instaurado pelo reitor da Universidade Nova o malogrado Professor Alfredo de Sousa, por excesso de faltas como professor, e com vista ao seu despedimento, o qual também desapareceu misteriosamente do Ministério da Educação quando o seu amigo deus pinheiro (o “god pine” !) era o ministro ! Está tudo na NET, é só procurar ! Mas contado pelo “protagonista”, terá outro “sabor”, como aquela história choramingona da reforma de 1300 euros mensais ! Mal posso esperar pelo 2.º volume…

  7. Anti-pafioso says:

    Tem toda a razão srº José , esperamos pelo 2º volume ,pois devem de ter as confissões das 2ª ,3ª 4ª ,6ª sábados e domingos .Não sei é se as 600 páginas chegam .

  8. José Pinto says:

    Podia escrever um livro também a explicar esse espantoso rasgo de visão que fez com ganhasse uma fortuna a vender as célebres acções do BPN. Ele e a filhinha querida e tb explicar onde e como arranjaram dinheiro para comprar em saldo o Pavilhão Atlântico. Coisa mais nojenta um autentico verme!!

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