A inteligência, criatividade e qualidade de passe de Christian Eriksen


O meu destaque da semana futebolística vai para o médio dinamarquês do Tottenham Christian Eriksen. Presente nos 3 golos do Tottenham frente ao Fulham (Championship) no jogo a contar para os oitavos-de-final da FA Cup, o médio dinamarquês demonstrou mais uma vez todo o seu talento e a razão que me leva a apreciá-lo desde os tempos em que jogava no Ajax.
Se Harry Kane é actualmente um dos melhores pontas-de-lança da Premier League e do futebol europeu, o internacional inglês muito o deve à sala de máquinas que trabalha na sua rectaguarda para lhe proporcionar as melhores oportunidades de golo possíveis. Falo portanto  de jogadores como Seung Heung-Min, Christian Eriksen, Marco Dele Ali, Erik Lamella, Moussa Sissoko ou do enérgico e raçudo lateral direito da equipa londrina Kyle Walker.

O que é que se pode considerar inteligência e criatividade em futebol? Se considerarmos que técnica em futebol deve considerar-se a forma em como um jogador executa um determinado gesto do jogo (recepção, drible, passe, remate), a inteligência é a característica  do plano mental que permite ao jogador tomar, em todas as situações em que é chamado a intervir, na mais variada e complexa panóplia de cenários de jogo, tomar as melhores decisões possíveis em prol da prossecução da estratégia e da identidade de jogo da sua equipa, aplicando para tal toda a sua técnica individual e toda a sua leitura da situação de jogo. E a criatividade? A criatividade é a expressão artística da inteligência do jogador, aplicada em função da necessidade que este tem em procurar soluções inovadoras para a sua equipa num curto espaço de tempo perante um determinado cenário de jogo que obviamente lhe tende a dificultar a vida. A criatividade e a inteligência estão intimamente ligadas? Sim. Tanto para o que de positivo como para o que de negativo faz o jogador. Há jogadores extremamente inteligentes, capazes de largar aquele passe na hora h e criar ali, com criatividade, uma superlativa vantagem para a sua equipa como há jogadores tecnicamente dotados que são criativos mas não são inteligentes porque não acrescentam objectividade, profundidade ao jogo da equipa nem criam desequilíbrios de maior com a sua, se assim lhe podemos chamar, “brincadeira na areia”. Assim como existem jogadores que são muito inteligentes e pragmáticos a gerir todas as suas intervenções no jogo mas não o fazem com um toque artístico.

Christian Eriksen é um médio raro no futebol europeu. Isto porque alia técnica individual apurada em todos os gestos em que esta pode ser observada e avaliada a uma leitura do jogo (que vai influir no seu sentido posicional) que o faz andar como um vagabundo no ataque do Tottenham (apesar de preferencialmente gostar mais de jogar na interior direita no esquema táctico de Pocchettini) à procura de bolas porque sabe que por onde anda é o sítio onde pode tirar proveito do posicionamento adversário, uma flexibilidade posicional que gera dinâmica à circulação da equipa e acima de tudo, inteligência na gestão da posse de bola da equipa e nos processos de construção aliada à criatividade, ou seja à procura de soluções inovadoras que permitem benefícios à equipa em determinados contextos adversos nos quais o tempo de pensamento e execução é o obviamente um dado limitado. A acrescentar a tudo isto, um certo pragmatismo característico dos médios dos países nórdicos. Criativo sim, mas também objectivo. Eriksen sabe ler um “campo”, sabe o que fazer e sabe sempre fazê-lo com criatividade e objectividade. E a equipa lucra obviamente com o que o seu mestre faz com a batuta.

Eriksen é portanto é um jogador que sabe todos os caminhos para a área adversária. Quer a sair individualmente em velocidade de situações de pressão a meio-campo, quer a furar a linha intermédia da equipa contrária com tabelas com os colegas. No último terço, sabe sempre quando é que deve entrar num 1×1 contra o adversário para o tirar da frente de forma a ter todo o tempo do mundo para colocar bons cruzamentos assim como descobre sempre aquele passe de génio que racha quartetos defensivos e põe os colegas na cara do golo. Quando não tem possibilidades de entrar num 1×1 em drible aproveita todas as abertas para colocar cruzamentos. Quando consegue ganhar uma 2ª bola à entrada da área sabe que é tempo para colocar o seu poderoso remate. Quando está rodeado de adversários lê muito bem a sua posição e a posição dos seus companheiros. Como é um jogador com uma prodigiosa leitura de jogo e como sabe o que é que os seus colegas de jogo pretendem que ele faça, ele antecipa-se aos adversários e faz exactamente aquilo que os outros esperam dele num curto espaço de tempo. A capacidade que o médio dinamarquês tem de desbloquear o jogo sempre que a bola lhe chega aos pés é o fruto do seu nível de inteligência e criatividade. É por isso que o considero um dos melhores médios da actualidade do futebol europeu

Comments

  1. suco da barbatana says:

    Temas do suco da barbatana é o que nos enriquece.

  2. Foda-se! Este foi o melhor nick de sempre no aventar!

Trackbacks

  1. […] função em campo, a função de ser o criativo da equipa (vide aqui inteligência vs criatividade a propósito do post que escrevi sobre outro 10 que não joga necessariamente no corredor central, o […]

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