A importância do plano mental no futebol


Aconteceu ontem no Artemio Franchi para mal dos pecados da equipa italiana e de Paulo Sousa, um treinador que parece estar, depois de muitos avanços e recuos por parte da direcção do clube de Firenze, mais próximo da porta de saída mais pela irregularidade nos resultados do que pelo futebol mais ou menos vistoso que a Viola pratica.

Espectáculo digno de Champions por parte de duas equipas candidatas à vitória na Liga Europa. Contudo, não é o espectáculo que pretendo realçar mas sim a força anímica que levou a também irregular equipa alemã, orientada por Dieter Hecking, a acreditar que era possível virar uma eliminatória que chegou a estar no jogo de ontem a favor dos italianos por 3-0, depois de uma primeira parte em que aconteceu de tudo aos alemães: bolas nos postes, uma incapacidade defensiva invulgar que permitiu ao criativo Federico Bernardeschi rasgar o meio-campo com a bola e assistir Kalinic no meio de 5 jogadores adversários no lance do primeiro golo dos italianos e uma fífia monumental (sob pressão é certo) do seu central, o internacional dinamarquês Jannik Vestergaard no lance do segundo golo.

Um penalty a favor dos alemães no final do primeiro tempo não foi capaz de não aburguesar uma Fiorentina que a partir do 2-0 quis gerir o resultado através do recuo das suas linhas. A eliminatória acabou por ser aberta pelos alemães na 2ª parte graças à força mental de dois jogadores: Lars Stindl, o homem que perante as adversidades teve a força mental para colocar  a máquina a jogar com as suas maravilhosas incursões em drible e com as suas lineares tabelas que rasgaram em vários momentos a defensiva italiano e o avançado internacional suiço Josip Drmic, jogador que com a sua combatividade, nunca deu um lance como perdido e permitiu à sua equipa ser feliz num dos golos que marcou a eliminatória.

Foi essencialmente a força de carácter e o inconformismo destes dois jogadores na mais pura das adversidades que fez contagiar todo um colectivo para uma 2ª parte de gala da equipa alemã, equipa que apesar de ter atingido sem sucesso a fase-de-grupos da Liga dos Campeões nas últimas duas temporadas em virtude de um 4º lugar na época passada e de um 3º na anterior (a fazer lembrar o velhinho Monchengladbach dos anos 70, equipa que dividiu tudo o que havia a dividir nessa década com o poderoso Bayern de Munique; equipa onde brilhavam nomes como Jupp Heynckes, Berti Vogts, Gunter Netzer ou Stielik) tem vindo a ser muito irregular na presente temporada. Essa força de carácter de um só jogador ou de dois jogadores, é por vezes, na mais pura adversidade de contexto, o rastilho que faz explodir toda uma equipa desmoralizada e descrente. Essa força é a força que catapulta uma equipa a encarar uma época que se pensa e que se tem no fundo como perdida numa época de sucessos. No caso concreto do jogo de ontem, Lars Stindl deu mais que uma grande exibição à turma alemã, deu mais do que a passagem aos oitavos-de-final da prova: deu a confiança que esta equipa precisa para encarar o que falta para jogar e deu a sensação que esta equipa poderá inverter rapidamente qualquer resultado ultra desfavorável. E isso faz-me crer que o Borussia irá agarrar a oportunidade que lhe foi concedida ontem e que irá lutar até ao fim por esta Liga Europa.

Nótula final: Os 16 avos-de-final da Liga Europa fizeram uma primeira selecção aos favoritos à vitória na prova. Três dos meus cinco candidatos caíram. O Villareal foi esmagado pela Roma (1-4; apesar de ter ganho em Roma por 1-0), o Tottenham foi eliminado em casa pelo Gent e o Zenit caiu algo injustamente às mãos do Anderlecht (3-1) devido ao golo marcado pelos belgas na Rússia. Na minha opinião, pelos momentos de forma que neste momento estão a passar, United, Ajax, Roma, Lyon (incríveis 7-1 ao AZ Alkmaar) e Celta de Vigo (outra equipa composta por jogadores que dão tudo até ao fim; eliminou o Shakhtar Donetsk de Paulo Fonseca com um 2-0 na Ucrânia depois de ter perdido 1-0 nos Balaídos) são os principais favoritos à conquista da prova. 

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