Olhá claustrofobia democrática fesquinha


António Valle, Assessor de Comunicação de Pedro Passos Coelho, denuncia uma situação muito grave quanto ao DN.

Em nome do DN, na sua prosa, o jornalista João Pedro Henriques ensaia a justificação para explicar porque o DN não publica a mensagem política do PSD. O jornalista assume que o jornal não reporta as posições do PSD (!) porque este se centra em “coisitas menores”, como a denúncia ao ataque que o atual Governo desencadeia a quem contraria a narrativa instalada…

Acontece que, pequeno detalhe, o que afirma Valle é falso.

Lendo o artigo de opinião em causa, João Pedro Henriques escreve na secção de opinião, onde, até, explicita o que pensa reforçando-o com um “pessoalmente“. Em lado algum o cronista fala em nome do jornal.

Mais, Valle retira a expressão, “coisitas menores” de contexto, usando-a em sentido completamente diferente do original. Escreve Henriques o seguinte:

Só podem estar todos, claro, silenciados (e comprados) pelo poder socialista – diz-se (e escreve-se) no PSD. Porque se não o estivessem, os jornalistas certamente entenderiam que esses três interessantes dossiers [CFP, BdP e SMS] são bastante mais relevantes do que coisitas menores que atingem vários milhões de portugueses (o IRS, as carreiras contributivas longas e o salário mínimo nacional, para já não falar de outras, como a integração nos quadros – privados e do Estado – de milhares de trabalhadores precários ou o descongelamento das carreiras da Função Pública).

As “coisitas menores são “o IRS, as carreiras contributivas longas e o salário mínimo nacional, para já não falar de outras, como a integração nos quadros – privados e do Estado – de milhares de trabalhadores precários ou o descongelamento das carreiras da Função Pública”. Fica o desenho.

Bem sei que o posicionamento de hoje [continua Valle], finalmente, assumido pelo DN se insere na linha comunicacional que tem por base manipular a opinião pública convencendo-a de que o PSD não faz oposição, não tem discurso e não tem um projeto para o país.

Acontece que é a própria direcção do PSD (ouça-se a última entrevista de Montenegro a Maria Flor Pedroso) que afirma que o partido não precisa de apresentar novas propostas porque já o fez para o seu (breve) governo de 2015. Como se o país fosse o mesmo; como se não tenha ficado claro que existe alternativa.

Partido de falsas premissas, Valle parte para enumeração de acções políticas do PSD, as quais, supostamente, não tiveram eco no DN. Só que o tiveram no jornal e na comunicação social em geral e com largo destaque (pela lógica de Valle, será comunicação social ao serviço do PSD).

Mas antes de se lançar ao exercício de orientação editorial, Valle ainda lança a sua farpa.

Mas é oportuno deixar claro que, felizmente, não é o DN que define a agenda política PSD!

Mas parece ser o PSD que quer definir a linha editorial do DN.

A título de referência e memória futura, aqui ficam os dois artigos.

Com a cabeça enfiada na areia não se ouve nada

02 DE MAIO DE 2017 00:00

João Pedro Henriques

Se calhar é melhor explicar isto como quem faz um desenho. O que muda mais a sua vida? O aumento dos escalões do IRS ou a nomeação de duas pessoas para o Conselho de Finanças Públicas (CFP)? A correta remuneração dos pensionistas com carreiras contributivas de 40 e mais anos ou a escolha de dois administradores para o Banco de Portugal (BdP)? O aumento do salário mínimo nacional (SMN) ou os SMS que supostamente terão sido trocados entre o ministro Mário Centeno e o ex-administrador da CGD António Domingues?

Na direção do PSD a fúria é grande. Estranhamente, os jornalistas não estão a dar importância devida às importantes causas que o partido tem trazido para o debate público – e que são as tais questões relativas ao CFP, ao BdP e aos SMS, questões que, por junto e atacado, envolverão no máximo umas seis pessoas.

Só podem estar todos, claro, silenciados (e comprados) pelo poder socialista – diz-se (e escreve-se) no PSD. Porque se não o estivessem, os jornalistas certamente entenderiam que esses três interessantes dossiers são bastante mais relevantes do que coisitas menores que atingem vários milhões de portugueses (o IRS, as carreiras contributivas longas e o salário mínimo nacional, para já não falar de outras, como a integração nos quadros – privados e do Estado – de milhares de trabalhadores precários ou o descongelamento das carreiras da Função Pública).

Pessoalmente, compreendo o problema do PSD. O que domina a atual agenda política continua a ser a desconstrução de muito do que foi feito na legislatura 2011-2015. Mas isso, só por si, não é razão para não ter ideias sobre estes assuntos, achando, ainda para mais, que não interessam nada a ninguém e portanto não deveriam ser valorizados.

Ainda não passou pela cabeça de ninguém na São Caetano à Lapa que é possível, em simultâneo, falar de mais do que um assunto? Que é possível agitar a bandeira da “claustrofobia democrática” e, ao mesmo tempo, ter um pensamento consistente sobre fiscalidade, pensionistas, salário mínimo, precariedade, remuneração da Função Pública, etc?

Aparentemente, não há quem avise a direção do PSD da profunda cegueira que se revela num partido que centra todas as culpas não em si mas no panorama mediático – num estranho eco do comportamento de Donald Trump, aliás. Não há quem avise e até é compreensível: uma pessoa com a cabeça enfiada na areia não ouve nem se faz ouvir.

Não são os jornais, é o Diário de Notícias!

Hoje o Diário de Noticias (DN) publica um artigo de opinião do seu jornalista  João Pedro Henriques, intitulado “Com a cabeça enfiada na areia não se ouve nada”.

Em nome do DN, na sua prosa, o jornalista João Pedro Henriques ensaia a justificação para explicar porque o DN não publica a mensagem política do PSD. O jornalista assume que o jornal não reporta as posições do PSD (!) porque este se centra em “coisitas menores”, como a denúncia ao ataque que o atual Governo desencadeia a quem contraria a narrativa instalada…

O artigo do jornalista João Pedro Henriques, a posição do DN, é útil: conclui que o PSD deve seguir a agenda redactorial e política do jornal, como critério para ser notícia. Mas é oportuno deixar claro que, felizmente, não é o DN que define a agenda política PSD!

Bem sei que o posicionamento de hoje, finalmente, assumido pelo DN se insere na linha comunicacional que tem por base manipular a opinião pública convencendo-a de que o PSD não faz oposição, não tem discurso e não tem um projeto para o país. Mas felizmente não é por não aparecer no DN que esta narrativa se torna verdadeira.

Mas vamos aos factos.

Num simples exercício, fui confrontar algumas iniciativas públicas do líder do PSD – em todas áreas sectoriais e políticas – desde o início do ano, com o retratado no DN. No fundo, tento aferir se o DN, vinculado em João Pedro Henriques, tem razão quando escreve que o PSD e o seu líder, fala apenas de “coisitas menores”.

Será que alguém leu no DN os temas que o líder do PSD abordou nos últimos meses?

Alguém leu no DN?

Este fim-de-semana o líder do PSD demonstrou que cerca de 70% do emprego criado nos últimos dois anos foi gerado até 2015. Já entre 2014 e 2015, o desemprego caiu quase 75%.

Não leu!

Alguém leu isto no DN?

O líder do PSD desmontou a falsa ideia – relatada e suportada pelo DN – segundo a qual o emprego e o desemprego apenas estão com melhores indicadores desde que o Governo tomou posse.

Não leu!

O líder do PSD denuncia que António Costa está a promover uma economia assente em salários baixos, baseado em dados concretos que demonstram que o número de trabalhadores a auferir o salário mínimo passou de perto de 400 mil, no primeiro trimestre de 2014, para quase um milhão no final de 2016. Alguém leu no DN?

Não leu!

Alguém leu no DN ?

O País precisa de “crescer mais do que aquilo que está previsto. E precisamos, do ponto de vista do que são as correções das injustiças sociais e as desigualdades económicas, que estas possam ser progressivamente superadas…”? (Pedro Passos Coelho, 6 de janeiro 2017)

Para o DN não existiu!

Ou ainda que Pedro Passos Coelho defende que “era importante que houvesse criação de emprego, com uma perspetiva de uma remuneração mais qualificada.”? (6 de janeiro de 2017)

Não leu!

Em matéria de crédito à economia, alguém leu no DN que Pedro Passos Coelho denunciou que o crédito mal parado tem vindo a aumentar? Ou que “não é compreensível que não exista uma execução maior dos fundos (europeus) que estão à nossa disposição”? (7 de janeiro de 2017)

Não leu!

Alguém leu no DN que o País pode “atrair mais investimento externo se formos fiscalmente mais competitivos. Não podemos competir com países que têm níveis de fiscalidade muito mais baixos. Na Irlanda, o IRC pesa 10% a 12%. Em Portugal, pesa 22%. Se queremos atrair investimento temos de mexer na taxa do IRC.” ? Ou que o líder da oposição defendeu a necessidade de criar condições para que as empresas tenham sucesso para que se possa ir melhorando o salário mínimo nacional? (Pedro Passos Coelho, 10 janeiro 2017)

Não leu!

O Presidente do PSD defende “…mais crescimento e desenvolvimento, conseguindo melhor saúde, educação e serviços públicos, assim como maior igualdade de oportunidade. E queremos ainda investir no que nos pode diferenciar, seja no turismo e na sua qualificação. Podemos valorizar ainda mais o que temos e acrescentar valor, criando mais emprego em Portugal. Assim podemos pagar o que devemos e ter uma redistribuição mais equilibrada para futuro”? (13 de janeiro 2017)

Não leu!

Alguém leu no DN que Pedro Passos Coelho afirmou que o PSD “não se deixa seduzir pelas ideias populistas e nacionalistas. Nós defendemos uma sociedade aberta, uma economia que atraia investimento e que leve as nossas empresas para o mercado global. Podemos todos em conjunto crescer muito mais”? (20 janeiro 2017)

Não leu!

Alguém leu no DN que o líder do PSD acusou a maioria de esquerda de chumbar a proposta do PSD que permitia dar competitividade à economia, atraindo mais investimento externo? (10 de fevereiro 2017)

Não leu!

Alguém leu no DN que o presidente do PSD afirmou que “as regressões que estamos a ter nas políticas públicas contribuem para que não se corrijam as desigualdades.”? Ou que “a cada dia que passa, as escolhas do Governo custam a degradação dos serviços públicos“? (18 de março 2017)

Não leu!

Alguém leu no DN que Pedro Passos Coelho defendeu uma verdadeira reforma de descentralização e que o PSD apresentou “propostas que visam descentralizar competências, que podem mostrar que as nossas terras podem ser ainda mais bem geridas. Na altura (discussão do Plano nacional de reformas em 2016), a maioria chumbou todas as propostas“? Ou que durante os anos em que o PSD esteve à frente do Governo, a CGD “andou a reconhecer quase 5 mil milhões de imparidades por crédito arriscado, que tinha sido atribuído no tempo do socialismo, em que se fez mau crédito no banco público. Durante o nosso Governo, andámos a limpar”? (18 de março de 2017)

Não leu!

Alguém leu no DN o Presidente do PSD a afirmar “que era preciso crescer mais e melhor, para dar aos portugueses melhores resultados”? Ou a opção de o Estado poder “recorrer a instituições privadas para garantir políticas públicas. Não é por estarmos numa escola que não é do Estado que não temos serviço público de educação. Se pudermos ter educação ou saúde que não sejam mais caras, porque não há-de o Estado garanti-las? Porque é que tem de obrigar toda a gente a ir estritamente a instituições cuja propriedade é do Estado?” Ou, mais recente, quando se observa para o que se passa na Venezuela, temos o modelo imposto, “defendido pelo Governo, que de forma populista quer oferecer a receita de nivelar por baixo. O resultado são farmácias sem medicamentos, serviços sem qualidade e uma sociedade sem escolha”? (21 de abril 2017)

Não leu!

Assim como também não leu nada no DN sobre o que Pedro Passos Coelho afirmou em relação ao condicionamento que o atual Governo faz às instituições independentes. Uma prática que pretende domesticar tudo e todos que não alinhem na narrativa socialista. Com um governo dito de esquerda, o DN alinha no definhamento democrático. Na verdade, o definhamento democrático é, para o atual DN, uma “coisita menor”.

Realmente, com a cabeça enfiada na areia não se ouve e não se vê nada!

António Valle

Assessor de Comunicação de Pedro Passos Coelho

Comments

  1. é o PPD que temos. uma fossa.

  2. José Peralta says:

    A voz do dono antónio valle ? carlos abreu amorim ?

    Ataque e perseguição a Jornalistas ? Onde é que eu já vi “isto” ?

    Ah ! Já me lembro : erdogan. putin, tudo farinha do mesmo saco…

  3. Não deixa de ter o seu toque de ironia ter descoberto esta pouca vergonha por um apoiante de longa data de Passos Coelho.

  4. JgMenos says:

    ‘Como se o país fosse o mesmo; como se não tenha ficado claro que existe alternativa.’
    Comovo-me às lágrimas com estas tiradas!
    Trocar investimento por distribuição é a alternativa de cretinos comoventes.
    Acrescer à dívida para manter empresas falidas é alternativa de treteiros de sempre.
    O país não é o mesmo por ter havido quem o tirou da merda; mas está nas mãos de quem o porá lá uma vez mais!

    • José Fontes says:

      Ó troll JgMenos:
      Ó olharapo, diz lá quanto é que o investimento global (público e privado) desceu em 2016 em relação a 2015.
      Se souberes diz.
      E podes explica o teu acrisolado e serôdio amor pelo investimento público.
      Então já não é só para contentar a esquerdalhada?
      Para distribuir talhos pela esquerdalhada?
      Ou, afinal, agora já é bom?
      Não passas de um sem carácter, um reles que papagueias o que o teu patrão Passos te manda na cassete..

  5. anti pafioso. says:

    Outro que ainda não largou a erva. Os pafiosos continuam a ladainha de com papas e bolos se enganam os tolos .Cambada de vigaristas e aldrabões .

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