Há uma grafia rasca em Portugal


Quem te não viu anda cego

Zeca Afonso

DOC: Symptoms, ma’am, symptoms.

SALEM: Symptoms!

SONNY: Things that show on the outside what the inside might be up to.

— Sam Shepard, “La Turista

O penalty é penalty.

— Rodolfo Reis. 27/8/2017

***

Durante as férias, depois dos arredores de Putzu Idu, algures em Portugal, porque era efectivamente sábado e se calhar havia vento de Gibraltar,

Algures em Portugal, Agosto de 2017

apareceu-me este texto de Vítor Serpa, director do jornal da irresponsável resistência silenciosa.

En passant, acho deliciosa a avaliação “excelente”,

feita pelo director do jornal A Bola, de um trabalho “apresentado com rigor”,

segundo o próprio (com um pequeno problema de concordância), pela redacção do jornal que dirige.

É contra atitudes destas, ou seja, atribuição (encapotada ou expressa) de um valor ao nosso trabalho e publicitação dessa avaliação, antes da apreciação de terceiros, que em última análise e preferencialmente a ciência prevalece sobre a crendice e as relações públicas.

Foi igualmente pelo primado da liberdade de expressão sobre a resistência silenciosa que Abril (com maiúscula, sempre) se fez. Todavia, há quem prefira resistir silenciosamente. E há quem simultaneamente exerça esse tipo de resistência, atribuindo valor (ainda por cima, o mais elevado) ao seu próprio trabalho, de forma tão rápida que nem dá tempo ao Clint Eastwood para limpar o sebo aos maus da fita.

Curiosamente, ao ler esta parte do texto de Serpa,

lamentei imediatamente que o autor andasse a perder tanto tempo com a instituição Sporting e o presidente Bruno de Carvalho, em vez de se debruçar sobre a sua própria instituição e sobre si próprio, pois este excerto reflecte muito bem (excepto, porventura, a parte dos “milhões de cidadãos”: contudo, milhares serão, certamente) o papel nocivo desempenhado pelo jornal A Bola no processo ortográfico em curso, devido a uma atitude que de exemplar (pelo menos, actualmente, ou seja, no século XXI) nada tem.

No artigo aludido, Serpa debruça-se sobre “uma geração rasca”. Exemplos do jornal A Bola, em cujos textos (alegadamente) se adopta o AO90, dão-nos claramente a imagem de uma grafia sem qualidade, reles, enfim, rasca. O contributo do jornal A Bola para a grafia rasca actualmente adoptada em Portugal inclui os nossos bem conhecidos contatos e fato. Efectivamente, ninguém pára este disparate ortográfico.

Quanto à grafia rasca no sítio do costume, regresso de férias e, efectivamente, tudo continua como dantes.

Ainda bem que há um “geral acatamento”.

Exactamente.

***

Comments

  1. Excelente.

  2. JoãoBarroca says:

    Efectivamente, excelente…

  3. Fernando Manuel Rodrigues says:

    “As horas de contato dependem da optativa”… Então não deveria ser “otativa”? (hi, hi, hi). Porque é que deixaram aquele P? Mania de complicar…

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