Quando convidam a bactéria para falar sobre a doença

As questões judiciais relativas a José Sócrates serão resolvidas pelos tribunais. Os actos reprováveis que possa ter cometido ficam com a sua consciência. O Núcleo de Estudantes da  Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra é livre de convidar quem muito bem entender e, apesar de tudo, faz mais sentido que um antigo primeiro-ministro dê uma palestra do que partir do princípio de que o desempenho desse mesmo cargo habilita qualquer um a ser professor.

Por mim, já ouvi José Sócrates vezes suficientes para saber que é desonesto, indefensável e que tem uma voz desagradável, mas sobretudo que faz parte de um conjunto de políticos europeus que, subordinados a interesses privados, têm contribuído para a ruína de uma Europa que deveria perseguir políticas sociais e económicas amigas dos cidadãos. Convidar José Sócrates para falar sobre o projecto europeu é, portanto, o mesmo que dar a palavra a um dos agentes das doenças que andam a corroer esse mesmo projecto há anos, o que, no fundo, faz sentido: quem não gostaria de ouvir o que o bacilo de Koch teria a dizer sobre a tuberculose?

De qualquer modo, reconheça-se coerência ao Núcleo de Estudantes da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra ao dar voz a quem defende ou pratica ideias que atentam contra o projecto europeu: Sócrates é o quinto orador neste ciclo de conferências, depois de Passos Coelho, Teodora Cardoso, Marques Mendes e Jorge Coelho.

Há uma grafia rasca em Portugal

Quem te não viu anda cego

Zeca Afonso

DOC: Symptoms, ma’am, symptoms.

SALEM: Symptoms!

SONNY: Things that show on the outside what the inside might be up to.

— Sam Shepard, “La Turista

O penalty é penalty.

— Rodolfo Reis. 27/8/2017

***

Durante as férias, depois dos arredores de Putzu Idu, algures em Portugal, porque era efectivamente sábado e se calhar havia vento de Gibraltar,

Algures em Portugal, Agosto de 2017

apareceu-me este texto de Vítor Serpa, director do jornal da irresponsável resistência silenciosa.

En passant, acho deliciosa a avaliação “excelente”,

feita pelo director do jornal A Bola, de um trabalho “apresentado com rigor”, [Read more…]

Biblioteca Joanina pode ser vista no novo filme “A Bela e o Monstro”

A Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra foi a mais directa e reconhecível inspiração para o espaço imaginado no filme da Disney.

A Biblioteca Joanina:

O filme:

Créditos:
Imagens do filme “A Bela e o Monstro: © Walt Disney Pictures.

Imagens da Biblioteca Joanina:© UC | Paulo Amaral

Texto e mais detalhes: página da Universidade de Coimbra

Inaceitável e imperdoável

Ao longo dos 7 anos em que estudei na Universidade de Coimbra, duas das múltiplas virtudes que a Universidade me fez adquirir para a minha vida foi o respeito por todos os credos e a dotação de uma forma de pensar personalizada, aberta e urbana. Não tenho nada nem nunca tive nada contra as pessoas que elencaram (e ainda elencam;sei que algumas das pessoas que praticaram estes crimes ainda fazem parte da minha geração universitária) as Repúblicas e o Conselho de Repúblicas. Antes pelo contrário. Dormi em várias repúblicas da cidade ao longo de 7 anos, fui comensal de uma, tenho amigos em várias assim como participei em diversas febradas, almoços, jantares e centenários de várias. Fui até mais longe em determinadas situações, entrando directamente nas causas das Repúblicas sem nunca ter sido repúblico quando abracei a causa particular que foi aberta pela nova Lei do Arrendamento Urbano e quando tentei ajudar o pessoal do Solar dos Estudantes Açorianos a ver o seu problema de esgotos e canalizações resolvido junto da Câmara Municipal de Coimbra. [Read more…]

Coimbra não é uma lição

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Imagem roubada ao João Roque Dias

Quem tiver a oportunidade de consultar, por exemplo, documentação medieval, deparará com grandes oscilações ortográficas, visíveis no facto de as mesmas palavras surgirem grafadas de maneira diversa muitas vezes no mesmo documento escrito pela mão de um único escriba. Entretanto, passaram alguns séculos e houve milhares de pessoas a pensar sobre as questões linguísticas, pedagógicas ou didácticas, o que inclui reflexões sobre a escrita e conclusões sobre as relações complexas entre a fala e a escrita e entre ambas e a aprendizagem da língua, do conhecimento e do mundo. [Read more…]

Algum dia teremos de começar

a construir uma sociedade democrática para o século XXI. Um colóquio dá contributos. Já depois de amanhã, em Coimbra.
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Contatos → Contactos

Os contatos passaram a contactos. No entanto, o algodão não engana.

 

A mulher gorda…

Pode participar de um estudo.

Há uns dois anos atrás e residisse eu em Coimbra, já tinha pegado no telefone…

 

Magnífico Reitor

Discutível mas imperdível, o discurso na Abertura Solene das Aulas de João Gabriel Silva, Reitor da Universidade de Coimbra.

O esquizofrénico José Viegas (I)


O secretário de estado da Cultura, António Sousa Homem, ou melhor, Francisco José Viegas, vai estar hoje em Coimbra para formalizar a candidatura da Universidade a Património da Humanidade junto da UNESCO. Isto enquanto, em simultâneo, anda a tentar por todos os meios foder igual classificação do Alto Douro Vinhateiro.
Viegas deve achar que uma mão limpa a outra, por isso não tem mal se perdermos uma classificação desde que consigamos alcançar outra.
A candidatura da Universidade de Coimbra vai ser entregue na UNESCO até ao dia 1 de Fevereiro. Aconselho Viegas a aproveitar a ocasião para entregar também o relatório do ICOMOS que põe em causa a continuidade do Douro Património da Humanidade se a Barragem do Tua for construída.

A Biblioteca Joanina é a mais bela do mundo

A Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra foi distinguida com o primeiro lugar no ranking da Flavorwire, das 25 mais belas bibliotecas universitárias do mundo.

via UCV

Universidade de Coimbra define novos patamares de eficiência energética na UE

High efficiency three phase asynchronous electric motorOra aqui está algo interessante, saído da mais velha universidade portuguesa:

UC define novos patamares de eficiência energética na UE

Segundo o estudo da UC, “o que se poupará anualmente com a entrada em vigor da legislação europeia de eficiência energética para motores eléctricos daria para fornecer eletricidade a Portugal durante três anos“. (…) A “nova legislação europeia (…) é decisiva porque os motores eléctricos usam 75 por cento da electricidade consumida na indústria. Considerando que o seu consumo de energia na fase de funcionamento é o aspecto ambiental mais significativo de todo o ciclo de vida, a progressiva substituição por tecnologias mais eficientes, que embora tenham um custo inicial mais elevado, resultam em economias consideráveis de energia ao longo da vida do equipamento”.

Escadas até ao céu

As obras arquitectónicas, aquelas criadas com a intenção de perpetuarem o regime que as ergueram, sofrem  dos inevitáveis debates por quem nelas vê tempos a olvidar. No entanto, com o decorrer da gerações, as gentes vão-se habituando e adoptam-nas como património. É este, o destino reservado às escadarias da Universidade de Coimbra. Goste-se ou não se goste do estilo ou da mensagem. Foram construídas e para sempre alteraram a malha urbana da cidade dos estudantes.

Escadas destas existem na Alemanha, Rússia, no monumento a Vítor Manuel II – em Roma -, em quase todas as capitais do leste europeu, em Pequim e Piong-Iang. Com o fito de glorificarem os poderes então instituídos, ergueram-se também na Mesopotâmia, Antigo Egipto e América Central. Têm vários tipos de mensagem, desde a vitória sobre as dificuldades topográficas, até a interpretações mais etéreas, aproximando os homens do topo, podendo este ser terreno ou celestial.

Em alguns casos, as escadas conduzem-nos a um espaço onde prepondera a figura de um Grande Chefe, chame-se ele Mao, Lenine, Kim il Sung ou Estaline. No caso coimbrão, trata-se da Universidade mais antiga do país e quando da construção do conjunto monumental, pretendeu-se marcar a posição e o activismo construtor da 2ª República e de Salazar. Nada de espantoso, pois em Paris fez-se o mesmo no Trocadero, obedecendo aos mesmos requisitos arquitectónicos que aproximavam regimes liberais como a 3ª República francesa, a Itália de Mussolini, a Rússia soviética, a Alemanha nacional-socialista ou os Estados Unidos da América. [Read more…]

Limpa, Limpa, Camarada Vândalo, Limpa

É indiscutível que o PCP sujou muito menos -e de forma não tão indelével- o país do que PS/PSD/CDS nos últimos anos. Basta olhar o país desestruturado, betonizado e degradado em que vivemos. Mas, paleontologicamente, não evoluiu o suficiente para perceber que há uma sensibilidade nascente (haverá?) em relação à defesa e preservação do património.

E já que não cola outdoors, o PCP lembrou-se de transformar as Escadas Monumentais da Universidade de Coimbra num cartaz gigantesco. Nada que não fizesse há trinta anos, o lugar temporal onde o PC ainda se encontra em alguns aspectos. Mas, agora, choca e suja, mostra pouco respeito pela coisa pública como, aliás, confirmou o cabeça de lista por Coimbra:

“O que é público é de todos”, disse, lembrando o passado. “Quando estas pedras foram postas aqui foram-no em nome de uma coisa feia.

Referindo-se à escadaria como apenas pedras, tal como outros falam do campo e da natureza como sendo só mato, o PC mostra que precisa de reciclagem e de uns laivos de modernidade, 69, hoje, utiliza-se para referir outras coisas. E quanto a, por ser de todos, se poder vandalizar o que é público…

Por isso o PC precisa de baldes, escovas e esfregonas. Limpa, limpa, camarada, vê lá se aprendes e se evoluis um bocadinho. Estamos em 2011.

Com muito orgulho

na minha universidade, que tem as suas coisas, mas também tem destas:

lula honoris causa coimbra @arturcouto

Lula da Silva, doutor honoris causa pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra

E depois uma aragem de ironia deve ter varrido a Biblioteca Joanina, obra superior do nosso barroco-com-o-ouro-do-Brasil, quando os presidentes agora a visitaram. Espero que nenhuma das lâminas do ouro com que Manuel da Silva por ali ornamentou se tenha desfolhado das madeiras, rindo à gargalhada.

fotografia Artur Couto