Henrique Granadeiro


Passeou-se pelos salões políticos do fascismo, fez a transição pacífica para a democracia, durante a qual somou nomeações social-democratas e socialistas, foi embaixador, chefe da Casa Civil de Ramalho Eanes, gestor, conselheiro, administrador e CEO de empresas públicas e privadas, e era um dos homens fortes da PT, quando aquela que já foi uma das maiores empresas nacionais decidiu torrar 900 milhões de euros na Rioforte.

Hoje é arguido na Operação Marquês, lado a lado com gente tão recomendável como José Sócrates ou Ricardo Salgado, acusado de crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal. Acusado de ser um mero capacho, ao serviço do Dono Disto Tudo, de quem terá recebido milhões para gerir a PT em função dos apetites do Grupo Espírito Santo, arrastando-a para a ruína.

Parte desse dinheiro terá sido usado na compra de um apartamento em Lisboa, cuja história, relatada pelo Expresso, daria um belo argumento para o grande ecrã. Tudo bons rapazes.

Comments

  1. joão lopes says:

    henrique Gamadeiro,da muy distinta familia dos Gamadeiros,a elite da elite? que pena,Portugal não se juntar á Catalunha,e mandar a elite “aristocratica” limpar o rio…Tejo.

  2. António Martinho Marques says:

    A nossa aristocracia empresarial! Bem conseguida a denúncia de “Ilustre Família dos Gamadeiros”, cujo brasão ostenta, entrelaçados, loureiros, silvas diversas, carvalhos, oliveiras, fauna e flora abundante, sobre a qual se derrama a luz do espírito santo. Amen.

  3. Fernando says:

    Um bom representante do que é a máfia PS-PSD-CDS

  4. Rui Naldinho says:

    A “estória” de Henrique Granadeiro daria um bom livro ou um bom filme.
    Granadeiro é a imagem fiel de como “subir na vida”, pode significar tudo o que de mais nobre se possa imaginar no ser humano, e o seu contrário.
    De pastoreador de cabras a seminarista, em Évora, do Seminário Maior ao Curso de Economia e Gestão na Uni Católica, como bolseiro, pois não tinha dinheiro para pagar os estudos, de Gestor de Empresas à política e ao mundo empresarial, Granadeiro foi subindo sempre na vida, não como um dos donos disto tudo, nem por sombras, mas sim como o “servo” ideal para as elites supremas disto tudo.
    As nossas elites gostam de ter homens de mão, confiáveis, de preferência católicos, conservadores nos costumes, liberais nas ideias, mas acima de tudo, humildes com quem lhes deu a mão.
    Granadeiro foi para Salgado e não só, uma espécie de Armando Vara, mas com muito mais qualidade. Com créditos firmados na Academia, tecnicamente bem formado, trabalhador incansável, exigente, foi sempre, na condição de prestador de serviços de uma certa elite financeira, uma aposta ganha.
    Ora, este tipo de pessoas têm mérito pelo seu brio, a força de vontade, do esforço denodado por objectivos, mas têm um problema. Uma enorme subserviência ao progenitor.
    Diz o ditado, “nunca cuspas no prato onde comeste”.
    Dessa forma, Granadeiro não renegou a doutrina que orienta as nossas elites. Subiu e caiu com eles.
    Quem estivesse à espera de outra coisa, perante os factos ocorridos desde a OPA da Sonae até à queda do BES, que não o conluio de Henrique Granadeiro ao Grupo Espírito Santo, em especial a Ricardo Salgado, isso sim, seria de estranhar.
    Assim cumpriu a guião, igual a tantos outros e em toda a parte.

    • Luís says:

      Bem dito e por isso só acrescentaria à ” Uma enorme subserviência ao progenitor”…, uma ganância sem limites e uma total falta de escrúpulos.

Trackbacks

  1. […] junto-me ao Bruno e louvo Catarina […]

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